Presidente da EBC debocha de Taís Araújo e irrita entidades

Laerte Rímoli, gestor empossado por Michel Temer, usou um meme para ridicularizar relato sobre racismo e depois pediu desculpas

Diário de Pernambuco

- Foto: Facebook

O presidente da Empresa Brasileira de Comunicação (EBC), Laerte Rímoli, ridicularizou o discurso da atriz Taís Araújo sobre o racismo no Brasil. Em vídeo disseminado no Dia da Consciência Negra, na segunda-feira (20), ela havia afirmado "no Brasil, a cor do meu filho faz as pessoas mudarem de calçada" como forma de expor o preconceito existente no país.

 

O gestor emposssado por Michel Temer postou no Facebook um meme (montagem em formato de piada) com uma colagem da profissional da Globo com uma criança branca correndo em primeiro plano e a frase: "Quando você percebe que é o filho da Taís Araújo na calçada".

A postagem indignou entidades de defesa da igualdade racial. O Fórum Nacional pela Democratização (FNDC) anunciou a intenção de denunciar o gestor público pela ironia diante da manifestação antirracista. “Ele deveria zelar pelo fim de todas as formas de discriminação, pelo respeito à diversidade e aos direitos humanos”, afirmou a coordenadora do FNDC, Renata Mielli, em entrevista à Rede Brasil Atual. "Racismo já é crime. Agora, praticado por um gestor de empresa pública de comunicação é totalmente absurdo. Vamos exigir que medidas cabíveis sejam adotadas", completou.
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Ele usou o Facebook, nesta quarta-feira, para pedir desculpas à atriz pelo conteúdo da postagem. "Peço desculpas à atriz Taís Araújo e sua família por ter compartilhado um post inadequado em minha timeline", escreveu.

Laerte Rímoli foi empossado no cargo por Michel Temer depois de Dilma Rousseff ser derrubada da presidência. A mudança na empresa de comunicação só se tornou possível com uma manobra jurídica, porque o ex-presidente da instituição exonerado por Temer, Ricardo Melo, cumpria mandato e não podia ser exonerado - ele ganhou duas vezes na Justiça o direito de continuar no posto. O governo mudou a Lei 11.652/2008 e alterou o regime jurídico da empresa para permitir apear Ricardo e empossar Rímoli.

Rímoli não foi o único detentor de cargo púbico a ridicularizar a fala de Taís.

O secretário de Educação do Rio de Janeiro, Cesar Benjamim, classificou o depoimento dela como "idiotice racial".

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