Livro resgata trabalho de Vicente Rego Monteiro e detalha produção do artista plástico

Escrita pelo crítico Jacob Klintowitz, obra destaca a produção da década de 1960

por Walter Sebastião 10/04/2013 08:39

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Terra à Vista/Reprodução
'Burro de carga de telhas', do pintor Vicente Rego Monteiro, óleo sobre tela (foto: Terra à Vista/Reprodução)
“Vicente do Rego Monteiro é artista que inventa um mundo particular e não daqueles que revelam o mundo existente. Quando ele morreu, esse universo morreu com ele”, observa o crítico Jacob Klintowitz. Ele se refere a Vicente Rego Monteiro (1899-1970), cuja visualidade – figuras que parecem vindas de antigos relevos – extremamente pessoal, é conhecida até por ser um dos ícones do modernismo brasileiro.

 

“Sabemos bem da participação dele na Semana de Arte Moderna, falta conhecer melhor o que ele fez depois de 1922”, afirma o pesquisador. É exatamente esse último aspecto o tema do livro que vai ser lançado nesta quinta-feira, 11, a partir das 18h30, na Galeria de Arte Beatriz Ab-Acl.

“O livro é recuperação de artista extraordinário para colocá-lo no Olimpo da arte brasileira. Para mim, é um dos cinco artistas brasileiros do século 20”, afirma Jacob Klintowitz, colocando Vicente do Rego ao lado de Portinari, Di Cavalcanti, Guignard e Pancetti.

 

O desconhecimento da produção dos anos 1960, para o crítico, tem motivo: a longa permanência do artista na Europa, o que fez, quando de seu retorno ao país, que sua obra não fosse compreendida. “Artistas como Vicente Rego Monteiro não alteram, com o tempo, sua visão de mundo. O que se pode ver, nos anos 1960, é maior abertura para o colorido que surge impregnado de liberdade e sensualismo dos trópicos. É um período exuberante e tão importante quanto o realizado nos anos 1920”, garante.

Há, para Klintowitz, outro aspecto pouco compreendido na obra de Vicente Rego Monteiro, que é a dedicação a temas perenes do ser humano. “Como a criação do homem e a relação com o universo”, exemplifica. Com tom espiritual, transcendente e, especialmente, panteísta.

 

“Vicente não tem religião, tudo na terra para ele é sagrado, o que hoje é tema da ecologia”, explica. Para o pesquisador, é emblema da pintura do pernambucano um “Adão primitivo, cerâmico, marajoara”, mas sem particularismos. “Todo artista é histórico, no sentido que tem a sua época, obra que remete a seu tempo.”

O crítico vive e trabalha em São Paulo, tem 71 anos e 140 livros publicados. O último deles é 'Yutaka Toyota – A leveza da matéria', e o próximo vai ser dedicado a Antônio Peticov. “Tema recorrente nos meus livros é o aprendizado pessoal com a arte. Sempre estou procurando nela resposta para minhas indagações existenciais, basicamente quem somos e onde estamos”, conclui Jacob Klintowitz.

Vicente Rego Monteiro – Olhar sobre a década de 1960
Lançamento do livro de Jacob Klintowitz. Amanhã, das 18h30 às 23h, na Galeria de Arte Beatriz Abi-Acl, Rua Santa Catarina, 1.155, Lourdes, (31) 3291-2101.

SAIBA MAIS
Vicente Rego Monteiro

Vicente do Rego Monteiro (1899-1970) foi desenhista, escritor, jornalista, pintor e escultor. Iniciou os estudos em 1908, na Escola Nacional de Belas Artes (RJ), e, em 1911, frequentou academias na França. Participou do Salão dos Independentes e fez contato com os modernos de Paris (Modigliani, Léger, Braque e Miró entre outros). Voltou ao Rio em 1914, onde estudou a cerâmica marajoara no Museu Nacional. A primeira exposição é de 1918, no Recife, e dois anos depois, em São Paulo. Conheceu Di Cavalcanti, Anita Malfatti, Victor Brecheret. Mesmo voltando à França, deixa pinturas e aquarelas que foram expostas em 1922, durante a Semana de Arte Moderna. De volta ao Brasil, deu aulas de 1957 a 1966 na Universidade Federal de Pernambuco.

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