Leda Catunda abre mostra com obras inspiradas no universo dos esportes

A artista pesquisou o simbolismo esportivo em busca de novos significados estéticos e sociais. Trabalhos deixam de lado a paixão pelos clubes para explorar outras dimensões

por Sérgio Rodrigo Reis 06/03/2013 09:00

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Leandro Couri/EM/D.A Press
(foto: Leandro Couri/EM/D.A Press)
Na elaboração do novo conjunto de obras que a artista plástica Leda Catunda apresenta na exposição a ser inaugurada nesta quarta-feira, na Galeria Celma Albuquerque, ela mantém uma atitude antiga. Sai em busca de materiais comuns do cotidiano que contenham imagens, cores e texturas para realizar apropriações e espécie de “empréstimos” dos significados e simbolismos. Ao interferir nos materiais com pinturas e outras técnicas ela cria o repertório dos mais recentes trabalhos. Há outras motivações. 

Recentemente, depois de uma retrospectiva na Estação Pinacoteca em São Paulo, em 2009, resolveu ampliar a pesquisa, inspirando-se no universo dos esportes e naquilo que as pessoas usam. Na proposta, interessou-se, para além das imagens e das cores, nos textos com nomes dos times, números dos jogadores e também patrocinadores de toda ordem. A paixão, as regras, os hinos, as torcidas, tudo isso se somou ao repertório de significados que, pouco a pouco, incorporou ao processo de construção dos novos trabalhos.

Os bonés, a camiseta, o tênis, a toalha, o cobertor, a faixa, a sacola com a marca dos times ou do atleta de devoção, na apropriação de Leda Catunda, ganharam outros significados. O ponto de interesse da pesquisa deixou de lado o lugar apenas da torcida e da paixão, abrindo espaço para os questionamentos em torno da plasticidade, e da beleza e do design usado no universo esportivo. “Comecei a pensar nos significados e na importância desses símbolos que acabam ocupando o lugar do belo. As pessoas escolhem algo a ser usado e que tenha um significado, mesmo que seja horroroso”, observa. 

Da investigação das cores primárias fortes, do design pretensiosamente moderno, das marcas e dos nomes surgiram a série de 15 trabalhos em exposição na Celma Albuquerque. Algo que a atraiu foi a abstração das listras. “Flertei um pouco com a abstração e, imediatamente, aderi à simbologia dos times e depois aos símbolos”, conta. O resultado deu origem ao que chama de pinturas. “São, na realidade, pinturas recortadas num jeito de trabalhar que venho desenvolvendo desde os anos 1980, quando passei a criar estruturas. A feitura é bastante artesanal, passei a valorizar algo mais ligado à gambiarra brasileira, algo com estrutura poética e precária, ou vice-versa”, conclui. 


Leda Catunda
Exposição será aberta nesta quarta-feira, às 9h
Endereço: Rua Antônio de Albuquerque, 885, Savassi
Até dia 30. De segunda a sexta, das 9h às 19h; sábado, das 9h30 às 13h
Informações: (31) 3227-6494 e no site da galeria


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