Novo restaurante Atlântico aposta no sabor dos peixes

15/06/2008 14:47

Pedro David/Especial para o EM
Vermelho na brasa: gostinho de beira-mar é um dos diferenciais da nova casa em Lourdes (foto: Pedro David/Especial para o EM)
Num momento como agora, em que as possibilidades da gastronomia indicam ausência de limites, abrir um restaurante especializado em peixe na brasa em Lourdes, tendo como vizinhos casas sofisticadas como o D’Artagnan, A Favorita, Taste Vin e Dádiva, cheira a retrocesso ou deboche. Mas não é. A busca pelo sabor verdadeiro dos alimentos é o principal desafio de chefs do mundo inteiro, diariamente – mesmo daqueles afeitos a espumas e outros prodígios culinários. No caso da alta-cozinha, menos anda significando mais. E é isso que o cardápio do recém-inaugurado Atlântico representa.

Bacalhau, lagostins e camarões graúdos estão entre os pratos principais, mas os destaques da casa são peixes brasileiros comuns e frugalmente temperados com sal e uma pincelada de azeite com alho e ervas. E só. Pargo (R$ 26), olho-de-cão (R$ 28) e trilha (R$ 24) são assados na brasa e servidos inteiros e com pele. Rendem dois filés de bom tamanho, convenientemente extraídos pelo garçom na mesa. Acompanhamentos devem ser pedidos à parte, e comungam da mesma simplicidade: legumes assados (R$ 12), arroz com brócolis (R$ 11), massa da casa (entre R$ 14 e R$ 16), farofa de paio (R$ 9) e batatas sautée (R$ 10), entre outros.

“Essa área de pescados é escassa na cidade. O que existe são casas de moquecas e ensopados. O peixe que se come aqui tem só o sabor próprio dele”, afirma o jovem Marcos Calmon, de 25 anos, que, com Tomaz Gomide, de 27, comanda a casa. Os dois são os mesmos donos do Restaurante Gomide, também em Lourdes. “Sempre tive casa em Búzios e passei muitos verões fazendo peixe na brasa. Sempre quis fazer isso aqui”, conta Tomaz.

O novo restaurante ocupa uma casa antiga, cuja reforma e decoração são assinadas pela mãe de Tomaz, Meire Gomide. Parte do piso original foi mantido e a escolha das cores resultou num charme retrô, delineado também por lindas cadeiras de palhinha. As luminárias são do designer Ganso. O ambiente, parcialmente aberto, é agradável e despretensioso, com a maioria das mesas no nível da calçada.

Brasa


Em breve, o processamento de peixes e a fabricação de massas serão transferidos para um imóvel vizinho, o que desafogará a pequena cozinha e permitirá oferecer maior variedade de pratos e acompanhamentos. Já consolidada é a área de preparo dos grelhados, uma grande churrasqueira mista. Sobre a beirada da coifa são mantidas pequenas vasilhas de molhos, numa espécie de aquecedor improvisado.
De um lado, na falsa parrilla, são preparadas as únicas opções de carne da casa: bife ancho (R$ 28), bife de chorizo (R$ 26) e costeletas de cordeiro (R$ 32). No outro, peixes e crustáceos são assados em diferentes andares de uma grelha. Além de pargo, olho-de-cão e trilha, são feitos na brasa bacalhau (R$ 42), cavaquinha (R$ 55), lagostins (R$ 38) e camarões (R$ 42).

O know how é do chef Vladimir Wingler, que trabalhou no Satyricon (Rio de Janeiro e Búzios), casa que é referência em pescados e frutos do mar. “O grande segredo do peixe é estar fresco. Se estiver, é meio caminho andado. Não uso temperos ácidos e o tempo de preparo é cronometrado”, ensina ele. Às terças e sextas, o restaurante recebe peixes, ostras e crustáceos frescos – quase tudo do litoral fluminense.

Ceviche de peixe branco (R$ 22), tartar de atum (R$ 21), trio de carpaccio (R$ 24; salmão, atum e peixe branco), ostras frescas (R$ 18, seis unidades) e bolinho de bacalhau (R$ 18, oito unidades) compõem as entradas. Há ainda saladas (entre R$ 22 e R$ 28), embutidos (R$ 25, porção variada), lingüiça (R$ 14) e misto de frutos do mar do dia grelhados (R$ 45).


A carta de vinhos, com aproximadamente 100 rótulos, conta com vinhos da Zahil, Mistral e Grand Cru. “Vendo pouquíssimo vinho tinto. Branco, em compensação, vendo para danar. Caipirinhas e drinques também”, diz Tomaz. O preço da garrafa varia entre R$ 49 e R$ 290.

Atlântico
Rua São Paulo, 1.984, Lourdes. (31) 3275-3384. Aberto de segunda a quinta, das 17h à 1h; sexta e sábado, das 12h à 1h; domingo; das 12h às 19h.

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