Uai Entretenimento

Filme retrata os diversos e polêmicos relacionamentos afetivos de artista expressionista

Tema bastante trabalhado na arte, A morte e a donzela dá nome a uma das obras mais conhecidas do pintor austríaco Egon Schiele (1890-1918). Hoje no Palácio Belvedere, mais importante museu de Viena, o quadro norteia uma nova cinebiografia do artista expressionista. Egon Schiele – Morte e donzela, de Dieter Berner, estreia nesta quinta (19), no Cine Ponteio.


Entre as várias interpretações que a pintura (uma figura masculina e uma feminina se agarrando com intensidade) permite, está a própria trajetória do artista. Datada de 1915, a obra foi realizada às vésperas do recrutamento de Schiele para o combate na Primeira Guerra Mundial. Recrutamento do qual ele tentou fugir de toda maneira.


Há quem diga que a morte representada no quadro seja a dele próprio, já que estava prestes a ir para a guerra. Ou então a morte do amor – no período, Schiele teve que escolher entre duas mulheres. Abandonou a amante de longa data para se casar, sem muita convicção, com outra jovem.


A vida do artista foi prolífica em polêmicas. De família humilde, Schiele perdeu o pai em decorrência da sífilis.
A psicose do patriarca no fim da vida afetou profundamente o jovem, que fez da sexualidade e dos traumas psicológicos temas recorrentes em sua obra. Protegido de Gustav Klimt (1862-1918), Schiele teve várias mulheres.

GRIPE A narrativa do longa tem início em 1918, às vésperas da morte do artista – aos 28 anos, vítima de gripe espanhola. Ele morreu três dias depois de sua mulher, grávida de seis meses, sucumbir à mesma doença. A partir desse momento, Dieter Berner acompanha, em flashback, a trajetória do artista. Porém, mais do que a produção artística, o longa segue os relacionamentos amorosos de Schiele.


O ator Noah Saavedra guarda certa semelhança física com o próprio Schiele. O filme sugere a relação incestuosa que o artista teve com a irmã mais nova, Gerti (Maresi Reigner), a primeira de suas musas. Também destaca, na parte inicial, o relacionamento (um tanto ruidoso para a época) com a modelo negra Moa (Larissa Breidbach).

Mas são os longos anos com a modelo e companheira Wally (Valerie Pachner) o enfoque principal da narrativa.


Schiele, que não se prendia a mulher alguma, é apresentado como um amante nada fiel, que era capaz de tudo pela arte. Mais de uma biografia do artista destaca suas tendências pedófilas – suas modelos, de maneira geral, eram bastante jovens. O filme não toma um partido sobre esse aspecto – apresenta uma situação que deixa o espectador em dúvida sobre o que de fato ocorreu. Um processo sofrido por pornografia também faz parte da narrativa.


Com uma fotografia luminosa e um elenco que se destaca pela juventude e beleza, Egon Schiele – Morte e donzela cumpre o papel de colocar em perspectiva a trajetória do homem Schiele. Mas o artista, e as questões que o levaram a criar uma das obras mais relevantes do Expressionismo austríaco, ficam em segundo plano.

.