Profissionais da mágica buscam maior espaço para seu trabalho e lutam para dissociá-lo do circo

De sexta a domingo, Belo Horizonte sedia evento, que terá lugar no Teatro Izabela Hendrix

por Thaís Pacheco 25/05/2012 11:28

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Gustavo Roscoe/Divulgação
Aos 31 anos, George Rubadel trabalha como mágico há 12 (foto: Gustavo Roscoe/Divulgação)
O primeiro registro de alguém fazendo magia data do Antigo Egito. O Papiro de Westcard, hoje exposto no Berlin State Museum, Alemanha, é de aproximadamente 2000 a.C, época do faraó Khufu (Keops).
Nele está relatado o primeiro truque que se documentou. O mágico era Dedi e ele arrancava a cabeça de uma galinha, colocava de volta e a ave saía andando. Hoje, 4 mil anos depois, ainda é possível assistir aos mágicos fazerem o mesmo com pombos.
Ainda antes de Cristo, há cerca de 1 mil anos, países como China e Índia também passaram a consumir magia. Não em seu primeiro sentido, de sobrenatural, mas como entretenimento.
Porém, quando a Congregação da Sacra, Romana e Universal Inquisição do Santo Ofício resolveu agir, os tempos não foram muito bons para os mágicos. Naquele momento, na Europa, foi declarada guerra a eles, com o objetivo de colocar fim à magia.
Para tentar resolver o problema, um livro foi lançado. “No século 16, foi publicado The discovery of the witchtrap, o primeiro livro explicando truques de mágica, mostrando que não era bruxaria. Mesmo assim, vários exemplares foram queimados. Sobraram pouquíssimos no mundo”, ensina o mágico de BH George Rubadel. Um deles está no mesmo museu do papiro.
E olha que, já naquela época, a maioria dos mágicos eram homens. Até hoje, são poucas as mulheres que exercem a profissão. A brincadeira nos bastidores é de que elas não exercem o ofício por não saber guardar segredo. “Mas é só brincadeira. Na verdade, existem mágicas muito boas. Mas são minoria sim e ninguém sabe por quê”, afirma Rubadel, que, aos 31 anos, exerce a profissão há 12.
No Brasil Atualmente, na  Europa e na América do Norte, a mágica é realmente tratada como arte cênica, movimentando o show business, aparecendo em programas de TV e espetáculos da Broadway.
No Brasil, não é claro o motivo – talvez uma questão cultural –, a mágica não tem o mesmo lugar. Ocupa espaço em festas infantis e é intimamente ligada ao circo. Motivo não há. Um bom mágico, além de criar ilusões, como qualquer outro artista é um produtor de entretenimento. É alguém que domina o palco e a plateia, e outras áreas como a música, a atuação e o malabarismo.
“Aqui, no país, tentamos quebrar esse paradigma todos os dias. Ficamos superfelizes quando uma empresa nos chama para uma convenção, por exemplo”, diz Rubadel. Ele garante que isso não significa desprezar festas infantis. Conta que os dois filhos são sustentados por essa prática, mas, ainda assim, gostaria de ver a mágica num lugar de mais destaque. “Um dia, não quero mais fazer festa de criança. Quero montar um espetáculo teatral e viajar com ele”, planeja o mágico.
De acordo com ele, uma das alternativas para tentar mudar a situação é por meio de projetos aprovados em leis de incentivo. Mas, os que inscreveu na lei municipal, em BH não conseguiu aprovar.
A Fundação Municipal de Cultura informa que apoia e incentiva espetáculos teatrais de mágica e gostaria de conceder o benefício financeiro. O problema, de acordo com o chefe do Departamento de Fomento e Incentivo à Cultura, Cleidisson Dornelas, é a baixa demanda. Numa breve busca pela palavra-chave “mágico” entre os projetos apresentados à lei, foram encontrados apenas nove. Isso, entre 1995 e 2011. Número pequeno se considerarmos que só em 2011 foram 987 projetos inscritos.
“Temos um carinho especial por esse trabalho, mas o mágico é mais encontrado nos projetos de circo, nos quais tem mais aceitação e repercussão. A fundação reconhece a mágica como arte, entretenimento, atividade criativa e lúdica. Mas a demanda ainda não é expressiva. A lei municipal reflete a produção cultural da cidade. O que tem mais impacto no município tem mais apelo na lei”, afirma Cleidisson. 
Um apelo Ele vê a mágica ganhando cda vez mais espaço e espera poder aprovar mais projetos na área. Para isso, faz um apelo: que os mágicos tentem integrar o Conselho Municipal de Cultura, para que possam representar a categoria. “Isso pode nos ajudar a desvincular o circo apenas das artes circenses, valorizar a cadeia produtiva, nossos artistas de talento e criar espetáculos de qualidade para um público que valorize esse trabalho”, sugere Cleidisson. 
 
Análise da notícia 
 
Festival, umbom começo 
Festival de mágica
Hoje e amanhã, às 21h; domingo, às 19h, no Teatro Izabela Hendrix, Rua da Bahia, 2.020, Lourdes. Ingressos: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia-entrada), à venda antecipadamente nas unidades do Restaurante Xico da Carne e na bilheteria do teatro, caso os ingressos não se 
esgotem. Informações: (31) 9217-6240.


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