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Com atitudes controversas e motivado por um episódio pessoal – e não pelo desejo de justiça –, O Doutrinador não assume o posto de salvador da pátria, afirma Gustavo Bonafé. “Mesmo no filme, ele não é visto dessa forma, já que os personagens negam as atitudes dele”, observa o diretor. Ainda assim, o cineasta entende como oportuno o adiamento da estreia do longa, que só ocorre agora, depois do segundo turno das eleições presidenciais. “Não lançá-lo durante o período eleitoral afastou a possibilidade de o filme ser veiculado a um candidato ou outro”, afirma.
REALISTA
O longa de Gustavo Bonafé e os quadrinhos de Luciano Cunha mantêm a pegada realista. São histórias de ação protagonizadas por um anti-herói, que fogem do universo extremamente fantasioso. “O filme é menos realista do que a obra original”, define Bonafé.
“Criamos uma cidade fictícia, com todo o trabalho da direção de arte e da fotografia, com luzes coloridas e muito néon, para o personagem se inserir em seu próprio universo de forma mais orgânica. Se o trouxéssemos para o mundo real, talvez o espectador tivesse dificuldade em comprar a ideia”, explica o cineasta.
Bonafé quer mostrar ao público que o cinema brasileiro é capaz de produzir filmes inspirados em HQs de ação, como ocorre com blockbusters da Marvel e da DC Comics. “Foi desafiador dirigir um projeto tão ousado com a ambição de lançar um filme de gênero tão diferente do que tem sido feito no Brasil. A ideia é que O Doutrinador possa abrir portas e estimular esse mercado. Por algum tempo, nosso cinema produziu muita comédia, sem espaço para ação e terror, entre outros estilos”, opina.
O universo dos quadrinhos está presente no longa por meio da personagem Nina (Tainá Medina), uma hacker black bloc. Ela trabalha em uma loja de HQs e se torna braço direito do protagonista. O elenco conta ainda com Natália Lage, Helena Ranaldi, Tuca Andrada, Samuel de Assis e Carlos Betão, entre outros. Em pequena participação, Marília Gabriela empresta garbo à sua Marta Regina, ministra do Supremo Tribunal Federal.
INIMIGO
Também estão em cena integrantes de bancadas religiosas e famílias que fazem da política seu ganha-pão por várias gerações. O Doutrinador oferece um retrato da cena política brasileira, mas sem referência direta a figuras públicas – apesar de algumas semelhanças. “O herói tem este inimigo comum a toda a sociedade brasileira: a corrupção. E em todas as esferas, não só a política”, observa Bonafé.
No ato final, o longa se volta para o espectador, questionando desvios éticos que se manifestam no dia a dia de cada cidadão. “É um convite à reflexão, válido para todos nós, mais que uma crítica à sociedade. O inimigo existe, mas é preciso olhar também para si mesmo, para o quanto somos responsáveis por esse inimigo”, diz o cineasta.
Em vez do habitual “fim”, o longa se encerra com a promessa de uma série, que será exibida pelo canal Space em 2019. As gravações ocorreram paralelamente às do filme, mas o diretor esclarece que não se trata de continuação.
“A série vai se aprofundar na história, com caminhos diferentes e várias surpresas. A espinha dorsal é a mesma, mas envolve novos personagens, além de desenvolver melhor outros que já estão no filme, embora sem o mesmo destaque”, conclui Gustavo Bonafé.