Inspirada nas antigas radionovelas, 'Os Bollagattos' está em cartaz em canal na internet

Bianca Rinaldi e Priscila Fantin estrelam o projeto, que resgata tradição das radionovelas, sucesso no Brasil nas décadas de 1940 a 1960

por Ana Clara Brant 03/04/2018 09:45

Ricardo Penna/divulgação
Elenco reunido no estúdio de gravação, no Rio de Janeiro. (foto: Ricardo Penna/divulgação)

“Num dia ensolarado no escritório da mansão de dona Vitória Bollagatto, no verão de 1945, na cidade do Rio de Janeiro, Vitória Bollagatto, 60 anos, matriarca da família, conhecida por muitos como ‘A Madrinha’, está sentada em uma cadeira bem confortável, acariciando seu gato”, diz o narrador. Ao fundo, ouve-se um miado e a música incidental. É assim que começa Os Bollagattos, audionovela lançada pela Lafilms.TV e distribuída pelo Ubook, a maior plataforma de audiolivros por streaming da América Latina.

Desde 15 de março, sempre às quintas-feiras, um novo capítulo vai ao ar. Quinze dias depois da exibição no Ubook, a atração pode ser conferida na Blá FM, rádio transmitida pela internet. Porém, a Blá não faz reprises. Quem perder o episódio só terá a chance de ouvi-lo na plataforma. Com roteiro e direção assinados pelo carioca Luís Antônio Pereira, Os Bollagattos resgata – mas com roupagem de 2018 – a tradição das radionovelas, sucesso no Brasil nas décadas de 1940 a 1960.

“Hoje, a tecnologia e os recursos são outros, mas a essência da audionovela é a mesma das radionovelas. Antigamente, era tudo ao vivo – locuções, sonoplastia. A Rádio Nacional, que produzia boa parte delas, contava com um grande estúdio. Acredito que a nossa inciativa pode até abrir caminhos para novos projetos”, ressalta Luís Antônio.

A trama retrata a saga dos Bollagattos ao longo de 40 anos. O clã comanda o crime no Rio de Janeiro. Miguela, uma das filhas, nunca quis se envolver nos negócios ilícitos de Vitória (Raquel Fabbri), porém tudo muda quando a matriarca sofre um atentado, a mando da família Tortellini. Miguela, então, torna-se mais temida do que a mãe.

O clã Bollagatto é uma espécie de versão feminina dos Corleones de O poderoso chefão, clássico do cinema. No longa de Francis Ford Copolla, o patriarca Vito Corleone se vê incapacitado ao sofrer um atentado e força os filhos Michael e Sonny a assumir os negócios. De cara, a logomarca da audionovela brasileira lembra o cartaz do filme.

“Desconstruí a história de O poderoso chefão. O grande barato é fazer livres adaptações, mas trazendo elementos contemporâneos. Mesmo que minha trama comece nos anos 1940, ela faz referências a outras épocas – na verdade, até os dias de hoje. Foi bacana trazer a força feminina. Os inimigos são todos homens”, ressalta o diretor.

O elenco reúne Priscila Fantin, Bianca Rinaldi, Paloma Bernardi, Maytê Piragibe, André Ramiro, Raquel Fabbri e Brendha Haddad. Uma das intérpretes de Miguela Bollagatto (as outras são Priscila e Maytê), Bianca ressalta que a experiência foi transformadora para ela. O principal desafio é manter a voz clara durante todo o tempo.

“Como a atuação é concentrada totalmente na voz, qualquer emoção além da que queremos que transpareça fica muito óbvia. Essa é uma atenção que devemos ter durante as gravações. Há também o cuidado com as cordas vocais. Como artistas, sempre damos atenção especial à voz, mas fazer uma audionovela acentua ainda mais a preparação vocal”, explica.

 

Ficou curioso? Ouça um trecho abaixo: 

 

 

RESGATE O intuito do projeto não é fazer a audionovela voltar à moda. A ideia é resgatar o antigo glamour, destacando a importância histórica do gênero. “Por meio das audionovelas, as pessoas conseguiam exercitar a própria imaginação. O público pode esperar muita dedicação e comédia em Os Bollagattos. Essa história engraçada e leve atinge todas as faixas etárias, além de trazer a nostalgia do ápice da radionovela”, comenta Bianca.

Paloma Bernardi faz vários papéis – um deles como Santina, filha de Vitória. A atriz adorou essa versatilidade, contando que foi um desafio transmitir a personalidade de cada personagem usando apenas os recursos vocais.

