Ao sabor das lembranças: Zuenir Ventura lança novo romance em Belo Horizonte

Jornalista lança Sagrada família, narrativa passada nos anos 1940 na Região Serrana do Rio que mistura memória e ficção

por Carlos Herculano Lopes 13/08/2012 09:56

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

CORREÇÃO:

Preencha todos os campos.
Bel Pedrosa/Divulgação
Autor de reportagens históricas, Zuenir Ventura mergulha na ficção em seu novo livro (foto: Bel Pedrosa/Divulgação )
 
Como Minhas histórias dos outros, que reúne artigos e reportagens, também no romance Sagrada família, que o escritor e jornalista Zuenir Ventura lança nesta segunda-feira, 13, em Belo Horizonte, há muitos ingredientes autobiográficos. Numa linguagem limpa, meio nostálgica, o autor, na pele do garoto Manuéu, volta aos anos de 1940, quando ia passar férias em casa de parentes na fictícia Florida, na Região Serrana do Rio. Ali a sua inocência – devido a alguns fatos inusitados que começam a ocorrer – vai sendo aos poucos perdida. 

Uma das responsáveis por essa guinada na vida do menino é tia Nonoca, viúva sacudida, que costuma levá-lo como companhia a uma farmácia, onde se desenrolam situações que vão além de meras consultas e injeções. Tudo isso num Brasil às voltas com a Segunda Guerra Mundial, da qual acaba participando com o envio de tropas para Itália. Outro personagem marcante é Douglas, que protagonizará fatos que irão mexer com a estrutura da família. Tem ainda as filhas de Nonoca, Cotinha e Leninha, que sonham descobrir um amor de verdade. 

Mineiro de Além Paraíba, na Zona da Mata, Zuenir Ventura conta que para escrever o romance, além de se valer da memória, fez algumas pesquisas de época. Elas incluíram entrevistas e a leitura de jornais e revistas. Mas ficou só aí. Remexer o passado, segundo ele, nem sempre é uma tarefa agradável. “Mesmo porque costuma despertar as memórias involuntárias, ou seja, aquelas que se metem onde não são chamadas”, pondera. Por essas e outras, para não comprar briga com ninguém nem criar problemas dentro da própria família, o autor acabou fantasiando muita coisa, trocando nomes das pessoas e inventando situações. 

Hipocrisia
De acordo com Zuenir, que vive no Rio de Janeiro há muitas décadas, os anos de 1940, durante os quais se passa a maior parte das histórias narradas em Sagrada família, ainda são pouco estudados do ponto de vista do comportamento. “Foi uma época de muito recato e pudor, mas também de muita hipocrisia. Mais importante do que ser era parecer. Os preconceitos, estigmas e tabus, tanto sexuais quanto morais e sentimentais, comandavam a conduta dos membros de uma família. Uma mulher separada ou desquitada era ‘uma perdida’”. 

O escritor não acha que esses tabus tenham desaparecido totalmente da nossa sociedade, mas o país avançou muito do ponto de vista institucional e comportamental. “Fico cheio de esperança, pensando que, quem sabe, isso vai acabar. Os armários já foram destrancados”, diz. Como bom contador de histórias, Zuenir acabou misturando tudo no livro, a ponto de não distinguir uma coisa da outra. “Até as recordações reais, com o tempo, também vão mudando. Diria que o ponto de partida de Sagrada família  é real. Mas o resultado, de tão modificado, se torna ficção”, completa. 
 
Fato e ficção
Zuenir Ventura é um dos mais conhecidos e respeitados jornalistas brasileiros. Repórter e editor de várias publicações, é autor de reportagens que deram origem a livros que são modelo de jornalismo literário no Brasil, como 1968 – O ano que não terminou, Cidade partida e Chico Mendes: crime e castigo. Antes de Sagrada família, namorou com a ficção em Inveja, mal secreto. 
 
Lançamento do livro de Zuenir Ventura, no projeto Sempre um Papo, segunda-feira, 13, às 19h30, no Espaço Multiuso do Sesc Palladium, Avenida Augusto de Lima, 420, 4º andar, Centro. Entrada franca. Informações: (31)3261-1501. 
 



VÍDEOS RECOMENDADOS

MAIS SOBRE E-MAIS