Galpão anuncia novidades nas comemorações de seus 30 anos

Aniversário inclui festival em Londres, DVDs e livro e recuperação do acervo

por Thaís Pacheco 09/05/2012 09:25

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Guto Muniz/Divulgação
Romeu e Julieta será levada a um encontro cênico dedicado a Shakespeare na Inglaterra, dias 19 e 20 (foto: Guto Muniz/Divulgação)
 
“Grupo Galpão 30 anos, teatro e vida.” O slogan, que promove as comemorações das três décadas da companhia, celebradas com diversas apresentações e lançamentos, surgiu de um questionário realizado entre os integrantes da trupe, para descobrir qual era sua “autoimagem”. Cinco palavras levaram à conclusão: popular, artesenal, experimental e lúdico. “O teatro está ligado à nossa vida e à sociedade em que a gente vive, por isso teatro e vida”, justifica Eduardo Moreira.
 
Em coletiva de imprensa realizada nesta terça-feira, na sede do grupo, no Bairro Horto, os atores lembraram os primeiros passos. “Imagine se, no começo, procurássemos um consultor para perguntar sobre nossa ideia. Íamos explicar que, em pleno 1982, com o general Figueiredo no poder, queríamos montar um grupo de teatro de rua e sair por aí de perna de pau. O que ele iria dizer?”, satiriza Chico Pelúcio.
Resistência Por certo, o tal consultor não aprovaria a ideia. Tampouco imaginaria que, 30 anos depois, o Galpão abriria essa comemoração interpretando Romeu e Julieta no Globe Theater em Londres, representando o Brasil e a língua portuguesa. E que essa seria a segunda vez que o grupo o faria. A apresentação está na programação do Globe to globe, evento que começou em 21 de abril e vai até 9 de junho, com a montagem das 37 peças que William Shakespeare escreveu, cada uma representando um país e um idioma.
Depois da passagem por Londres, em 19 e 20 deste mês, o espetáculo vai voltar ao Brasil para participar de uma mostra de quatro espetáculos do Galpão, também celebrando os 30 anos. Começa em Belo Horizonte, em 9 de junho, na Praça do Papa, como espetáculo de abertura do FIT (Festival Internacional de Teatro Palco e Rua de Belo Horizonte). Até 1º de julho, BH vai assistir a Romeu e Julieta, Tio Vânia, Till, a saga de um heroi torto e Eclipse. Depois, a mostra segue para São Paulo e Rio de Janeiro.
A escolha dos quatro espetáculos não foi aleatória. “Eles trazem elementos muito pertinentes à nossa história. Romeu e Julieta traduz a capacidade de manter o repertório. Till é um espetáculo de rua e dirigido internamente. Tio Vânia e Eclipse deveriam estar porque são mais novos, têm parceria com um diretor internacional (o russo Jurij Alschitz) e faz a abordagem de um novo tipo de clássico, que o Galpão não tinha”, explica Lydia Del Picchia. De acordo com a atriz, essa seleção traduz a diversidade e inquietude do grupo.
Vídeo e livro Além dos espetáculos, o Galpão reforça a importância da memória do grupo e, por isso, lança uma série de produtos. Para começar, 3 DVDs, dos espetáculos Till a saga de um heroi torto, Pequenos milagres e Um Molière imaginário. Além deles, um documentário registrando a viagem de Till… ao Chile, onde o grupo teve de interpretar em espanhol, e seis curtas baseados em contos de Anton Tchéckhov.
Saindo do audiovisual e entrando nos livros, já foi fechada parceria com a Editora Autêntica para lançar os textos de Tio Vânia e Eclipse e, ainda em fase de produção, está uma nova edição dos Diários de montagem, para registrar os bastidores da produção dos espetáculos do grupo.
Por fim, outra boa notícia é da premiação Pontos de Memória 2011, do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram). O resultado é o Ateliê Aberto, em que figurinos de A rua da amargura, Partido e O inspetor geral serão recuperados, com portas abertas à visitação no Centro Cultural da UFMG (Av. Santos Dumont, 174, Centro), a partir do dia 14.
Mágico de OZ
Além de fazer teatro, o Galpão se preocupa em registrar, pesquisar e documentar, investindo em formação e diálogo com audiovisual. Esse trabalho exige investimento. Os seis curtas que estão sendo produzidos, por exemplo, contaram com apoio do “mágico de OZ” – “orçamento zero”, brinca a atriz Inês Peixoto. Os volumes escritos por Eduardo Moreira, no Diários de montagem ainda não têm patrocínio. O apoio da Petrobrás, que há 10 anos era de R$ 3 milhões anuais, caiu para R$ 1,5 milhão. Em troca, a empresa aceitou retirar o contrato de exclusividade. São diversos projetos, em variadas áreas, que aguardam por recurso financeiro. Muitos deles já elaborados ou prontos. 


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