Cleyde Yáconis ajudou a fundar companhias e interpretou destacados papéis da dramaturgia brasileira

Reconhecimento da atriz, no entanto, veio com a televisão

por Ana Clara Brant 17/04/2013 08:53

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João Caldas/Divulgação
Em cena da peça 'O caminho para Meca', no teatro que foi batizado com seu nome (foto: João Caldas/Divulgação)
Foi enterrado nesta terça-feira, no distrito de Jordanésia, município de Cajamar (SP), o corpo da atriz Cleyde Yáconis. Ela morreu na segunda-feira, aos 89 anos, no Hospital Sírio Libanês, na capital paulista, onde estava internada desde outubro do ano passado. Cleyde foi casada com o ator Stênio Garcia durante 11 anos e não deixou filhos.

Durante muito tempo, Cleyde Yáconis ficou conhecida por ser irmã de uma das maiores atrizes brasileiras, Cacilda Becker. Foi Cacilda quem levou a caçula para a profissão, quando, em 1950, Cleyde foi trabalhar no Teatro Brasileiro de Comédia (TBC), onde substituiu Nydia Licia no papel de Rosa Gonzalez na peça 'O anjo de pedra', de Tennessee Williams. No ano seguinte, foi premiada como atriz-revelação do teatro paulista pelo espetáculo Ralé, de Máximo Gorki.

Em 1958, ao lado da irmã, do então cunhado Walmor Chagas – que morreu em janeiro deste ano – além de Ziembinski e Fredi Kleeman, fundou o Teatro Cacilda Becker, com a estreia de 'O santo e a porca', de Ariano Suassuna. Em 1965, depois de desligar-se do TBC, viveu a prostituta Geni de 'Toda nudez será castigada', a convite de Nelson Rodrigues.

Cleyde Yáconis tomou gosto pelo teatro, sua grande paixão, tendo participado de pelo menos 35 montagens no TBC, de 1950 a 1964. Mas seu talento e dedicação se fizeram presentes também no cinema, no qual estreou, em 1954, com 'Na senda do crime', de Flamínio Bollini Cerri. Ela ainda atuou nos filmes 'A madona de cedro' (1968), de Carlos Coimbra; 'Parada 88 – O limite de alerta' (1977), de José de Anchieta; 'Dora Doralina' (1982), de Perry Salles; e 'Jogo duro' (1985), de Ugo Giorgetti.

Alex Carvalho/Divulgação
Cleyde Yáconis em seu último papel na televisão, dona Brígida, em Passione (foto: Alex Carvalho/Divulgação)
No entanto, foi na televisão que a atriz, nascida em Pirassununga, interior de São Paulo, em 1923, ganhou reconhecimento e destaque junto ao público. O primeiro trabalho na telinha foi em 1966, com 'O amor tem cara de mulher', na extinta Tupi. Entre seus trabalhos na TV, destacam-se 'Mulheres de areia', 'Os inocentes', 'Gaivotas', 'Ninho da serpente', 'Rainha da sucata', 'Vamp', 'Sex appeal' – em que ela, curiosamente, fazia a esposa do seu ex-cunhado Walmor Chagas – e 'Torre de Babel'. O último papel foi a divertida e misteriosa dona Brígida Gouveia na novela 'Passione', de Sílvio de Abreu, exibida pela Globo em 2010.

Consagrada pelo meio teatral, em 2003 conquistou o Grande Prêmio da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) pelo conjunto da obra. Neste mesmo ano, recebeu o Prêmio Nacional Jorge Amado de Literatura e Arte do Governo da Bahia, ao qual se seguiriam outras premiações, como melhor atriz no teatro e no cinema. Em 2009, o antigo Teatro Cosipa Cultura, em São Paulo, passou a chamar-se Teatro Cleyde Yáconis, para lembrar a atriz que protagonizou a primeira peça montada na casa, O caminho para Meca.

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