Burlantins prepara musical Oratório - A saga de Dom Quixote e Sancho Pança

Adaptação de Eid Ribeiro para o clássico de Cervantes é estrelado por Maurício Tizumba e Sérgio Pererê

por Ailton Magioli 06/04/2012 08:18

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Beto Magalhaes/EM/D.A Press
Maurício Tizumba, com o cavaquinho, e Sérgio Pererê, com a rabeca, em ensaio com o elenco do novo espetáculo da Cia. Burlantins (foto: Beto Magalhaes/EM/D.A Press)
Especializada em musicais, que cativa com mestria, a Cia. Burlantins resolveu radicalizar, levando a adaptação de um clássico para as ruas. Com estreia programada para 10 de maio, na porta do Centro de Arte Suspensa e Armatrux (Casa), de Nova Lima, na Região Metropolitana, Oratório – A saga de Dom Quixote e Sancho Pança é uma adaptação de Eid Ribeiro, inspirada no original de Miguel de Cervantes, na qual Sérgio Pererê (o cavaleiro Quixote) e Maurício Tizumba (o seu fiel escudeiro Sancho) prometem resgatar as aventuras da dupla, no que ela tem de mais emocionante e divertido. Assumidamente influenciados pelo que há de mais popular e – por que não? – de brasileiro na trama e nos personagens, sob a direção de Paula Manata, Pererê e Tizumba estão pesquisando personalidades nacionais como o profeta carioca Gentileza e o cangaceiro pernambucano Lampião para descobrir o que cada qual tem de quixotesco. Afinal, a exemplo das criações de Cervantes, tanto o cangaceiro quanto o profeta acreditavam em mudança e que também estavam fazendo o bem para a humanidade.  “Queremos passar também um pouco da importância do livro, até para discutir o que é a leitura”, avisa a diretora, que volta a trabalhar com a Burlantins, depois A zeropeia, de 2007, e O negro, a flor e o rosário, de 2008. No repertório da companhia estão ainda os sucessos A sombra do sucesso (2001), O homem que sabia português (1998) e O homem da gravata florida (1997). Ex-companheiras de Tizumba no elenco da Burlantins, as cantoras-atrizes Marina Machado e Regina Souza, no momento, trilham carreira musical solo, ambas preparando novos discos, e não participam da montagem. A ideia, segundo a diretora, é levar o espetáculo para a rua e espaços alternativos, além dos próprios teatros. Antes da estreia na Casa, Paula Manata promete fazer uma residência no próprio grupo que integra (o Armatrux), para dar um olhar dele à montagem. Afinal, a ideia de adaptar Dom Quixote para os palcos atrai a atriz-diretora desde 1992. Levada a Maurício Tizumba, a proposta ganhou corpo imediatamente, com o ator pensando em Sérgio Pererê para protagonizar o espetáculo ao seu lado. “Vi que Pererê e eu tínhamos as características da psique de cada um”, recorda Tizumba, salientando também que, como pensou em um musical, imediatamente lembrou da capacidade do companheiro de cena para compor. Loucura Cantor e compositor do grupo Tambolelê, que deixou há mais de um ano, Sérgio Pererê havia feito com o próprio Tizumba o também musical Besouro cordão de ouro. “Como já havia tido contato direto com a questão da loucura (ele teve um irmão esquizofrênico) e, ao mesmo tempo, com a coisa da composição, de posse do roteiro de Eid Ribeiro passei a pensar em músicas que trouxessem traços da personalidade dos personagens”, relata Pererê. “Dom Quixote é ao mesmo tempo, um visionário, um louco e um vidente”, observa o ator-cantor, destacando ainda o cunho político do personagem que está vivendo. Para Maurício Tizumba, tanto ele quanto Sancho Pança, que vai interpretar no espetáculo, têm “sal na moleira”. “Ele é meio lerdão, acredita em tudo”, diz. “O importante para a gente é a música na rua, primando pela qualidade”, repara Tizumba, destacando a presença no elenco dos músicos-atores Alysson Salvador, Daniel Guedes e Everton Coroné, que irão incorporar vários personagens, além da atriz-cantora Josi Lopes, na pele da camponesa Dulcinéa. Com trilha sonora original composta por Sérgio Pererê, sob a direção musical de Maurício Tizumba o público irá entrar em contato com ritmos variados como xote, blues, maracatu, guarânia e a própria música flamenca. Em cena, dois violões, percussão e acordeom, além de instrumentos como rabeca, charango e cavaquinho.

 

Imagens Além da presença de elenco essencialmente negro, que contribui para Eid Ribeiro esperar por uma montagem diferenciada do clássico de Miguel de Cervantes, o autor do roteiro diz que, por se tratar de um espetáculo feito para as ruas, ele e Paula Manata também pensaram em algo mais imagético. Para tanto, a diretora convocou o diretor de clipes e desenhista Conrado Almada e o cenógrafo Dudu Félix, que se responsabilizarão pela concepção estética e pelos bonecos (jumento e cavalo) do espetáculo, além de Maria Luiza Magalhães (assistente de Freuza Zechmaister) e Janaína Castro, ambas do grupo Corpo, que irão criar os figurinos de Oratório – A saga de Dom Quixote e Sancho Pança.

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