Festival de tatuagem traz a BH os Ratos de Porão e tatuadores de vários estilos

Oitava edição do BH Tattoo Festival espera levar 15 mil pessoas à Serraria Souza Pinto de sexta (4) a domingo (6)

por Larissa Bitencourt* 04/05/2018 08:46
Wander William/Divulgação
João Gordo, que fez sua primeira tatuagem em 1983, se apresenta no evento na noite deste sábado (5). (foto: Wander William/Divulgação)

João Gordo fez sua primeira tatuagem em 1983, na mão. Na época, era “coisa de bandido, marinheiro e motoqueiro”, relembra o vocalista do Ratos de Porão, que hoje, aos 54 anos, perdeu a conta de quantas tatuagens tem pelo corpo. Ficou para trás também a imagem de rebeldia ou inconformismo que acompanhava aqueles que decidiam usar a própria pele como tela – para imagens ou palavras. “Hoje em dia, todas as facções têm tatuagens”, observa João Gordo, que se apresenta neste sábado (5) na oitava edição do BH Tattoo Festival, na Serraria Souza Pinto.

O festival oferecerá, a partir desta sexta-feira (4) até domingo, um leque de atrações musicais, ao lado de estandes ocupados por aproximadamente 400 tatuadores nacionais e estrangeiros, incluindo profissionais vindos da Rússia, Holanda, Peru e Chile. Haverá ainda concursos, intervenções e workshops, além de food trucks com opções gastronômicas.

A programação musical conta com nomes do rock, da música eletrônica e do hip-hop. Segundo Marcos Pequeno, de 37 anos, organizador do festival, esses são os “três nichos que mais consomem tatuagens” e é primordial ter representantes deles para chamar a atenção do público. Os shows ocorrem na parte externa da Serraria. A noite de hoje é dedicada à eletrônica, com a presença dos DJs Ekanta, Rica Amaral e Nevermind. No domingo, o hip-hop domina o palco, com atrações como Big da Godoy (Racionais), Dexter, a banda mineira Zarastruta e o Duelo de Mcs.

Esta é a segunda vez em que a DJ Ekanta se apresenta no festival mineiro de tatuagem. Apesar de ser um ambiente diferente daquele a que está acostumada, com um público mais eclético, ela diz gostar do desafio. “Quero levar minha música para todos os lugares”.

Ekanta conta que não costuma programar sua apresentação antecipadamente e diz que pretende improvisar o show, de acordo com a “vibe da galera”. “O DJ tem a vantagem, o privilégio do improviso. Tenho várias cartas na manga e brinco com isso na hora. Mas sempre com muito amor, empenho e o melhor de mim.”

A DJ conta que é fã do universo das tatuagens e tem nove delas espalhadas pelo corpo, sendo que cada uma representa uma fase importante de sua vida. Uma das tatuagens foi feita em homenagem aos seus filhos gêmeos, os também DJs Alok e Bhaskar. Ela tatuou os nomes deles em braile. “Fico muito feliz com a evolução do mercado da tatuagem, que é reconhecida e respeitada. Hoje em dia, a tatuagem é muito bem vista em todos os meios”, avalia Ekanta.

 


“VELHAS” Principal atração da noite roqueira, João Gordo chega a Belo Horizonte com um repertório antigo dos Ratos de Porão, com direito até ao sucesso dos anos 90 Beber até morrer. “Não adianta lançar música nova. O povo gosta das músicas velhas”, diz ele. O último disco da banda, Século sinistro, foi lançado em 2014. João Gordo afirma que não há previsão de novos trabalhos.

Além de trazer nomes conhecidos do hip-hop, como Dexter e Big da Godoy, o BH Tattoo Festival abre espaço também para quem procura despontar na cena local. O rapper Matheus Maori, integrante da banda mineira Zarastruta, conta que é a primeira vez que eles se apresentarão em um festival de tatuagens e não esconde a empolgação. “Estamos ansiosos, porque é um grande festival e cheio dos melhores artistas de diversas áreas”. Ele diz que o show terá músicas do álbum da banda Tudozaras, participações especiais e até uma inédita. “Mas isso é segredo nosso.” Maori tem cinco tatuagens e brinca: “Não sei com quantas eu volto de lá”. O rapper  defende a tatuagem como forma de expressão: “Gosto bastante. A tatuagem diz muito sobre a identidade de cada um e é cada vez mais aceita, sob quase todos os pontos de vista. As pessoas estão mais livres pra se expressar também pela tatuagem”.

Em sua primeira edição, em 2011, o BH Tattoo Festival atraiu 3 mil pessoas. Neste ano, a organização estima receber 15 mil visitantes. Autor da iniciativa, Marcos Pequeno atribui a fatores como a maior aceitação social da tatuagem e a melhoria na qualidade dos produtos e técnicas a responsabilidade pela expansão do setor. “A tatuagem não é mais vista com o preconceito que havia antigamente. Antes, era coisa de roqueiro, bandido. Hoje em dia não tem mais o atrito demarcado. O mercado é muito amplo e cresce a cada dia que passa.”

Alexandre Guzanshe/EM/D.A.Press
Estilos e preços das tatuagens variam. Custo mínimo é de R$ 100. Há opções de body painting (temporárias). Promoção #QueroSerTela dá direito a ser tatuado ao vivo no palco. (foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A.Press)

Pequeno se interessou em empreender no ramo da tatuagem quando notou que as informações sobre esse mercado eram vagas e dispersas, ao pesquisar sobre ele na internet, 15 anos atrás. Ele criou então o Portal Tattoo e frequentou vários eventos de tatuagem, até lançar o seu em Belo Horizonte. “A cada ano que passa a gente consegue crescer um pouquinho mais”, diz.

CONCURSOS Nos três dias desta oitava edição, os expositores ficarão disponíveis para tatuar de 12h até 22h. O festival engloba diferentes estilos de tatuagem e tem também grande diversidade de preços, sendo R$ 100 o valor mínimo. A programação de concursos é extensa, com 23 categorias relacionadas e premiação prevista para o primeiro e o segundo colocados em cada uma.

Miss Tattoo’18, Melhor Tatuagem e Melhor Cosplay estão entre as eleições previstas. A promoção #QueroSerTela dará oportunidade de ser tatuado ao vivo, no palco, por uns dos tatuadores convidados: Anjelika Kartasheva (Rússia), Ganso Galvão (RJ) e Clayton Dias (RS).

Além do universo da tatuagem, o festival contará com artistas de Body Painting (pintura corporal temporária), grafiteiros mostrando seu trabalho ao vivo em telas, a invasão dos StarWars com o 501st Legion Stormtroopers e até um espaço kids.

O ingresso diário custa R$ 25 e o passaporte que dá acesso aos três dias sai por R$ 70. Também é obrigatória a entrega de 1kg de alimento não perecível ou a apresentação da carteirinha de estudante.

*Estagiária sob supervisão de Silvana Arantes

 

8º BH Tattoo Festival
De sexta-feira (4) a domingo (5) na Serraria Souza Pinto (Av. Assis Chateaubriand, 809, Centro). Sexta-feira e sábado, das 12h às 4h; domingo, das 12h às 22h. Ingressos: R$ 25 (diário) e R$ 70 (passaporte para os três dias) + 1kg de alimento não perecível ou carteirinha de estudante. Mais informações: www.bhtattoo.com.br.

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