Diversidade marca os trabalhos de 26 ex-alunos do mestre Guignard, desafiados a mostrar como Belo Horizonte lhes parecia

Exposição ocupa atualmente a Galeria de Arte do BDMG

por Walter Sebastião 21/11/2012 10:53

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Museu Casa Guignard/Divulgação
Guignard nasceu no estado do Rio, deu aulas na capital mineira e se apaixonou por Ouro Preto (foto: Museu Casa Guignard/Divulgação )
 

Em 1996, para comemorar o centenário de nascimento do pintor Alberto da Veiga Guignard e a fundação de Belo Horizonte (em 1897), Marília Salgado, então diretora do BDMG Cultural, e a pintora Sara Ávila pediram a 26 ex-alunos do artista que criassem algo que mostrasse como viam a cidade. Os trabalhos foram expostos e, por iniciativa de Cyro Siqueira, então presidente do BDMG, adquiridos e doados à prefeitura. Abrigadas no Museu de Arte da Pampulha desde outubro, as obras foram transferidas para o Museu Histórico Abílio Barreto. A coleção está sendo agora apresentada em exposição na Galeria de Arte do BDMG, que comemora seus 50 anos.

 

“Uma constatação, quando apresentamos as obras pela primeira vez, foi a evidência de que, apesar de serem alunos do mesmo professor, ninguém se parecia com ninguém”, afirma Marília Salgado. “O que era muito revelador da atividade didática de Guignard: ele ensinava, mas deixava os alunos seguirem o caminho deles.” Ainda segundo ela, a transferência da coleção para o Abílio Barreto permite que sejam mais vistas. “É um museu dinâmico, com importante trabalho de informar o cidadão sobre a história dele, com acervo muito bem tratado.”

 

O respeito pela instituição – “que abraça a ideia de criar um museu da cidade de Belo Horizonte”, ressalta Marília Salgado – fez com que ela doasse para o local o acervo de seus pais, Lia e Clovís Salgado. Marília Salgado conta também que conheceu Guignard e o artista fez retrato dela, pintado em cerca de uma hora. O artista pegou a tela, fez fundo com aguada esverdeada e pintou sem interrupção. “Eu me senti honrada por ele dar atenção a uma menina de 13 anos”, observa. “Tinha total consciência da importância dele, pois meu pai já havia explicado quem era Guignard”, acrescenta. “Estranhei o resultado, mas ao chegar em casa com o quadro meu pai dizia que estava uma beleza. Uma predição para quando tivesse 25 anos.”

 

Guignard era homem algo infantil, simpático, reservado, muito elegante e conhecido pela bondade, continua Marília Salgado. “Se via um mendigo na rua, tirava o casaco e o dava de presente”, exemplifica Marília, lembrando ainda que comprar a vestimenta não era algo fácil para o artista. Devido ao lábio leporino, tinha a voz fanhosa, o que tornava difícil entender o que falava. “Quem imitava o jeito de Guignard falar, com perfeição, era o Petrônio Bax”, brinca. “Guignard foi um homem alegre, ingênuo, que tendia ao otimismo, à exaltação da beleza e do bem-estar que a arte traz”, conclui, observando que tais características também estão nas pinturas que ele realizou.

 

Ver e voltar a ver: a cidade dos alunos de mestre Guignard Galeria de Arte do BDMG Cultural (Rua Bernardo Guimarães, 1.600, Lourdes). Diariamente, das 10h às 18h. Até 30 de dezembro. Informações: (31) 3219-8382.

 

História da moda

 

Marília Salgado é a coordenadora do Centro de Referência da Moda, que passa a funcionar no Centro de Cultura Belo Horizonte. A primeira exposição, A fala das roupas, será aberta ao público hoje, com fotos e objetos que cobrem do fim do século 19 aos anos 1980, desde vestidos de gala, fraques e lingeries a extravagantes chapéus, trousses e luvas. Um dos destaques é um robe du jour (vestido do dia) de 1873. Ou ainda uma caixa de mascate de joias e bijuterias. “A moda sempre foi importante em Belo Horizonte. Logo que a cidade foi criada, chegaram modistas, alfaiates, já que as pessoas tinham preocupação de se vestir bem”, conta Marília Salgado. “A proposta é ser espaço que congrega todos que estudam e trabalham com moda. Só estudantes são 1.500, nas diversas escolas, sem contar com as confecções, os estilistas. A criação do centro é o começo de novos tempos para a moda em Minas.”

 

A fala das roupas Centro de Cultura Belo Horizonte (Rua da Bahia, 1.149, Centro). De segunda a sexta-feira, das 10h às 18h. Entrada franca. Até 30 de dezembro. Informações: (31) 3277-4384.



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