Christian Boltanski abre 1ª mostra individual no País

Exposição do artista francês intitulada Chance será inaugurada no Rio de Janeiro

por Agência Estado 16/05/2012 15:04

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Reprodução / Angelika Platen
(foto: Reprodução / Angelika Platen)

Questões como identidade, destino e acaso são a matéria-prima de Christian Boltanski, figura central da arte francesa e referência incontestável da produção contemporânea, que inaugura na quinta-feira, 16, para convidados, no Rio de Janeiro, sua primeira mostra individual no País. Intitulada Chance, a exposição traz quatro obras interconectadas, três das quais ocuparam com destaque o pavilhão da França ano passado na 54.ª Bienal de Veneza. "Uma questão que sempre me perseguiu foi a de por que existo", analisa Boltanski, tentando definir o que constitui a essência de sua investigação desde os anos 60 e que continua sendo o cerne de sua reflexão, plástica e poética.

Ao visitar, a partir de sexta, o espaço da Casa França-Brasil, o espectador se verá diante de uma grande engrenagem, que, segundo seu autor, remete às antigas rotativas de jornal, na qual se movimentam retratos anônimos de bebês. De tempos em tempos, uma sirene toca, o sistema para e uma das imagens, aleatoriamente eleita pelo computador, é projetada numa grande tela, expondo metaforicamente o caráter imponderável da existência humana. Roda da Fortuna, como diz o próprio título, propõe uma visão terrivelmente concreta daquilo que se pode chamar de sorte. Ou azar.

Complementando essa grande instalação, outros três trabalhos se debruçam sobre a mesma questão. Um deles expõe visualmente - em grande telas de projeção - dados reais sobre o número de nascimentos e mortes no mundo. Podemos ser um pouco otimistas, ele ironiza, já que no mundo de hoje nascem seis pessoas por segundo, enquanto morrem quatro. Ser de Novo é uma espécie de caça-níquel em que milhares de rostos de crianças e velhos se mesclam reafirmando que todos nós somos como quebra-cabeças, uma soma daqueles que nos precederam.

Em sua versão veneziana, Ser de Novo premiava o visitante que conseguisse paralisar o mecanismo no momento certo e remontar uma fisionomia completa. Um deles conseguiu a façanha, cuja probabilidade é de uma em 20 mil. E finalmente uma montagem em que vemos o rosto do artista se metamorfosear, da infância aos dias de hoje. Apesar de revisitar a sua infância e a dos outros com frequência, ele recusa aí qualquer relação doce ou nostálgica com essa fase da vida. "Trata-se apenas da primeira parte de nós que morre, sempre", diz.

"Não sou um artista intelectual, falo de assuntos que interessam a todo mundo", afirma Boltanski, cuja obra cirúrgica, ao mesmo tempo terrível e esperançosa, pôde ser poucas vezes vista no Brasil, apesar de exercer grande fascínio. Ele se lembra que mostrou seu trabalho na 18.ª Bienal de São Paulo. E indagado o porquê de tão poucas exibições, atribuiu isso à falta de oportunidades. Quanto à repercussão mesmo a distância, afirma que isso é a "beleza da arte": "Falamos da nossa própria aldeia e ao mesmo tempo conseguimos algo coletivo e universal."

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