Filha de Niemeyer é homenageada com mostra no Rio

Exposição Anna Maria Niemeyer, Um Caminho entra em cartaz a partir desta terça-feira, 11

por Agência Estado 11/12/2012 15:59

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A galerista Anna Niemeyer (d) ao lado do arquiteto Oscar Niemeyer e da esposa, Vera - pai e filha homenageados com mostra no Rio
Filha única do arquiteto Oscar Niemeyer (1907-2012), Anna Maria Niemeyer teve desde 1977 uma das mais importantes galerias do Rio, onde foi responsável por lançar artistas como o pintor Jorge Guinle (1947-1987) e outros criadores da Geração 80 e da década de 1990. "Seu gênio era forte, ela era muito irônica e engraçada, mas, ao mesmo tempo, extremamente afetuosa", conta Lauro Cavalcanti, diretor do Paço Imperial, que abriga a partir desta terça-feira, 11, no Rio, uma grande exposição em homenagem à galerista, morta em junho, aos 82 anos, meses antes de seu ilustre pai. "Anna Maria era muito ligada aos filhos e ao pai, mas numa dose adequada, sem que afetasse sua identidade própria com a arte", continua Cavalcanti sobre a marchande. Com a morte, na semana passada, de Oscar Niemeyer, a mostra Anna Maria Niemeyer, Um Caminho ficou, de fato, um pouco maior, com três salas dedicadas ao versátil arquiteto, que criou com a filha peças de mobiliário, por exemplo. O segmento dedicado aos dois, no segundo andar do Paço Imperial, apresenta também projetos arquitetônicos e de esculturas de Oscar Niemeyer, uma série de seus desenhos - com destaque para os de vertente política, como o de protesto à Guerra do Iraque e para o Movimento dos Sem-Terra - e serigrafias que o arquiteto produziu e que foram editadas pela galerista. "Mesmo antes da morte de Oscar Niemeyer queríamos ter o cuidado de não mostrar tanto material de família para que a homenagem a Anna Maria não se tornasse porta de entrada para a intimidade do arquiteto", conta o curador, que trouxe para a exposição algumas fotografias do pai e da filha. A relação de Anna Maria com o Paço Imperial - e com outro episódio ligado a Oscar Niemeyer - também se faz fundamental na mostra. Desde 1992, a galerista integrou o conselho da instituição, tendo papel especial "na mudança de patamar do centro cultural no início dos anos 90", afirma o diretor do Paço. Uma de suas iniciativas foi promover no local, entre dezembro de 1992 e fevereiro de 1993, a exposição A Caminho de Niterói, evento responsável por reunir obras da Coleção João Sattamini, "a melhor de arte contemporânea do Rio e que estava dispersa", diz Cavalcanti. O feito contribuiu não somente para que o acervo fosse doado ao Museu de Arte Contemporânea (MAC) de Niterói, uma das principais obras arquitetônicas de Oscar Niemeyer, como para a própria concretização do prédio, inaugurado em 1996. O gosto da galerista e sua relação com os artistas também se tornam objeto de grande destaque da mostra Anna Maria Niemeyer, Um Caminho, que apresenta 180 obras de 60 criadores. A maioria dos trabalhos presentes na exposição é da própria coleção da marchande, que foi colocada à venda em outubro em um grande leilão realizado no Rio. "Optamos por fazer a mostra depois deste evento, já que o Paço Imperial é uma instituição pública", afirma Cavalcanti. Há obras de acervos públicos também. Pela importância que tiveram na trajetória da galerista, alguns artistas ganharam salas especiais na mostra, como Jorge Guinle, que Anna Maria lançou em junho de 1980 sob muita desconfiança ("ela foi atacada nos jornais", diz o curador), Beatriz Milhazes Victor Arruda ("o mais próximo dela"), Jorge Duarte, Eliane Duarte e Efraim Almeida. ANNA MARIA NIEMEYER, UM CAMINHO Paço Imperial (Praça XV de Novembro 48, centro, Rio). Tel. (21) 2215-2622. 3ª a dom., 12h /18 h. Grátis. Abertura terça, às 18h30.

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