Mineiros conquistam tricampeonato no Festival de Brasília

Longa e curta do estado ganharam o troféu Candango de melhor filme

por Pablo Pires Fernandes 23/09/2018 22:30
Thiago Macedo Correia/Divulgação
A atriz Grace Passô no filme 'Temporada', de André Novais: melhor atriz e melhor filme (foto: Thiago Macedo Correia/Divulgação)

A 51ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro terminou em clima de festa e premiação, com destaque para o longa-metragem mineiro Temporada, de André Novais de Oliveira. A produção da Filmes de Plástico, de Contagem, conquistou quatro troféus Candango: melhor longa-metragem, melhor atriz, para Grace Passô, ator-coadjuvante, para Russo BDR, fotografia (Wilsa Esser) e direção de arte.

Foi o terceiro ano consecutivo que um filme mineiro vence a competitiva de longa-metragem. Em 2016, A cidade onde envelheço, de Marília Rocha, conquistou o prêmio de melhor longa, direção e atriz, dividido entre Elisabete Francisca e Francisca Manuel. No ano passado, o vencedor foi Arábia, de Affonso Uchoa e João Dumans, roteirista de A cidade onde envelheço.

Entre os curtas-metragens, o documentário Conte isso àquelas que dizem que fomos derrotados, dirigido coletivamente pelos mineiros Aiano Bemfica, Camila Bastos, Cristiano Araújo e pelo pernambucano Pedro Maia de Brito, foi escolhido como melhor filme e venceu ainda na categoria de melhor som. O curta foi gravado em três ocupações urbanas da Grande BH ao longo de quatro anos pelo Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB) nas ocupações Paulo Freire e Temer Jamais, no Barreiro, e Manuel Aleixo, em Mário Campos. O curta Plano controle, da mineira Juliana Antunes, foi premiado nas categorias de ator-coadjuvante (Uirá dos Reis) e melhor montagem.

Luna, o primeiro filme de ficção dom diretor mineiro Cris Azzi, diretor do documentário O dia do Galo, não conquistou nenhum prêmio. O longa mineiro Os sonâmbulos, de Tiago Matta Machado, foi o vencedor da mostra paralela Caleidoscópio.

Temporada narra a história de Juliana, interpretada por Grace Passô, que sai de Itaúna para trabalhar no controle de zoonoses e endemias na periferia de Contagem. Por lá, sua nova rotina de trabalho e convivência com as pessoas que encontra modificam completamente sua visão. Filme de andamento sereno que mostra o dia a dia de uma trabalhadora de Minas Gerais. Em outras edições do festival de que participou, André Novais de Oliveira também voltou para casa premiado por filmes como o curta Quintal (2015) e o longa Ela volta na quinta (2013).

Filmes de realizadoras que tiveram boa representatividade nesta edição também foram premiados na cerimônia de encerramento nesse sábado à noite no Cine Brasília. Beatriz Seigner, do longa Los silencios, venceu como melhor diretora, com um filme que trata da difícil rotina de imigrantes latino-americanos. Outra obra dirigida por uma mulher, Gabriela Amaral Almeida, A sombra do pai, também se destacou com troféus de melhor som, melhor montagem e melhor atriz coadjuvante (Luciana Paes, habitual colaboradora de Gabriela).

Diretores valorizados no ano passado no Festival de Brasília, Glenda Nicácio e Ary Rosa, responderam por mais sucesso no politizado evento da capital. Com o filme Ilha, a dupla formada na Bahia levou o prêmio de melhor roteiro (escrito por ambos) e ainda comemorou a valorização do trabalho de Aldri Anunciação, que teve a performance premiada levando para casa o título de melhor ator. O longa-metragem Bixa travesty, de Kiko Goifman e Claudia Priscilla, conquistou o troféu Candango de melhor trilha sonora e foi considerado o melhor filme pelo júri popular.

Outro filme que causou burburinho no evento, o documentário Torre das donzelas foi celebrado com prêmio especial do júri oficial, pelo “sensível, firme e inadiável encontro com nossa história”. Muito prestigiada pelo público, a mostra Brasília concentrou prêmios para as produções O outro lado da memória e New life S.A.. O primeiro obteve prêmios de melhor direção de arte, trilha sonora, melhor direção (André Luiz Oliveira) e melhor longa (pelo júri popular), enquanto New life S.A. conquistou os de melhor ator (Murilo Grossi) e de melhor longa-metragem.

Prêmios oficiais

Troféu Candango - Longa-metragem:

Melhor longa-metragem: Temporada
Melhor longa-metragem Júri Popular: Bixa travesty
Melhor direção: Beatriz Seigner, por Los silencios
Melhor ator: Aldri Anunciação, por Ilha
Melhor atriz: Grace Passô, por Temporada
Melhor ator coadjuvante: Russão, por Temporada
Melhor atriz coadjuvante: Luciana Paes, por A sombra do pai
Melhor roteiro: Ary Rosa e Glenda Nicácio, por Ilha
Melhor fotografia: Wilsa Esser, por Temporada
Melhor direção de arte: Temporada
Melhor trilha sonora: Bixa travesty
Melhor som: Gabriela Cunha, por A sombra do pai
Melhor montagem: Karen Akerman, por A sombra do pai
Prêmio Especial do Júri: Torre das donzelas
Menção honrosa: Bixa travesty

Troféu Candango - Curta-metragem:

Melhor curta-metragem: Conte isso àquelas que dizem que fomos derrotados
Melhor curta-metragem Júri Popular: Eu, minha mãe e Wallace
Melhor direção: Nara Normande, por Guaxuma
Melhor ator: Fábio Leal, por Reforma
Melhor atriz: Maria Leite, por Mesmo com tanta agonia
Melhor ator coadjuvante: Uirá dos Reis, por Plano controle
Melhor atriz coadjuvante: Noemia Oliveira, por Eu, minha mãe e Wallace
Menção honrosa de atriz coadjuvante: Rillary Rihanna Guedes, por Mesmo com tanta agonia
Melhor roteiro: Fábio Leal, por Reforma
Melhor fotografia: Anna Santos, por Mesmo com tanta agonia
Melhor direção de arte: Nara Normande, por Guaxuma
Melhor trilha sonora: Normand Roger, por Guaxuma
Melhor som: Nicolau Domingues, por Conte isso àqueles que dizem que fomos derrotados
Melhor montagem: Gabriel Martins e Luisa Lana, por Plano controle
Prêmio Especial do Júri: 'Liberdade'

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