Uai Entretenimento

João Anzanello Carrascoza lança 'Aos 7 e aos 40' em Belo Horizonte

Escritor paulista usa a fragmentação para narrar as memórias e a realidade do protagonista. Romance se desdobra em contos ou episódios, a gosto do leitor

Carolina Braga

João Anzanello Carrascoza abre a série Nova literatura brasileira, do projeto Sempre um papo - Foto: Renata Massetti/divulgaçãoAs referências vão de Graciliano Ramos a Julio Cortázar, passando por Gabriel García Márquez. Mesmo tendo tais figuras de peso da literatura como inspiração, o paulista João Anzanello Carrascoza é dono de um estilo singular. Nesta segunda-feira, 12, o contista estará em BH para lançar o livro 'Aos 7 e aos 40' (Cosac Naify), considerado o seu primeiro romance adulto.

Sem economizar ousadia na estrutura narrativa, o autor nos apresenta a vida do protagonista a partir de duas perspectivas: aos 7 anos e, logo depois, aos 40 – a chamada idade madura. “Na infância, há um encantamento, especialmente quando se está aprendendo a ler. Aos 40, o sujeito está mais desencantado, mas ainda existe a possibilidade de reencantamento. No romance, queria juntar esses dois lados da vida e também do meu trabalho literário”, comenta Carrascoza.

Temas como família, passado, infância, amor e morte vão e voltam ao longo das 160 páginas. Memória e realidade se encontram nas folhas verdes do livro, cujo projeto gráfico foi pensado para oferecer diferentes possibilidades de leitura, sobretudo a quem já se acostumou à hipertextualidade do mundo contemporâneo.

FRAGMENTAÇÃO

“Nas últimas décadas, fomos formando leitores capazes de entender romances fragmentados”, garante Carrascoza. Assim como em O jogo da amarelinha, de Cortázar, porém favorecido pela diagramação de Aos 7 e aos 40, o leitor escolhe de que modo deseja mergulhar na história. O autor pensou o romance como uma sucessão de quadros. Cada capítulo pode ser lido separadamente como conto, de forma linear e ainda em partes.

Se na infância as memórias surgem em blocos, na fase adulta o presente abre espaço para os “não ditos”. Lembrando o clássico Vidas secas, de Graciliano Ramos, Carrascoza diz ter buscado sentimentos para conectar as passagens vividas por seu protagonista. “Como é a descoberta do amor desse menino e como é a desse homem? São quadros de sentimentos a partir dos quais o leitor vai tendo a noção do todo. Claro que há vazios, mas aí fica por conta da vivência de cada um”, provoca.

LIRISMO

Cada capítulo é como um episódio – com começo, meio e fim. A prosa de Carrascoza é poética, com doses de lirismo na medida exata. “Gosto que tenha melodia, e não apenas a história em si”, diz. Por causa disso, tanto a estrutura quanto o ritmo do texto foram controlados. Na infância, a experiência é narrada, enquanto na fase adulta ela surge em diálogos.

João Anzanello Carrascoza é convidado da série Nova literatura brasileira, idealizada pelo projeto Sempre um papo. Até o fim do ano, 14 autores estarão em Belo Horizonte para conversar com o público sobre seu processo de criação e sua trajetória.

Os próximos encontros estão marcados para o dia 19, com a presença de Joca Reiners Terron, autor de A tristeza extraordinária do leopardo-das-neves (Companhia das Letras), e para o dia 26, com Sergio Alcides, autor de Píer (Editora 34).


JOÃO ANZANELLO CARRASCOZA
Segunda-feira, 12, às 19h30, lançamento do livro Aos 7 e aos 40. Sala Juvenal Dias do Palácio das Artes, Avenida Afonso Pena, 1.537, Centro. Informações: (31) 3261-1501. Entrada franca.