Balanço dos 11 dias do Festival de Teatro de Curitiba destaca a busca por montagens ousadas

Mineiros ganharam mostra especial

por Carolina Braga 09/04/2012 10:51

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Bruno Tetto/Divulgação
Em Júlia os atores dividem a cena com o diretor de fotografia, que filma e exibe o espetáculo (foto: Bruno Tetto/Divulgação)
Curitiba – Considerado o maior evento do gênero no Brasil, o Festival de Teatro de Curitiba termina sua 21ª edição sem revelar novos talentos ou apontar tendências na cena. O que emergiu do caldeirão com 394 espetáculos apresentados durante 11 dias foram a força do coletivo, no caso da mostra paralela; e o desejo do risco, na programação oficial. Os espetáculos selecionados pela curadoria revelaram, mesmo que de forma discreta, haver uma busca pelo diferente na cena brasileira. O público chegou a 180 mil pessoas. Especialmente em seu último fim de semana, o festival destacou trabalhos que têm pesquisas de linguagem envolvidas em seus processos de criação, como Júlia, de Christiane Jatahy, e O jardim, da Cia. Hiato, dirigida por Leonardo Moreira. O jardim é peça que fala de família e memória. O tema é comum, mas narrado a partir da perspectiva de três gerações, em 1938, 1979 e 2012. A plateia, dividida em três partes, acompanha a trama não necessariamente na ordem cronológica. O cenário é composto por caixas de papelão. Dali saem objetos e lembranças contadas pelos talentosos atores Aline Filócomo, Fernanda Stefanski, Luciana Paes, Mariah Amélia Farah, Paula Picarelli, Thiago Amaral e Edison Simão. É uma peça de teatro, mas poderia perfeitamente ser um filme e até mesmo uma novela ou seriado de TV. Essas fronteiras também interessam à pesquisa da diretora carioca Christiane Jatahy e estão claras na cena que ela propõe. Em Júlia, ela faz uma adaptação contemporânea do texto Senhorita Júlia, escrito em 1888 por August Strindberg. O cinema e o teatro se complementam durante os 70 minutos da montagem. Os atores Júlia Bernat e Rodrigo dos Santos dividem o palco com o diretor de fotografia David Pacheco, que filma o espetáculo e o exibe em telões. Da safra apresentada na segunda metade do Festival de Teatro de Curitiba, Júlia, O jardim e Estamira, com a atriz Dani Barros, são espetáculos que merecem – e muito – circular todo o país. Belo Horizonte não pode ficar de fora.
Annelize Tozzeto/Divulgação
O jardim separa a plateia em três grupos, que acompanham diferentes tempos da história (foto: Annelize Tozzeto/Divulgação)
Fringe
Criadas como alternativa para “salvar” o Fringe, as mostras especiais serão mantidas na programação em 2013. “É o caminho natural. Há 15 anos o Fringe começou, com sete peças, e hoje tem mais de 300. Esse volume fez com que a coisa ficasse amorfa, sem cara. A divisão deu mais clareza para o público”, garante o diretor-geral do festival, Leandro Knopfholz. O recorte Grupos de BH – Teatro para ver de perto, com curadoria de Chico Pelúcio e Leonardo Lessa, do Galpão Cine Horto, e Na companhia de ..., organizada pela paranaense Cia. Brasileira de Teatro, foram os destaques da programação paralela. “Nossa avaliação é positiva. Percebemos que direcionou um pouco o olhar do espectador e da mídia para uma coisa bem conceituada”, comenta Chico Pelúcio. Ao reconhecer a estru\tura caótica e inflada do Fringe, há dois anos, Márcio Abreu, diretor da Cia. Brasileira de Teatro, decidiu também se envolver no processo de reestruturação da mostra. Para ele, o formato dos festivais no Brasil precisa ser repensado. “Há uma tendência em cima de que tudo seja episódico e descartável. Mas o movimento artístico tem cada vez mais a ver com continuidade, expansão, permeabilidade e democracia. É essa a verdade”, defende o diretor. Enquanto isso.. FIT VEM AÍ Está prometida para este mês a divulgação da programação do Festival Internacional de Teatro Palco e Rua de BH, o FIT. Christiane Jatahy e Leonardo Moreira enviaram o material de Júlia e de O jardim, mas ainda não tiveram retorno. “Estamos aguardando”, confirma a produtora carioca Cláudia Marques. Por outro lado, montagens como Luis Antônio – Gabriela, da Cia. Manguzá de Teatro, e O idiota – Uma novela teatral (detalhe: com sete horas de duração), dirigido por Cibele Forjaz, deram como certa a participação no evento mineiro. * A repórter viajou a convite do festival.

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