Mostra no Cine Brasil analisa 10 filmes que não levaram o Oscar

Evento propõe ainda reflexão sobre a história do cinema nos EUA e questiona porque alguns clássicos não conquistaram o prêmio máximo da Academia

por Márcia Maria Cruz 20/11/2017 08:39
TCM/Divulgação
Ninotchka (1939), de Ernst Lubitsch, integra a mostra. (foto: TCM/Divulgação)

Eles não ganharam a estatueta de melhor filme do Oscar, mas é impossível contar a história de Hollywood sem fazer referência à importância deles para o cinema mundial. Sob a curadoria de Rafael Ciccarini, a mostra Oscar: uma outra história exibe 10 filmes clássicos produzidos entre a década de 1930 e os anos 2000. A abertura ocorre nesta segunda-feira, 20, às 19h30, no Cine Theatro Brasil Vallourec, com o debate ''As maiores injustiças do Oscar'', que terá a presença de especialistas em cinema – a jornalista Carolina Braga, o professor de cinema José Ricardo e o pesquisador Luiz Carlos Oliveira Junior. A mostra segue até 30 de novembro, com ingressos a preços populares. ''A nossa proposta é levar para o Cine Brasil uma programação que atraia o público, permita discussão sobre cinema e a formação'', pontua o curador.

A proposta, como destaca, não é colocar em xeque as premiações feitas pela Academia norte-americana de cinema, mas promover debate sobre fatores que levam uma produção ser premiada e outras não. Ciccarini brinca ao dizer que a mostra parte do ''approach dos derrotados''. As exibições começam com Ninotchka (1939), que tem direção de Ernst Lubitsch e roteiro de Billy Wilder. Naquele ano, concorreu com E o vento levou, O mágico de Oz e O morro dos ventos uivantes. O curador selecionou para compor a mostra outras nove produções: Cidadão Kane (1941), Crepúsculo dos deuses (1950), 2001: uma odisséia no espaço (1968), Touro indomável (1980), Um corpo que cai (1958), Bonnie e Clyde (1967), Tubarão (1975), Pulp Fiction (1995) e Encontros e desencontros (2003).

 

 

Se as indicações da maior das premiações do cinema mundial estão longe de ser unanimidade, a existência do próprio Oscar também é motivo de debates acalorados. “Oscar suscita paixões. Temos duas abordagens radicais. Uma é adesão acrítica à ideia de que se trata de uma celebração da sétima arte. A outra abordagem, ao negar por ser uma festa capitalista, desconsidera a importância histórica dos filmes”, pontua Ciccarini.

Ao ver a dimensão dos longas que ficaram sem a estatueta, a conclusão é de que o conceito de melhor filme proposto é relativo. “Não é que o Oscar tenha errado, mas a premiação indica que os escolhidos tiveram campanha forte, lobby em favor deles. Também deve ser considerada a conjuntura que contribui para que a produção tenha sido escolhida em detrimento de outras. Conceito de melhor é relativo. A verdade histórica nem sempre coincide com a escolha feita pela academia.”

CURSO Integra a mostra o curso Uma outra história, ministrado pelo pesquisador Luiz Carlos Oliveira Júnior, que criou percurso de análise da era clássica do cinema aos dias de hoje. Luiz Carlos apresenta os filmes da mostra e outros fundamentais na constituição da indústria cinematográfica norte-americana, a mais popular do mundo. Serão três aulas (entre terça (21), quarta (22) e quinta (23), ao custo de R$ 10 para os três dias). Na primeira, o foco é a Hollywood clássica e as principais figuras de estilo e de narração dos estúdios no período 1915-1960. A segunda aborda o cinema moderno estadunidense, no contexto da chamada Nova Hollywood. A última parte do curso avalia o cenário dessa indústria na atualidade.

 

OSCAR: UMA OUTRA HISTÓRIA
De 20 a 30 de novembro. Cine Theatro Brasil Vallourec. Avenida Amazonas, 315, Centro. Abertura com entrada gratuita. Demais sessões: R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia).
Informações (31) 3201-5211. Programação completa no www.cinetheatrobrasil.com.br.

 

 

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