Grupo Galpão conquista mais uma vez o público inglês com sua montagem de Romeu e Julieta

Falado em português e com várias referências à cultura mineira, espetáculo encantou a plateia

por Carolina Braga 24/05/2012 10:23

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João Santos/Divulgação
(foto: João Santos/Divulgação)
“O Galpão fez mais sucesso que o jubileu da rainha”, brincou o estudante de teatro Carlos Caetano. Ele viajou de Coimbra, em Portugal, para a terra da rainha Elizabeth só para ver as apresentações da trupe mineira no Globe Theater. Como já era esperado, a passagem de Romeu e Julieta do Galpão por Londres foi histórica.
“A frase que mais ouvimos foi: ‘I didn’t understand a word, but it’s wonderful’ (não entendi uma palavra, mas é maravilhoso)”, contou Antônio Edson, o intérprete do próprio bardo inglês na montagem, dirigida por Gabriel Villela. Até a dama do teatro londrino Judy Dench parece ter marcado presença na plateia dos mineiros. “Disseram-me que ela estava lá”, informa o ator, o primeiro a retornar ao Brasil depois da temporada na Inglaterra. 
O Grupo Galpão foi a única companhia brasileira convidada a se apresentar no festival, que reúne todas as peças escritas por Shakespeare. O evento, que continua até 9 de junho, engrossa a programação cultural realizada como aquecimento para os Jogos Olímpicos, marcados para julho. Foram três sessões de Romeu e Julieta, todas em português e lotadas. 
“Por várias vezes o público interrompia o espetáculo para aplaudir”, lembrou a médica Maria Augusta Gomes Pereira. Como esteve presente em todas as sessões, pôde constatar que a língua, de fato, não foi barreira para que o público captasse a emoção da peça. “Fiquei bem próxima do palco e pude observar quem se acomodava nos balcões do teatro. Todo mundo aplaudiu de pé. Na saída, vi muita gente cantarolando sem saber a letra. Também vi gente chorando e rindo muito”, lembra. 
“No primeiro dia estávamos visivelmente emocionados. O grupo inteiro. Tem sido assim desde os primeiros ensaios com a presença do Gabriel. Ele renovou em nós os princípios do trabalho, o que norteou a concepção e toda a valorização da poesia que nos acompanha. Essa ode à poesia é algo cada vez mais raro”, observa Antônio Edson. 
Ainda que desconhecidos da maior parte do público inglês, o assédio aos atores no final das sessões chamou a atenção de Maria Augusta. “A Teuda (Bara) fez muito sucesso. Apesar de todos serem abordados, ela foi a mais procurada. Todo mundo queria tirar foto com ela”, disse. O estudante de artes cênicas da UFMG Carlos Caetano foi um dos que fizeram questão de registrar o momento ao lado da atriz. 
Intercambista da Universidade de Coimbra, Caetano viajou para Londres exclusivamente para estar na plateia do Galpão. “Fui sozinho, sem falar inglês direito, quase perdi o voo, dormi no aeroporto quase todas as noites, fiquei três dias sem tomar banho, mas consegui realizar meu sonho como ator. Acho que terei muita história para contar quando voltar para o Brasil!”, disse.
Rede e praça Mas quem ficou no Brasil não deixou de acompanhar os passos do grupo na terra de Shakespeare. A página do Facebook do grupo foi constantemente abastecida com fotos de bastidores e vídeos das sessões. O casal Luiza e Paulo Lemos esteve atento a cada novidade postada. “Desde que eles chegaram a Londres temos acompanhado. Somos entusiasmados com o trabalho”, elogia Paulo. 
Apesar de não ter sido a primeira peça do Grupo Galpão, Romeu e Julieta é a montagem que representa o divisor de águas na trajetória da companhia. Depois da estreia em Ouro Preto, em 1992, até 2002 a peça se manteve no repertório e já havia sido apresentada no Globe Theater em 2004. A remontagem que esteve em cartaz em Londres é totalmente fiel à original. “É incrível como o espetáculo é poderoso. Acho que a peça conquista por ter um ponto de vista inesperado do texto”, analisa Antônio Edson. 
Extremamente poética, com várias referências à cultura mineira, um aspecto que chama a atenção na peça é o vigor físico que exige dos atores. Reinterpretá-la 10 anos depois cobrou dos artistas um cuidado especial com o corpo. “Se por um lado não temos mais o vigor da juventude de priscas eras, ganhamos em experiência. Buscamos essa compensação na forma de dar o texto, com um pouco mais de calma e serenidade, o que fez muito bem ao espetáculo e a todos nós”, comentou Antônio Edson. 
A próxima apresentação de Romeu e Julieta será em Belo Horizonte, em 9 de junho, na abertura do Festival Internacional de Teatro Palco e Rua de Belo Horizonte. Assim como em 1992, a reestreia também será na Praça do Papa. “Sabemos que será uma multidão, mas estaremos lá. Vamos aproveitar e levar uma neta de 15 anos”, planeja Paulo Lemos. 
 
ROMEU E JULIETA NO FIT 
 
•A montagem do Galpão para o texto de Shakespeare é clássico inquestionável do teatro brasileiro. Quem ainda não viu, terá a chance durante o Festival Internacional de Teatro Palco e Rua de Belo Horizonte, FIT-BH. Serão cinco apresentações, todas com entrada franca. 
Praça do Papa
9 de junho, às 19h
10 de junho, às 16h
Parque Estrela Dalva
16 de junho, às 16h
Parque Ecológico da Pampulha
23 de junho, às 16h
24 de junho, às 16h Veja vídeo da apresentação do Grupo Galpão em Londres:


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