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Time de diretores e atrizes famosos dirige curtas sobre a quarentena

O italiano Paolo Sorrentino encena um hipotético diálogo entre o papa Francisco e a rainha Elizabeth - Foto:

Com uma reserva de produções inéditas gravadas com antecedência, a Netflix continua lançando conteúdos inéditos, como se a pandemia não tivesse paralisado grande parte da indústria do entretenimento.


Ainda que tenha sido obrigada a adiar as novas temporadas das séries Stranger things e Lucifer, a plataforma de streaming desfila, semanalmente, a chegada de conteúdos produzidos quando a ideia de uma epidemia de uma doença letal se espalhando pelo planeta era mero roteiro de ficção científica. Feito em casa foge a essa regra.

Como resposta aos dias atuais, em que o isolamento social é necessário para evitar a disseminação do novo coronavírus, a série foi 100% filmada sem sair de casa, como seu título sugere. A proposta também é pouco usual: trata-se de uma antologia de curtas-metragens, ou seja, todos os episódios são sobre o mesmo tema (a quarentena), mas com histórias independentes, que não precisam ser assistidas em ordem para fazer sentido.

Outro fator que salta aos olhos são os nomes por trás da produção. Com uma duração entre quatro a 11 e  minutos, os 17 curtas dessa primeira leva foram feitos por artistas famosos procedentes de diversos cantos do mundo. A lista vai de vencedores do Oscar, como o italiano Paolo Sorrentino, a atrizes consagradas, como Kristen Stewart e Maggie Gyllenhaal.



O projeto foi idealizado pelo diretor chileno Pablo Larraín em conjunto com seu irmão, Juan de Dios. A produtora dos dois, a Fabula, se uniu à italiana The Apartment Pictures e, junto à Netflix, coordenou todas as produções remotamente.

“Feito em casa é sobre adversidade e sobre como somos todos de diferentes países, culturas e circunstâncias, mas, em razão de um momento único da humanidade, compartilhamos circunstâncias muito semelhantes em contextos diferentes'', disse Larraín à revista norte-americana Variety. O cineasta também assina um dos curtas do projeto.

- Foto: Mubi/Divulgação

CELULAR


Para realizarem as produções, os diretores foram instruídos a utilizar somente os equipamentos e objetos disponíveis em casa. Nos créditos finais dos episódios, a maioria revela que o processo de filmagem foi feito com um celular.



O formato, no entanto, não impediu que alguns fossem além dos limites de suas casas. O francês Ladj Ly, premiado em Cannes e indicado ao Oscar de filme estrangeiro por Os miseráveis (2019), usa um drone para mostrar a rotina de Seine Saint-Denis, uma região próxima a Paris que foi fortemente afetada pelo novo coronavírus.

Paolo Sorrentino, vencedor do Oscar de filme estrangeiro em 2014 por A grande beleza, produziu um curta no qual se dá uma conversa hipotética e cheia de ironia entre dois bonecos que representam o papa Francisco e a rainha Elizabeth II.

Em seu episódio, Rachel Morrison, diretora de fotografia de Pantera negra (2018), revela uma comovente carta escrita para seu filho de 5 anos, Wiley, e fala sobre como as crianças estão enxergando o contexto atual e como a pandemia será lembrada pela próxima geração.



Já a cineasta britânica de origem indiana Gurinder Chadha, responsável pelo filme A música da minha vida (2019), mesclou gravações caseiras com imagens de seu arquivo pessoal para mostrar como cada membro de sua família, com rotinas muito diversas, teve de se adaptar ao confinamento.

Conhecida por ter estrelado a saga Crepúsculo, Kristen Stewart tem se revelado uma profissional bastante versátil, principalmente em produções independentes, como Acima das nuvens (2015), Personal shopper (2016) e Lizzie (2018).

O curta que a atriz dirige para Feito em casa conta a história de uma jovem atordoada pela insônia. Essa não é sua primeira experiência atrás das câmeras. Em 2017, Kristen escreveu e dirigiu o curta Come swim, exibido no Festival de Cinema de Sundance do mesmo ano.



HÁBITOS


Outra atriz que assina um trabalho na série é Maggie Gyllenhaal. No curta estrelado por seu marido, o ator Peter Sarsgaard , ela conta a história de um homem que se isola na tentativa de se proteger de um vírus misterioso, mas sem abrir mão de alguns hábitos da rotina de antes.

Vencedora do Globo de Ouro como atriz pela minissérie The honourable woman (2014), Maggie estreará como diretora de longas com a adaptação cinematográfica do livro História da menina perdida, da best-seller italiana Elena Ferrante, ainda sem data de estreia definida.

Lançado como “volume 1”, ainda não se sabe se a série terá um novo conjunto de curtas. A depender do avanço da pandemia, é possível imaginar que uma segunda quarentena possa motivar novos episódios. E quem sabe até incluir diretores de países onde o confinamento não tem sido levado tão a sério, como o Brasil.



Feito em casa também foi um modo que a plataforma de streaming encontrou de ajudar profissionais do audiovisual afetados pela falta de trabalho na quarentena. Junto ao lançamento, a empresa garantiu que fará doações para fundos que atuam em prol dos profissionais da indústria do audiovisual, afetados pela paralisação das atividades.

FEITO EM CASA
. A série, em 17 episódios,está disponível na Netflix

O DEVER CHAMA
Originalmente marcadas para começar em abril, as filmagens do novo projeto do diretor espanhol Pedro Almodóvar começaram na última quinta-feira (16). O curta-metragem La voz humana, uma livre adaptação do célebre monólogo escrito pelo pensador francês Jean Cocteau (1889-1963), contará com a presença de Tilda Swinton. Na imagem divulgada nas redes sociais, o cineasta aparece ao lado da atriz, ambos protegidos por máscaras e viseiras.

Ainda sem data de estreia, o projeto será o primeiro da carreira de Almodóvar em língua inglesa. Seu longa-metragem mais recente, Dor e glória (2019), concorreu ao Oscar de filme estrangeiro neste ano – o vencedor da categoria foi o sul-coreano Parasita, eleito também melhor filme.




A MENINA DOS OLHOS
Luca Guadagnino, conhecido pelos longas Me chame pelo seu nome (2017) e Suspiria (2018), apostou recentemente no formato média-metragem. O italiano narra nos 37 minutos de The staggering girl (foto) a história de Francesca (Julianne Moore), uma escritora ítalo-americana que vive em Nova York e retorna a Roma para rever a mãe idosa.

O filme estreou oficialmente no Festival de Cannes do ano passado e reúne um time gabaritado por trás das câmeras. Pierpaolo Piccioli, diretor criativo da Valentino, assina o figurino. Ryuchi Sakamoto, vencedor do Oscar por O último imperador (1987), foi o responsável pela trilha sonora. E Sayombhu Mukdeeprom é o diretor de fotografia. O curta está disponível para streaming na plataforma MUBI.