Mostra em Porto Alegre apresenta outra face de Iberê Camargo

Obras mais suaves do artistas são apresentadas em exposição

por Walter Sebastião 04/07/2012 10:08

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Fábio Del Re/divulgação
Trabalho de Iberê Camargo, cujas obras estão expostas em Porto Alegre (foto: Fábio Del Re/divulgação)
Leva o nome de O “outro” na pintura de Iberê Camargo mostra importante em cartaz na Fundação Iberê Camargo, em Porto Alegre (RS). Apresenta paisagens do Bairro de Santa Teresa, no Rio de Janeiro, onde o artista se instalou a partir de 1950, depois de voltar da Europa, onde estudou com De Chirico e André Lhote. Há também naturezas-mortas realizadas quando o pintor, devido a problemas na coluna, teve de ficar em casa.
 
Maria Alice Milliet, curadora da exposição, chama a atenção para a palheta suave, “como se banhada pela luz crepuscular da tarde”. Visualidade distinta das imagens vibrantes, nervosas e “até agressivas” que Iberê realizou mais tarde.
 
“As pinturas revelam momento introspectivo, quase meditativo, de obras mais calculadas quanto à composição e à cor, quando Iberê Camargo exercita o que aprendeu na Europa em busca de um caminho pessoal”, explica Maria Alice.
Estão naquelas imagens os carretéis de linha, tema recorrente na pintura e no imaginário do artista. Eles remetem a objetos que Iberê, menino de família pobre, ganhou da mãe costureira para brincar. “O que detona toda uma relação com a imagem materna”, observa a curadora.
 
Desdobrados em outros trabalhos, os carretéis originaram telas gestuais e abstrações que deram ao artista o prêmio de melhor pintor na Bienal de São Paulo de 1961.
 
“Iberê Camargo é um pintor que se entrega completamente ao ofício. Ele tem relação visceral com tintas e telas, sua obra passa isso”, acrescenta Maria Alice. Observando-se atentamente as telas, pode-se ver que elas são produto de horas e horas de dedicação. “É um pintor maior, páreo para qualquer artista estrangeiro. Iberê deixou obra coerente. Não foi atrás de modismos, mas de si mesmo”, conclui a curadora.
 
A Fundação Iberê Camargo funciona na Avenida Padre Cacique, 2.000, em Porto Alegre. A exposição ficará em cartaz até março. No mesmo local estão as mostras Tomie Othake – pinturas cegas e Ione Saldanha: o tempo e a cor.


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