Filme de Gus Van Sant dribla clichês para abordar a trajetória de um artista

Joaquin Phoenix interpreta o cartunista John Callahan em A pé ele não vai longe

por Mariana Peixoto 27/12/2018 08:20
Scott Patrick Green/divulgação
(foto: Scott Patrick Green/divulgação)


“Ainda me reservo o direito de ser politicamente incorreto, mas não vou sair do meu caminho para ofender as pessoas”, disse certa vez o cartunista norte-americano John Callahan (1951-2010). Doenças e deficiências eram alguns dos temas que mais apareciam em seus cartuns, sempre com humor ácido e traços um tanto infantis – algo incômodo para boa parte dos leitores.

Callahan era tetraplégico. Perdeu a mobilidade aos 21 anos, após um grave acidente de carro. Alcoólatra, estava completamente fora de si na noite que mudou sua vida. A pé ele não vai longe, filme de Gus Van Sant que estreia nesta quinta-feira (27), no Ponteio 3, recupera essa trajetória.

SEM VÍTIMA
Como em toda a obra do diretor (Milk, Garotos de programa, Elefante), não há espaço para sentimentalismos. O cineasta apresenta a história de uma vida com mais baixos do que altos sem vitimizar seu personagem – o que já é um ponto positivo, pois outro poderia transformar a narrativa em um dramalhão.

O filme só existe, vale dizer, graças a Robin Williams (1951-2014). O ator havia adquirido os direitos de adaptação da biografia de Callahan, Don’t worry, he won’t get far on foot (título original do filme). Depois de trabalhar com Van Sant em Gênio indomável (1997), que lhe deu um Oscar de ator coadjuvante, Williams o convidou para dirigir a adaptação. A intenção dele era interpretar Callahan. O filme seria também uma homenagem ao seu amigo Christopher Reeve (1952-2004), que perdeu os movimentos após uma queda de cavalo.

Van Sant, que rodou alguns de seus filmes em Portland, Oregon (também a cidade de Callahan), conhecia o trabalho do cartunista. Mas o projeto não saiu do papel. Somente depois da morte de Williams o cineasta resolveu retomar o projeto.

Van Sant recupera a história de Callahan sem qualquer julgamento de caráter. Interpretado com parcimônia por Joaquin Phoenix, o filme vai e volta no tempo, em uma montagem não linear. Acompanhamos a vida um tanto sem sentido do personagem, que bebia do acordar ao dormir, até que um acidente irresponsável o tirou de cena.

ÁLCOOL
A paralisia não é o principal problema de Callahan, mas o alcoolismo. Mesmo na cadeira de rodas, o personagem não larga o álcool. É por meio de um grupo de apoio que ele consegue deixar o vício e começa a desenhar.

Coadjuvantes de peso dão graça à narrativa. Jonah Hill faz o papel do padrinho de Callahan no AA, Donny, um “messias” com voz calma e frases de autoajuda. A cantora Beth Ditto, da banda Gossip, interpreta uma das companheiras de AA. Em pequena participação, Jack Black emociona como o alcoólatra cheio de culpa, na parte final da narrativa.

Entremeando as idas e vindas do roteiro estão desenhos animados de Callahan, que sempre fogem do politicamente correto. Ainda que a biografia tenha sido o ponto de partida, Van Sant tomou liberdades, fazendo com que A pé ele não vai longe saia da seara das cinebiografias.

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