Candidatos à Câmara de Fomento à Cultura de BH explicam por que querem o cargo

Câmara irá avaliar projetos inscritos na lei municipal de incentivo. Eleição vai até dia 21

por Pedro Antunes/Estadão Conteúdo Mariana Peixoto 13/02/2018 10:00
Vai até 21 deste mês a votação on-line para a escolha dos representantes do setor cultural na Câmara de Fomento à Cultura Municipal.

Recém-criada pela Secretaria Municipal de Cultura, a câmara será a responsável pela seleção dos projetos viabilizados pela Lei Municipal de Incentivo à Cultura, função até então exercida pela Comissão Municipal de Incentivo à Cultura.


Para o edital em vigor, cujas inscrições terminaram em janeiro, a lei vai destinar R$ 20 milhões para a realização de projetos – R$ 12 milhões via renúncia fiscal e R$ 8 milhões para o Fundo Municipal de Cultura.

Na prática, a câmara e a antiga comissão não têm muitas diferenças. Ambas contam com membros da sociedade civil (escolhidos pelo já citado processo eleitoral) e representantes do poder público.

O número de pessoas responsáveis pela análise dos projetos, bem como pelo acompanhamento de cada processo, mudou. Na comissão, eram 12 integrantes (entre titulares e suplentes). Na câmara, esse número dobra – serão 24.

Outra diferença é que agora os avaliadores serão remunerados – R$ 35 por participação em cada sessão de julgamento e R$ 25 por processo em que atuar como relator de pareceres técnicos. A eleição valerá para o período 2018/2019.

Para votar, clique aqui. O eleitor deve fazer um cadastro.

O Estado de Minas procurou entrevistar todos os candidatos a integrar a câmara, que estabelece seis áreas de atuação – artes cênicas, artes visuais, audiovisual, literatura, música e patrimônio. A seguir, os candidatos para atuar nas áreas de literatura e música dizem por que decidiram participar e como pretendem atuar, caso sejam eleitos.

Há seis pessoas concorrendo nessas duas áreas. Todas receberam por e-mail as mesmas perguntas. Danúbia Lage de Sá e Guilherme Leite, ambos da área de literatura, não responderam ao Estado de Minas. E um deles, André da Silva Cunha, é candidato em duas áreas (o que é permitido): música e patrimônio.

Na edição de amanhã, você conhecerá as respostas dos demais candidatos que concordaram em responder por que querem ser representantes da sociedade civil na  Câmara de Fomento à Cultura Municipal.

André da Silva Cunha
(música e patrimônio)
Gestor de projetos sociais

Que critérios acredita que devam ser utilizados na avaliação dos projetos?
Os principais critérios deverão ser regidos via edital. A maior demanda está na ampliação do acesso para pessoas físicas e jurídicas. O intuito é a valorização cultural voltada para a transparência e para a maior participação social.

Você já teve projetos realizados com recursos da lei municipal?
Não.

Por que você se julga capacitado para exercer a função?
Estou diretamente voltado para a cultura popular de vilas e aglomerados em bairros onde o artista local investe seus próprios recursos para a realização de eventos culturais. Também acredito que a cultura eleva o conhecimento e ajuda na construção da identidade de um povo ou de uma nação.

A câmara será paritária. Que diferenças um representante da sociedade civil pode ter na avaliação de um projeto em relação a um representante do poder público?
A participação da sociedade contribui para o balanceamento das ações. Não acredito que os candidatos serão coniventes com ações distorcidas, pois a mesma tem esta responsabilidade do equilíbrio entre os representantes (da sociedade civil e do poder público).

José Alencar Mayrink
(literatura)
Editor

Que critérios acredita que devam ser utilizados na avaliação dos projetos?
O principal critério, que engloba todos os demais, é o interesse público. Afinal, são projetos financiados através de dinheiro público. Portanto, a aprovação de qualquer projeto deve ser norteada por dois quesitos: ser bom e ser necessário.

Você já teve projetos realizados com recursos da lei municipal?
Não.

Por que você se julga capacitado para exercer a função?
Após mais de 40 anos atuando na área da literatura, livro e leitura, acredito reunir os conhecimentos essenciais para um bom desempenho.

A câmara será paritária. Que diferenças um representante da sociedade civil pode ter na avaliação de um projeto em relação a um representante do poder público?
Nenhum, considerando que o foco é o projeto em si e a origem não deve interferir na avaliação.

Magno Córdova (música)
Pesquisador de música

Que critérios acredita que devam ser utilizados na avaliação dos projetos?
Considero fundamental avaliar as propostas a partir do que sugerem de diálogos estabelecidos com a memória da música local, como também a capacidade criativa dos proponentes e sua inserção na realidade coletiva local.

Você já teve projetos realizados com recursos da lei municipal?
Não.

Por que você se julga capacitado para exercer a função?
Acredito que minha experiência na pesquisa e na docência me capacitem. A essa formação se junta o interesse permanente pela música produzida na cidade.

A câmara será paritária. Que diferenças um representante da sociedade civil pode ter na avaliação de um projeto em relação a um representante do poder público?
O que pode substancialmente diferenciar entre um e outro é a possibilidade, por parte do representante da sociedade civil, de ampliar os espaços de valorização das manifestações do setor para além da perspectiva contemplada pelo Estado através do seu representante, o do poder público.

 Gustavo Abreu Reis
(música)
DJ, produtor e assessor
de comunicação

Que critérios acredita que devam ser utilizados na avaliação dos projetos?
Pluralidade, visão de longo prazo para a cidade e valorização de todas as vertentes da música produzida aqui. O principal, porém, é estar aberto para ouvir o que as cenas musicais desejam, qual a política planejada hoje para BH e o que a população de cada área da cidade imagina para ter por perto.

Você já teve projetos realizados com recursos da lei municipal?
Já trabalhei em vários projetos com recursos da lei municipal como artista, curador, produtor e assessor de comunicação, porém nunca como proponente.

Por que você se julga capacitado para exercer a função?
Fui curador de programas, festivais e projetos de música. Além disso, trabalhei em rádio por muitos anos, o que fez com que minha visão do que é produzido aqui na cidade se ampliasse.

A câmara será paritária. Que diferenças um representante da sociedade civil pode ter na avaliação de um projeto em relação a um representante do poder público?
Independentemente da origem do representante, a visão de duas pessoas sobre determinado cenário será diferente uma da outra – antagônica, complementar, parecida–; dificilmente igual. Isso abre espaço para discutir e definir com mais parâmetros algo para a cultura da cidade. Posso arriscar que o representante da sociedade civil tenha mais liberdade para atuar ou buscar uma visão que não esteja necessariamente ligada à política definida na hierarquia do poder público.

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