Cozinha Uruguaia vai muito além do churrasco

15/07/2008 15:46
Jair Amaral/EM/D.A Pres
A uruguaia Teresa Dambolena já incorporou nossos costumes: na sua casa, a torta Flora é feita com goiabada, em vez da tradicional marmelada (foto: Jair Amaral/EM/D.A Pres)
Situado ao Sul do Rio Grande do Sul, o Uruguai é dono de um dos melhores rebanhos do mundo, tanto de bois quanto de ovinos, e seus grelhados são famosos – a parrillada é o prato emblemático do país. Não por acaso, o doce de leite local, cremoso, é a sobremesa uruguaia mais conhecida em outros países. “Só que não se come churrasco e doce de leite todo dia”, comenta, bem-humorada, a uruguaia Teresa Dambolena, que há 50 anos, recém-casada com o também uruguaio Beck Chagnazaroff, veio viver no Brasil, onde nasceram os três filhos.

Confira as receitas de Teresa Dambolena

Há 47 anos morando em Belo Horizonte, nem por isso o casal esqueceu suas raízes. Na casa deles, pelo menos uma vez por semana é dia de puchero, a comida que não pode faltar nas mesas das famílias uruguaias – um cozido com carnes e legumes, reforçado, quase sempre, com feijão-branco e grão-de-bico. “É uma prato originário da Galícia, na Espanha”, explica Teresa, “e a receita varia um pouco. Às vezes entra uma carne, às vezes outra, os vegetais nem sempre são os mesmos”. O costume dita, porém, que o caldo do cozido, rico em aromas e sabores, seja servido separadamente, como base de uma sopa de macarrão.

Substancioso, o prato é perfeito para o clima uruguaio, bem mais frio que o de Belo Horizonte. Para completar a refeição, um pouco de dulce de leche com queijo, diferente do que se faz em Minas Gerais. Invenção dos suíços, que, junto com outros povos europeus – espanhóis, ingleses, holandeses, italianos –, está na origem de mais de 80% da população do país. “Os imigrantes trouxeram o gado, que encontrou bons pastos na região”, conta Teresa. O leite de excelente qualidade permitiu que os imigrantes suíços desenvolvessem um queijo ótimo, conhecido como colônia. Também são muito bons os embutidos e os pães e massas uruguaios.

GULOSOS Povo que gosta de comer bem – “guloso”, na brincalhona definição de Teresa –, o uruguaio começa o dia com um café-da-manhã reforçado, no qual não podem faltar pão ou croissant, geléia, queijo e café com leite. No interior e nas famílias mais tradicionais, a carne também entra no desjejum: “Meu pai costumava fazer filezinhos na chapa para nós“, lembra Teresa. No entanto, a crescente adesão a um tipo mais saudável de alimentação e o ritmo corrido da vida moderna vêm fazendo com que esse hábito se torne cada vez mais raro.

O uruguaio não abre mão, porém, de um lanche farto. “Nossa cozinha tem várias receitinhas para incrementar essa refeição. É muito comum usar diversos tipos de vegetais, inclusive as folhas externas da alface, aquelas mais duras, incorporadas num creme de ovos com leite que serve de base para bolinhos fritos”, diz Teresa. Rocamboles, sanduíches feitos com os excelentes embutidos, queijos e pães do país, sempre há uma guloseima diferente. Uma das mais típicas é a da torta Flora, feita com marmelada, outro doce bem típico do país.

Receita típica de domingo é a buseca, dobradinha com feijão-branco de sabor bem distinto da versão brasileira do prato, que é muito consumida também nos fins de tarde, acompanhada de vinho ou grapa. “No dia-a-dia, a cozinha de lá é bem parecida com a daqui, tem frango assado, carne recheada, bife à milanesa, talharim, purê de batata, muita salada de legumes cozidos e crus, hortaliças, mas sempre com um incrementozinho: molho de vinho com champinhom, batata puxadinha no alho, ervas”, diz Teresa. Segundo ela, os temperos usados no Uruguai são os mesmos daqui. A diferença seria que, no Brasil, eles ficam meio esquecidos ou restritos a algumas receitas, como, por exmplo, o orégano, que aqui é tempero de pizza e lá aromatiza todo tipo de carne. “A mesa uruguaia tem um aroma diferente, um colorido”, conclui Teresa.

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