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Civilization Revolution 2 para iOS não apresenta revolução alguma, mas é uma boa sequência

Jogo adapta série clássica de estratégia para dispositivos móveis

Marcelo Faria

Lançado em 2008 no PS3 e Xbox 360, o primeiro Sid Meier's Civilization Revolution era uma tentativa de adaptar a série clássica de estratégia do PC para uma jogabilidade simplificada e adaptada aos consoles. O jogo foi bem recebido pela crítica, mas não foi um sucesso tão grande para o público. Ganhou uma adaptação no Nintendo DS no mesmo ano que também não se destacou, mas em agosto de 2009 foi para o iOS e se aproveitou da falta de bons jogos do gênero nos telefones da Apple para enfim brilhar e conquistar novos e velhos fãs.


Cinco anos depois, iPads e iPhones recebem uma sequência do jogo. Civilization Revolution 2 não chega com a pretensão de uma nova revolução, mas sim de dar continuidade e atualizar a estratégia da Firaxis para os tempos atuais. A dúvida é: vale a pena o preço salgado (nos padrões da app store) de US$ 14,99 ou é melhor ficar com primeiro jogo, que custa modestos US2,99?

Estratégia simplificada


Em Civilization Revolution, os jogadores começam sua jornada guiando os primeiros passos de uma civilização na idade da pedra. A jogabilidade é em turnos, o que significa que os jogadores tem todo tempo de pensar em seus próximos movimentos antes de passar a vez para os adversários, como em um jogo de xadrez. Geralmente uma partida demora um bocado: a nação escolhida pelo jogador atravessa eras para no fim conseguir uma das quatro vitórias: econômica, que envolve juntar muito dinheiro; cultural, dada para quem acumula monumentos e pessoas extraordinárias; militar, para quem domina as quatro capitais dos adversários; e tecnológica, conquistada para quem enviar uma espaçonave para Alpha Centauri.

Quem já jogou as últimas edições de Civilization no computador notará que os objetivos estão um pouco simplificados e reduzidos. Só que esse é justamente o charme e o melhor de Revolution 2: ele consegue compactar toda a complexidade da série original em uma jogabilidade extremamente simples e rápida, mas mantendo a essência da franquia. Com isso, ainda existem árvores de tecnologias ao evoluir a civilização, mas elas são menores e com menos possibilidades. O mapa do jogo é relativamente pequeno. Os combates estão mais práticos e não existem tantas variações nas unidades. Também não existem muitas opções diplomáticas, o que de certa forma é ruim, mas reforça a ideia de 'descomplicar' um série conhecida por ser muito complexa.

 

 

 

Tudo isso cria dois pontos positivos fortes em Revolution 2. O primeiro é a facilidade em aprender. O jogo é bem tranquilo para iniciantes não apenas na série, mas também em videogames. O segundo ponto é que o jogo fica mais veloz – uma campanha dura uma tarde, enquanto no PC pode levar semanas. E os turnos também são muito mais curtos, possibilitando dividir uma mesma partida em várias sessões de alguns minutos, o que combina com o perfil de jogador dos dispositivos com iOS.

Poucas novidades


Civilization Revolution 2 é um ótimo jogo. Mas ele guarda uma decepção imensa: não tem modo multiplayer. Não é possível jogar com outras pessoas, apenas contra a inteligência artificial, que decepciona com uma estratégia rasa e previsível, mesmo nos níveis mais difíceis. Essa falha é imperdoável, ao ponto de ser considerada um retrocesso, já que o primeiro jogo tem um modo multiplayer, bem satisfatório. É provável que uma atualização próxima venha com o modo, mas é difícil entender algum motivo para ele não estar lá desde o lançamento.

 

 

 

E outro ponto que decepciona é justamente essa comparação com o seu antecessor. Revolution 2 não avança muito em relação a jogabilidade. Tem poucas novidades, sendo que a mais notável delas são os gráficos mais bonitos e novos líderes mundiais e nações para serem escolhidas na hora de jogar. E também pesa a diferença de preço: US$ 2,99 o velho, enquanto o novo é US$ 14,99.

Em resumo:

Sid Meier's Civilization Revolution 2 consegue resumir bem a experiência da série de estratégia, agradando tanto que tem disposição para passar uma tarde inteira envolvido em disputas globais como quem divide tudo isso em parcelas de um ou dois turnos na fila de espera do dentista. É um jogo envolvente e ideal para fãs do gênero, mas comete alguns pecados capitais, como a ausência de multiplayer, a simplicidade da inteligência artificial e o preço altíssimo para os padrões da App Store. Outro problema é a concorrência dentro da própria série: enquanto Civilization V no PC oferece uma experiência bem mais completa e intensa, o primeiro Civilization Revolution, disponível também de iOS, é bem mais barato, tem modo multiplayer e é pouco diferente em sua jogabilidade.

Com isso, Civilization Revolution 2 fica recomendado para quem gosta muito de jogos de estratégia em turnos, sente falta de bons títulos na App Store e não comprou ou já enjoou do antecessor.

Nota: 7/10