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DE VOLTA

Pai de Britney Spears, seu ex e a mídia 'apanham' em filme sobre a cantora

Criticado por suas atitudes após o término do namoro com a cantora, em 2002, época do registro acima, Justin Timberlake se desculpou publicamente neste mês - Foto: TOM MIHALEK/AFP
Entre momentos de estrelato máximo e crises graves, Britney Spears não costuma passar muito tempo fora dos principais holofotes midiáticos do mundo, desde que iniciou sua carreira, no fim dos anos 1990. Em meados do ano passado, a cantora chegou a figurar brevemente no topo de algumas paradas de sucesso com o single “Mood ring”, faixa-bônus de seu último álbum até o momento, “Glory”, lançado em 2016. 



Mas foi o lançamento do documentário “Framing Britney Spears”, produzido pelo diário "The New York Times" e lançado no último dia 5 no canal FX e na plataforma Hulu, que trouxe a artista de 39 anos de volta para o centro das atenções.

O filme é dirigido pela jornalista  Samantha Stark e produzido por Jason Stallman, Sam Dolnick e Stephanie Priess. Em pouco mais de uma hora, o documentário recapitula os altos e baixos da vida da superestrela do pop, mas com um enfoque especial ao fato de ela estar submetida, desde 2008, a uma rigorosa tutela de seu pai, Jamie Spears. 

Ouvindo profissionais ligados à indústria fonográfica, críticos de música e pessoas que foram próximas da cantora ao longo de sua carreira,  “Framing Britney Spears” rememora sua ascensão precoce à fama. 



Para isso, o roteiro volta até a infância humilde de Britney, com sua família em Kentwood (Louisiana), quando seu talento vocal foi descoberto no coro da igreja. O sucesso e o reinado no pop vêm no começo dos anos 2000, quando, embalada pelos álbuns “Baby one more time” (1999) e “Oops...! I did it again” (2000), ela se tornou uma das artistas mais vendidas do mundo e também alvo de uma sufocante obsessão midiática. 

Assista ao trailer: 



Colapso em 2007 e perseguições 

O filme relembra a grave crise pessoal vivida por Spears em 2007, quando viralizou a  imagem da cantora raspando sua cabeça em público, no auge dos problemas psicológicos que enfrentava. A perseguição por paparazzi e suas tentativas de escapar desse assédio também são temas do longa.

O documentário pontua ainda que o colapso nervoso da artista foi não apenas naturalizado, como alvo de deboche, ao incluir cenas como a de um concurso televisivo nos EUA em que a pergunta “Cite algo que Britney Spears perdeu” tinha como alternativas de resposta “cabelo” e “sanidade”, provocando gargalhadas no público. 



"Framing Britney Spears" ressalta a gravidade desse tratamento e chama a atenção para o sexismo presente no assédio midiático que levou Britney ao colapso. O filme defende que o tratamento dado a ela, rotulada como "louca", a ponto de um tribunal nomear alguém (no caso, seu pai) para gerenciar suas finanças e sua vida, não seria dispensado a um homem. 

A exploração da imagem sexualizada de Britney também ganha espaço, quando o filme lembra também que a cantora ouvia perguntas sobre ter um namorado desde a infância, além de outras abordagens inadequadas sob esse viés. 

Justin Timberlake pede desculpas 

Nesse contexto, o astro Justin Timberlake, namorado de Britney entre 1999 e 2002, também é citado. O filme relembra que, após o término da relação, foi noticiado que Britney teria sido infiel, com base em entrevistas que ele deu e pelo videoclipe de sua música "Cry me a river", que contava uma história de traição e era estrelado por uma mulher com aparência semelhante à de Britney. 



A intensa repercussão do documentário nos Estados Unidos motivou algumas autocríticas, entre elas a de Timberlake, que passou a ser intensamente criticado por suas atitudes em relação a Britney e também por não ter defendido Janet Jackson no episódio em que ela foi execrada publicamente por ter involuntariamente exibido o seio durante um show no intervalo do Super Bowl. Timberlake dividiu o palco com Janet na apresentação e não saiu em sua defesa na ocasião. 

Agora, o cantor e ator se manifestou em sua conta no Instagram, pedindo desculpas por seu comportamento e reconhecendo ter falhado. “Lamento profundamente pelas vezes na minha vida em que minhas ações contribuíram para o problema, quando falei demais ou quando não falei em favor do que era certo. Entendo que fiquei aquém nesses momentos, e em muitos outros, e me beneficiei de um sistema conivente com misoginia e racismo. Quero pedir desculpas, especificamente, para Britney Spears e Janet Jackson, porque eu me importo com essas mulheres e as respeito, e sei que falhei. Sinto que preciso falar isso, porque todo mundo envolvido nessas histórias merece algo melhor”, escreveu.

Em entrevista à rede britânica BBC, a diretora do filme revelou que não tinha certeza se a cantora sequer sabia que um documentário sobre ela estava sendo produzido, tamanho é o controle ao qual ela é submetida pelo pai. Samantha Stark disse que várias tentativas de entrar em contato com Britney falharam, descrevendo-as como "dolorosas".



Embora já houvesse um movimento de fãs em apoio à tentativa da cantora de se liberar desse controle, chamado #FreeBritney, nas últimas duas semanas a comoção em torno da causa aumentou. O tema está sendo discutido na Justiça, depois que Britney fez um pedido pela revisão dos termos da tutoria concedida ao seu pai.

Na esteira do crescente interesse pela situação de Britney Spears, a Netflix também deve lançar, em breve, um documentário sobre a artista. Sem confirmação oficial da empresa de streaming, a informação foi dada pela agência Bloomberg, adiantando ainda que a produção era planejada antes do lançamento de “Framing Britney Spears”, e a direção seria de Erin Lee Carr, responsável por “How to fix a drug scandal”, também da Netflix.
 

Batalha judicial

Contudo,  Britney, que é mãe de dois meninos, segue sob o regime de tutela imposto pela família. Apesar da luta da cantora e depois de sucessivas negativas recebidas por ela nos últimos anos, a Justiça norte-americana decidiu, em 12 de fevereiro último, que o pai de Britney, Jamie Spears, continuará controlando o patrimônio da filha. Foi mantida uma decisão anterior, que determina o fundo fiduciário privado Bessemer Trust como corresponsável pela tutela dos bens da cantora, ao lado do pai, de maneira igualitária. 



A revista Forbes publicou nessa sexta-feira (19/2) uma análise apontando que a fortuna estimada em US$ 60 milhões de Britney Spears é “incrivelmente pequena, comparada a outras estrelas pop”. 

A publicação mostra que contemporâneas de Britney, como Jessica Simpson e Jennifer Lopez, acumulam bens na casa dos US$ 100 milhões. Menos da metade do patrimônio líquido de estrelas mais jovens, como Taylor Swift, Beyoncé e Rihanna, a mais rica do estudo, com bens estimados na casa dos US$ 600 milhões. Curiosamente, o estudo também levanta quanto cada uma já faturou em turnês ao longo da carreira, e Britney está à frente de Rihanna.