Filme premiado, 'Outra história do mundo' estreou quinta-feira em Belo Horizonte

Prêmio de melhor coprodução internacional do 13º Festival de Cinema Latino-Americano de São Paulo filme tem participação de Brasil, Uruguai e Argentina

por Ana Clara Brant 05/08/2018 10:01


O pitoresco sequestro de anões de jardins dá o pontapé inicial de Outra história do mundo, que estreou quinta-feira em Belo Horizonte, e ganhou o prêmio de melhor coprodução internacional do 13º Festival de Cinema Latino-Americano de São Paulo – tem participação de Brasil, Uruguai e Argentina. Em uma pequena cidade uruguaia sob os efeitos da ditadura, dois amigos, Milo Striga (Roberto Suarez) e Gregorio Esnal (César Troncoso), resolvem zombar de um irritado militar, sequestrando seu bem mais precioso. A aventura dá errado e as consequências são cruéis para a dupla: Milo desaparece sem deixar rastros, enquanto Esnal sofre isolado. É quando o personagem de César tem uma ideia para tentar manter viva a lembrança de Striga: dar aulas de história universal no clube social da cidade, mas à sua maneira. “Além do enredo ser ótimo, que são esses dois amigos achando que vão fazer uma revolução ao roubar os anõezinhos, o longa tem como pano de fundo a ditadura. Muitos filmes argentinos e uruguaios que retratam essa época são mais sombrios, às vezes, até cansam. O interessante dessa produção é que o tema é tratado de maneira mais leve, até divertida. É uma comédia política. Isso é possível por ser o final da ditadura, se fosse o começo, não seria desta forma”, acredita César Troncoso, que está no Brasil divulgando a produção.

Três Mundos Produções/Divulgação
Com vários trabalhos no Brasil, o ator uruguaio César Troncoso protagoniza A outra história do mundo, de Guillermo Casanova (foto: Três Mundos Produções/Divulgação)

É a segunda vez que o ator nascido em Montevidéu trabalha com seu compatriota, o diretor Guillermo Casanova. Os dois estrearam no cinema juntos em El viaje hacia el mar (2003), considerado um dos filmes mais conhecidos e lembrados do cinema uruguaio. César – que, aos 25 anos, deixou a contabilidade de lado e passou a estudar teatro – diz que a principal diferença entre os dois projetos é a experiência. “Agora, já tenho um ofício construído, sei me portar no set e como as coisas funcionam. O Guillermo é da minha geração e a gente tem uma comunicação muito tranquila e clara”, comenta.

A parceria também se estende ao colega Roberto Suarez. Os dois deram os primeiros passos juntos no teatro, estudaram na mesma escola e se apresentaram em todo tipo de lugar nos primórdios da carreira. “Tanto que Guillermo Casanova queria fazer esse filme sobre amizade justamente conosco, por conta de nosso histórico. E funcionou muito bem”, afirma.

BELCHIOR Como se trata de coprodução, Outra história do mundo tem toques brasileiros. O diretor de fotografia é o carioca Gustavo Hadba (Faroeste caboclo, Entre nós), e o elenco conta com o pernambucano Cláudio Jaborandy. A trilha traz Velha roupa colorida na voz de Belchior, que canta versos bem oportunos para o momento vivido pelos protagonistas: “Mas eu não posso deixar de dizer, meu amigo/ Que uma nova mudança em breve vai acontecer/ O que há algum tempo era novo, jovem/ Hoje é antigo/ E precisamos todos rejuvenescer”. “O Guillermo adora Belchior. A música brasileira em geral tem uma presença muito forte no Uruguai. Na época em que fiz O banheiro do papa (2007), muita gente comentou que eu estava parecido com o Belchior por causa do bigode. Agora, isso também se repete por causa do visual desse filme.”


César Troncoso comemora o fato de ter participado de tantas produções no Brasil. Seja novela (Flor do Caribe) e, principalmente, os longas A oeste do fim do mundo, O tempo e o vento, Elis, Faroeste caboclo e O vendedor de sonhos. Os trabalhos justificam a desenvoltura com o português. “Quando fiz meu primeiro filme, Em teu nome (2009), era tudo decorado. Nem dava para improvisar porque não falava nada. Mas, ao longo do tempo, principalmente com a novela em que fiquei nove meses gravando, e os outros filmes, fui desenvolvendo e hoje falo desse jeito que você está vendo (risos). Tenho muito orgulho de trabalhar no Brasil. Acho que tenho a mesma quantidade de projetos brasileiros e uruguaios”, relata.

O ator comemora a parceria entre o cinema do seu país com outros países latino-americanos, destacando a importância para o fortalecimento da indústria cinematográfica. “O Uruguai praticamente não faz cinema sem coprodução. É muito raro. Apesar da língua diferente – no caso do Brasil – somos todos da mesma matéria, somos irmãos.

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