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Clássico do terror, 'Halloween' é sequência direta do original de 1978

 

 


Das 20 maiores bilheterias do cinema norte-americano em 2017, 18 foram sequências, remakes ou histórias de terror. Diante desse cenário, não surpreende que a mais recente versão de Halloween, lançada na semana passada nos EUA, tenha conquistado o primeiro lugar nas bilheterias do país e se tornado o segundo lançamento mais rentável da história num “mês das bruxas” – perdendo apenas para Venon, outra estreia deste mês de outubro. A trama, que chega nesta quinta (25) às salas brasileiras é a 11ª do psicopata Michael Myers e sua máscara, reunindo estruturas já vistas pelos fãs em outros filmes e algumas novidades.

O lançamento desconsidera todos os nove longas anteriores. Ou seja, é uma sequência direta do original, de 1978, inclusive respeitando o intervalo cronológico de quatro décadas entre os acontecimentos. Sem mostrar a face em nenhuma cena, Nick Castle reinterpreta Myers pela primeira vez desde então, mas o protagonismo fica com Jamie Lee Curtis, que retorna como Laurie Strode para enfrentar novamente o assassino.

A ex-babá, aterrorizada pelo vilão na noite do Dia das Bruxas de 1978, passou todo esse tempo atormentada pelas memórias da violência e se preparando para reencontrá-lo. Isso incluiu intenso treinamento de tiros e a transformação de sua própria casa em um bunker com volumoso arsenal de armas para se defender de Myers. Porém, esse comportamento custou a Laurie a relação com a filha Karen (Judy Greer). Afastada da mãe desde a infância, Karen tenta ter uma vida normal ao lado do marido e da filha, bem longe da paranoia de Laurie.

HOSPITAL Michael, por sua vez, passou o hiato temporal confinado em um hospital psiquiátrico, sem nunca dizer uma só palavra.
Objeto de filmagem de uma equipe de documentaristas ingleses que levam a clássica máscara ao pequeno vilarejo de Haddonfield, na esperança de arrancar uma declaração, ele escapa novamente, enquanto era transferido para outro centro de detenção, às vésperas do halloween.

A partir daí, o que se vê em cena é uma série de elementos já conhecidos do primeiro filme. Enquanto a cidade curte alegremente os festejos da data, Michael prossegue com sua sina de maldade e violência em direção à família Strode, fazendo outras vítimas. Se Laurie não é mais a jovem babá inocente de antes, sua neta Allyson (Andi Matichak), que saiu para aproveitar o Dia das Bruxas com o namorado, é quem entra na rota do assassino, junto com seus amigos.

Até a forma com que algumas mortes ocorre é emprestada do primeiro filme. O médico que cuida de Michael, fascinado por suas perturbações, Dr. Strain (Haluk Bilginer), é chamado por Laurie de “o novo Dr. Loomis”. A trilha sonora original de John Carpenter, criador da franquia, também está presente.
A maior diferença é a própria protagonista, determinada e encorajada a enfrentar e se vingar de seu agressor.


 

A direção e o roteiro desta vez ficaram com David Gordon Green. Em entrevista ao portal norte-americano de games e entretenimento Polygon, ele disse que procurou referências não só no primeiro filme, mas também nos eventos de Halloween 2 – O pesadelo continua, de 1981. “Há uma alusão em um momento. Depois, nós preenchemos a busca daquela noite um pouco mais graficamente. Essa sequência mostra que estamos honrando a meticulosidade do filme original e, de certa forma, nos separamos do Halloween 2 e vamos além.”

Com uma curta filmografia, mais voltada para outros estilos, incluindo a comédia Sua Alteza? (2011) e o drama O que te faz mais forte (2017), Green contou com a produção de Jason Blum, da Blumhouse Productions, para atingir seus objetivos. O grupo é responsável por alguns dos maiores sucessos recentes no gênero terror, como Atividade paranormal (2007), Uma noite de crime (2013) e Corra! (2017), Oscar de melhor roteiro.

Realizado com um orçamento de US$ 10 milhões, valor baixo se comparado à maioria dos campeões de bilheteria de Hollywood, o filme arrecadou US$ 77 milhões nos EUA apenas em sua primeira semana em cartaz. Em seu perfil no Twitter, Jamie Lee Curtis celebrou o sucesso prematuro do longa. “Vamos para o post de ostentação: maior estreia de um filme de terror protagonizado por uma mulher.

Melhor abertura (bilheteria no fim de semana de lançamento) de um filme com protagonista feminina acima dos 55. Segunda melhor estreia de outubro de todos os tempos. Maior abertura de toda a franquia Halloween”, escreveu.

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