Sabores da culinária árabe invadem Belo Horizonte

Al Sultan, Vila Árabe e Falafel oferecem pratos típicos sofisticados em seus cardápios

15/06/2008 14:42
Pedro David/Especial para o EM
Quibe de cordeiro, shish barak, surubim ao molho de tahine e pernil de cordeiro com arroz do Restaurante Al Sultan (foto: Pedro David/Especial para o EM)
Para quem está minimamente familiarizado com a culinária árabe, nomes como babaghannuj, homus, chanclich e shawarma – pasta de berinjela, pasta de grão-de-bico, queijo árabe e carne marinada, respectivamente – não são mistério algum. Aqui e ali, muito discretamente, cardápios de casas árabes da cidade listam pratos que fogem desse pequeno universo delimitado por quibes e esfirras, revelando parte da rica culinária árabe que geralmente se mantém restrita a casa de imigrantes. Apesar de não serem muito conhecidas, são todas receitas deliciosas.

“Não estamos presos a uma comunidade só. Os pratos são para todo mundo”, garante o libanês Salim Sabbagha, que comanda o Restaurante Al Sultan ao lado do irmão, Gaby. Esta semana, eles acrescentaram ao cardápio quatro pratos tipicamente árabes, que são dos mais difíceis de serem encontrados: quibe de cordeiro assado, shish barak (capeletes na coalhada), peixe ao molho de tahine e pernil de cordeiro com arroz e amêndoas. Para acompanhar, a casa conta com outra raridade, o vinho Château Ksara (R$ 75), feito com uvas libanesas.

A começar pelo quibe de cordeiro (R$ 10,90), Gaby explica que a proporção de trigo e carne é a mesma que usa para fazer o quibe frito tradicional, ou seja, meio a meio. A carne é de pernil de cordeiro e, para que o sabor e aroma da receita sejam preservados em sua máxima potencialidade, o quibe deve ser assado até que fique ao ponto, preservando o miolo rosado. “Mesmo que a receita seja parecida com a do quibe comum, esse quibe não pode ser frito”, esclarece Gaby.

Já o pernil de cordeiro com arroz e amêndoas encontra no Líbano receitas análogas, feitas também com aves. Lá, é comum servir o arroz tanto sob lascas de carne quanto como recheio de galinhas, perus e cordeiros assados inteiros. No restaurante, o arroz é enriquecido com carne moída e temperos árabes, coberto com amêndoas douradas e lascas de pernil de cordeiro assado (R$ 44,90, para duas pessoas). Também com a carne de cordeiro, é preparada a cafta (R$ 12,90).

Enquanto no Líbano são mais populares os peixes de mar, na casa é o surubim, típico dos rios mineiros, que serve de matéria-prima para a clássica receita de peixe ao molho de tahine (pasta à base de gergelim). “Estamos muito satisfeitos com o sabor dele”, elogia Salim. As postas do peixe são assadas e cobertas com molho à base de tahine, alho e limão – cebolas fritas e arroz branco acompanham (R$ 39,80, para duas pessoas). De acordo com os hábitos libaneses, esse prato costuma ser preparado em ocasiões especiais ou dias em que não se come carne. “É chique”, diz Gaby.

Prato popular em diversos países do mundo árabe, o shish barak (R$ 39,90, para duas pessoas) feito no Al Sultan lembra um capelete, mas a textura, sabor e aspecto da massa são bem diferentes. Enquanto a maioria das receitas indica cozimento da massa na coalhada, na casa ela é assada previamente. “Esse é um prato que veio com os turcos quando chegaram ao Líbano, séculos atrás”, afirma ele. Recheado com a carne e mergulhado na coalhada temperada com sal, alho e ervas. Acompanha arroz branco.

Disputa

Muito popular nos países do Oriente Médio e até na Europa, os sanduíches conhecidos como döner kebab, cuja paternidade será disputada eternamente entre gregos e turcos, são raríssimos na capital mineira. Um dos únicos locais onde é possível comê-lo é no Falafel, onde é chamado de shawarma: a carne (boi, carneiro ou frango) é fatiada, empilhada num espeto giratório e assada lentamente. Picada em pedacinhos, a carne é colocada no pão árabe, enrolado com legumes, hortaliças e homus (ou pasta de alho). Cada sanduíche custa R$ 5,80.

No Vila Árabe, o cardápio também lista pratos menos comuns, como pernil de cordeiro com arroz de amêndoas (R$ 42,90, para duas pessoas) e shish barak (R$ 16,90, individual). O peixe ao molho de tahine foi retirado do cardápio por falta de pedidos. Entre as exclusividades da casa estão a tripa de carneiro recheada com arroz, grão-de-bico e carne moída (R$ 18,90, porção) e o arroz marroquino, com frango desfiado, grão-de-bico e castanha de caju (R$ 10,50, porção).

ONDE IR


Al Sultan
Rua Tomé de Souza, 1.140, Savassi, (31) 3221-0001. Aberto de segunda a sábado, das 11h30 às 23h30; domingo, das 11h30 às 18h.

Falafel
Avenida Cristóvão Colombo, 19/loja 104, Savassi, (31) 3223-1570. Aberto de segunda a quinta e
sábado, das 9h às 21h; sexta, das 9h às 22h.

Vila Árabe
Rua Pernambuco, 781,
Savassi, (31) 3262-1600. Diariamente, 12h à 0h; domingo, das 12h às 17h.

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