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Nunca irão me parar, diz youtuber Felipe Neto sobre ameaças

Com 34 milhões de inscritos em seu canal no YouTube, 11,2 milhões de fãs no Instagram e 9,6 milhões de seguidores no Twitter, o youtuber Felipe Neto se tornou uma das personalidades mais influentes do mundo. Aos 31 anos de idade, ele é dono do 5º canal, em número de inscritos, do site de vídeos a nível global. Crítico do governo do presidente Jair Bolsonaro, ele promete mobilizar toda a sua rede para influenciar o mundo político e combater ações do Estado que representem retrocesso em relação a direitos conquistados pelas minorias. 



O comunicador provocou barulho após comprar 14 mil exemplares de livros com a temática LGBT e distribuir na Bienal do Rio, depois de uma tentativa do prefeito Marcelo Crivella de censurar o livro dos Vingadores que contém a cena de um beijo entre heróis gays. Em meio a um intenso cenário de polarização, Felipe ganha ascensão como uma importante voz de oposição ao governo e seus aliados. Apesar do engajamento, ele descarta totalmente a disputa por qualquer cargo eletivo nas próximas eleições. No entanto, revela, em entrevista ao Correio, a intenção de conversar com um público mais velho, indo além da multidão de crianças e adolescentes que ele atrai atenção todos os dias, com publicações diárias em seu canal.

O youtuber comenta sobre ameaças que vem recebendo desde o episódio da Bienal. Mesmo tendo que tirar sua mãe do Brasil, ele conta que não vai recuar nas críticas e pretende intensificar ainda mais sua atuação na internet. Apesar de ser um forte opositor da atual gestão do Executivo, ele critica os governos petistas de Lula e Dilma, aos quais se refere como um período tomado por “corrupção, negociatas e toma lá dá cá”. 


Como surgiu a ideia de criar um canal no YouTube?  Seus vídeos ainda têm um teor voltado a entretenimento.  Você pensa em algum projeto ligado à informação ou conteúdo voltado a temas políticos?

Criei meu canal há quase 10 anos. Hoje, meu conteúdo é sempre voltado à diversão, ao entretenimento de fato, exceto por um vídeo ou outro quando converso com o público de maneira mais séria. Não tenho intenção de criar algo voltado para política, mas estou criando um novo canal e um projeto ligado à criatividade e à inovação para um público mais velho.



O que lhe motivou a intervir no ato de censura  do prefeito Marcelo Crivella ao HQ dos  Vingadores na Bienal do Rio de Janeiro?

Não podemos nos calar perante tentativas de censura e opressão. O objetivo deles é instaurar uma teocracia, e é nosso dever, como povo, impedir que isso aconteça.

Qual a sua avaliação sobre o governo do presidente Jair Bolsonaro? 

Não há governo. O Bolsonaro é apenas um mascote do obscurantismo e do reacionarismo do Olavo de Carvalho. É um louco com uma caneta na mão, mas que não faz a mínima ideia do que fazer com ela. O que temos hoje é um grupo de ministros completamente insanos e desqualificados para as funções que exercem, tentando, de todas as formas, atender à agenda doentia que luta contra a ciência e busca a implementação de uma teocracia.

Como você avalia os últimos governos  petistas, dos ex-presidentes Lula e Dilma?

É inegável que o governo do PT, principalmente sob Lula, realizou grandes obras no campo social para a diminuição da desigualdade. Contudo, foram quase 16 anos de intensa corrupção, aparelhamento do estado e total ineficiência em romper com o establishment e a velha política. Negociatas, toma lá dá cá, empreiteiras e empresas de transporte mandando e desmandando no país, enquanto os bancos explodiram seus lucros e a taxa de juros continuou massacrando o povo e o empreendedorismo no Brasil.



Você afirmou, em seu canal, que leu muitos livros para  entender de política e sociedade. Quais os livros  que marcaram suas leituras nos últimos meses?

Eu leio mais sobre filosofia e sociologia. O que considero mais importante é buscar evitar o viés de confirmação, ou seja, ler apenas uma linha de pensamento sobre determinado assunto. É muito comum isso acontecer com os alunos do Olavo de Carvalho, que se tornam completamente cegos e manipulados, só lendo aquilo que o mestre manda. Eu gosto de ler sobre tudo e de diferentes pontos de vista.

Você pensa em disputar algum cargo político, seja nas próximas eleições, em pleitos posteriores, ou é uma ideia que está totalmente descartada? É uma ideia que está totalmente descartada.

Você contou ter sido alvo de ameaças de morte. Pode descrever algumas mensagens que recebeu? 

É normal receber ameaças de anônimos por aí, isso acontece o tempo todo. Contudo, desde a ação da Bienal, as coisas se intensificaram e ficaram mais sérias, ao ponto de ter chegado uma ameaça vinda de um grupo que parece real. Registramos as ocorrências na polícia e estamos monitorando.



Você acredita que essas ameaças podem se  concretizar? De alguma forma essas ações lhe intimidam?
Claro que intimidam, mas nunca irão me parar. Vivo hoje sob fortíssimo esquema de segurança e fui forçado a tirar minha mãe do Brasil, mas ela está do meu lado nessa luta. Eu não vou permitir que a opressão vença minha vontade de lutar por liberdade e igualdade.

As ameaças vão fazer com que você critique menos o governo e seus aliados? Haverá algum tipo de mudança nas suas interações nas redes sociais e no YouTube?

Não. Pelo contrário, qualquer ameaça ou tentativa contra a minha vida ou a de alguém da minha família só fará com que eu intensifique muito mais essa luta. E se um dia me calarem, tenho certeza de que isso levantará muito mais vozes ainda mais fortes que a minha.

Como está sendo o apoio dos seus seguidores neste momento?
Absolutamente perfeito, maravilhoso, é um amor que eu nunca havia sentido antes.

Em relação ao futuro do Brasil, a tendência é de que o conservadorismo cresça ou liberalismo político ganhe espaço?

O conservadorismo não é o real problema, mas, sim, o reacionarismo. O conservadorismo sempre existiu e sempre existirá, ele fundamenta o debate e foi responsável, historicamente, por muitas mudanças positivas no mundo. Hoje, contudo, é muito comum ver uma pessoa começar conservadora e cair no mundo reacionário, que visa uma teocracia, uma mistura de igreja com Estado e a imposição de valores morais próprios para toda a nação. Essas pessoas se tornam agressivas e opressoras. E, sim, elas ficarão para trás na história.

Até 2022 e durante a próxima eleição, você pretende usar sua influência para se opor à candidatura do presidente Bolsonaro e de seus aliados?

Sem dúvida alguma. Tanto a dele quanto a de Witzel (governador do Rio) e de qualquer outro ícone desse reacionarismo doentio.