“Tentava me inspirar em imagens, posição corporal e outros macetes para modificar a voz e dar autenticidade a cada personagem. O projeto foi uma experiência inovadora pra mim. Radionovela é um dos alicerces da atuação, o berço dos folhetins. Fiquei muito feliz com o convite. Além de tudo, foi muito divertido, pois nas gravações havia uma fluidez que nunca experimentei antes”, conta Paloma.

Em 1992, Luís Antônio Pereira começou a escrever uma radionovela para a Rádio Nacional, mas o projeto não vingou. “Confesso: desta vez, escrevi bem rápido. Foi um processo muito gostoso, divertido. Os próprios atores comentaram que foi mais diversão que trabalho. É bacana a gente brincar com a linguagem, a gente mesmo se criticar. Audionovela permite ironias e elementos dramatúrgicos bem peculiares”, explica.

Cristina Albuquerque, gerente de conteúdo do Ubook, conta que há tempos a plataforma de streaming plenejava lançar uma audionovela. “O nosso foco é o audiolivro, oferecemos cerca de 15 mil títulos a nossos assinantes. A gente já estava de olho em novos conteúdos. É outro formato, uma aposta. Tomara que surjam mais produtos assim. Tem tudo pra dar certo, pois o brasileiro é apaixonado por novela”, diz.

Criado há pouco menos de quatro anos, o Ubook, cuja sede fica no Rio de Janeiro, conta com 2,5 milhões de usuários cadastrados que usufruem de audiolivros, revistas, audiocursos e podcasts, além da audionovela.

“O mercado ainda está em desenvolvimento, principalmente no Brasil, mas tem crescido em termos mundiais. Com a vida corrida e as pessoas sendo bombardeadas por tanta informação, muita gente procura outras opções de entretenimento. Um dos caminhos é o audiolivro”, defende Cristina Albuquerque.

PAIXÃO NACIONAL Surgida nos anos 1940, a radionovela foi o “berço” de importantes dramaturgos brasileiros – Dias Gomes, Janete Clair, Oduvaldo Vianna e Ivani Ribeiro, por exemplo.

Transmitida pela Rádio Nacional por três anos, a primeira radionovela do país estreou em 12 de julho de 1941, às 10h30. O texto de Em busca da felicidade, assinado por Gilberto Martins, era uma adaptação da trama do mexicano Leandro Blanco.

Em 1951, a Rádio Nacional começou a transmitir o maior fenômeno do gênero na América Latina: O direito de nascer. O texto do cubano Félix Caignet, adaptado por Eurico Silva, contava com Paulo Gracindo, Nélio Pinheiro, Talita de Miranda e Dulce Martins no elenco.

O direito de nascer foi uma grande surpresa. Críticos e especialistas defendiam que radioteatro era um gênero em decadência e acreditavam que o brasileiro não se interessava por longas tramas.

Depois de seu retumbante sucesso, a trama cubana ganhou várias adaptações na televisão. Em 1964, a produção da TV Tupi de São Paulo e TV Rio se tornou o primeiro clássico da teledramaturgia nacional. Dirigida por Lima Duarte e Henrique Martins, a novela reuniu em seu elenco Nathalia Timberg, Luis Gustavo, Amilton Fernandes, Rolando Boldrin, Maria Luiza Castelli e Oswaldo Loureiro.

A versão mais recente de O direito de nascer é de 1997, mas foi exibida apenas em 2001 pelo SBT/Alterosa, estrelada por Guilhermina Guinle, Ana Kutner, Elaine Cristina, Angelina Muniz, Esther Goes, Antônio Petrin e Fernando Alves Pinto. Atualmente, a novela é reprisada pelo canal a cabo TV Aparecida.

 

 

WOLVERINE

A Marvel também aderiu à onda de podcasts e acaba de lançar Wolverine The long night, série em dez episódios feita somente em áudio e que está disponível na plataforma Stitcher Premium. Mesmo com muitas cenas de ação, os produtores garantiram que é possível transmitir toda a emoção somente pelo som. O podcast foi escrito pelo autor de quadrinhos Ben Percy, escritor do Arqueiro verde, da DC. Richard Armitage, o Thorin da trilogia de filmes de O Hobbit, é quem faz a voz do mutante. O roteiro narra a história de uma série de assassinatos na cidade fictícia de Burns. Nela, os agentes Sally Pierce (Celia Keenan-Bolger) e Tad Marshall (Ato Essandoh) são escalados para investigar os crimes e, juntamente, com o delegado Bobby Reid (Andrew Keenan-Bolger) começam a seguir os passos de Logan (Richard Armitage), o principal suspeito.

 

 

 

 

EM CARTAZ
Os Bollagattos está disponível nos links: http://www.ubook.com/audiobook/500465/os-bollagattos-capitulo-1 http://blafm.com/

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