Recém-aberto em Santa Teresa, Casa do Porre exibe paredão de branquinhas

Quatrocentos rótulos compõem o acervo do novo ponto de encontro dos admiradores da bebida

15/06/2008 14:14
Pedro David/Especial para o EM
ALém de cachaças, cardápio oferece opções para acompanhar a degustação (foto: Pedro David/Especial para o EM )
Uma disputa silenciosa tem lugar nas prateleiras dos botequins belo-horizontinos toda noite: a de qual bar tem mais marcas de cachaça. Umas empoeiradas, outras supervalorizadas, elas chegam as dezenas – centenas, em alguns casos. Não raro, o preço das doses tem dois dígitos. Mesmo quem é bebedor fiel da mesma marca adora ficar de olho no paredão de “branquinhas”. É na variedade de cachaças que aposta a Casa do Porre, recém-aberta em Santa Teresa, com cerca de 400 rótulos. Essa marca a coloca praticamente empatada com um dos bares recordistas da capital mineira, o Via Cristina, que tem 411.

A promessa dos proprietários Alexandre Wagner e Felipe Davite – pai e filho – é de que esse número chegue a 1 mil depois que trouxerem nova remessa de garrafas do sítio da família, em Brumadinho. A propósito, lá eles produzem quatro cachaças: Água da Bica, Rainha do Milênio, Velha União e Sonhadora, esta última com menor graduação alcoólica, geralmente servida gelada “para mulheres”. Eles também engarrafam caipirinha, a Caipy Tiff. Tudo está no cardápio.

Professor de biologia, Felipe se aprofundou em microbiologia. Estudou leveduras relativas ao processo de produção de cachaça com Carlos Rosa, professor da Universidade Federal de Minas Gerais e especialista na análise científica da bebida. “Cachaça boa desce tranqüilo, sem queimar. Não é como gato descendo de ré pela garganta. Tem que fazer salivar. Chamá-la de pinga é uma ofensa”, defende.

As cachaças são vendidas em garrafa (a mais cara é a Havana, R$ 350), dose ou em sistema self-service. Cada dose tem 50ml e a maioria custa R$ 3 – a da Havana está novamente no topo, vendida por R$ 30. O self-service de cachaça, incomum na cidade, funciona todos os dias: por R$ 10, cada pessoa bebe à vontade doses de 32 marcas, colocadas sobre uma mesa. Parte das garrafas fica em prateleiras e parte no escritório-depósito, nos fundos do imóvel. A maioria é feita em Minas.

O ambiente, simples e pequeno, comporta até 65 pessoas em humildes mesas de madeira. Na entrada, um belo e lustrado alambique de cobre jorra sem parar. Mas não se engane: é uma mistura de água com cachaça. “É para não evaporar. Só para dar um cheirinho”, explica Felipe. O nome, bem ao estilo “ame ou odeie”, foi sugerido pelo pai, presidente da Associação Mineira dos Produtores de Cachaça de Qualidade. “O pessoal passa pela porta e ri”, conta Felipe, que se apressa em ressalvar: “Nem é nossa intenção ter gente caindo de bêbada aqui”.

Para forrar

Fazendo jus à variedade de cachaças, o cardápio é extenso, com aproximadamente 40 opções de tira-gostos tradicionais. Vai do salaminho (R$ 5) à costelinha (R$ 15), passando por almôndegas (R$ 10), batatas fritas (R$ 8), dobradinha (R$ 10), língua (R$ 10), fígado (R$ 8), rabada (R$ 10), carne-de-panela (R$ 10) e torresmo (R$ 7).

Fogem à regra as especialidades da casa: carne-de-sol assada na cerveja preta (R$ 25), lombo ao molho de caipirinha (R$ 18), cupim cozido e assado na cachaça (R$ 18) e lingüiça flambada na cachaça e servida com requeijão (R$ 15). Caldos (feijão, mandioca e canjiquinha, entre R$ 7 e R$ 8, cada) e porções frias, como azeitonas (R$ 8), provolone (R$ 4) e jiló (R$ 5) completam o cardápio.

Além das “branquinhas”, estão disponíveis doses de vários destilados e boa variedade de cervejas nacionais, incluindo Serramalte, Eisenbahn e Devassa.

Casa do Porre
Rua Mármore, 373, Santa Teresa, (31) 2515-7149. Aberto de terça a sábado, das 18h à 1h.

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