Charlize Theron e trilha sonora cheia de hits salvam a trama fraca de 'Atômica'

Longa estreia nesta quinta-feira, 31, e ainda conta com cenas de ação deliciosamente exageradas e o figurino certeiro

por Mariana Peixoto 31/08/2017 08:30

Universal Pictures/Divulgação
Charlize interpreta a superespiã Lorraine Broughton, que desempenha uma perigosa missão em Berlim, às vésperas da queda do muro. (foto: Universal Pictures/Divulgação)

Não há nada realmente original em Atômica, filme de David Leitch que chega nesta quinta, 31, ao Brasil. Há um pouco de James Bond, outro tanto de Jason Bourne. Mas, mesmo com uma trama fraca, pela qual já se perde o interesse no meio da narrativa, o filme é diversão pura. Charlize Theron e a trilha sonora fazem com que fiquemos esperando pela próxima cena de ação, só para ver como a personagem e a música vão se virar.

Atômica é inspirado na graphic novel The coldest city (2012), de Antony Johnston e Sam Hart. Na história, ambientada às vésperas da queda do Muro de Berlim (novembro de 1989), uma espiã tem que encontrar uma lista de agentes ocidentais que estão operando na cidade. Os nomes, que colocam em risco tanto o MI6 quanto a CIA, foram compilados por um oficial da Stasi (a polícia secreta da Alemanha Oriental) e estão sendo contrabandeados. Os soviéticos, é claro, estão no encalço do documento que pode mudar os rumos da Guerra Fria.

Charlize é Lorraine Broughton, uma superespiã do MI6 que chega numa Berlim perto da convulsão. Lá, vê-se obrigada a trabalhar ao lado de David Percival (James McAvoy), o negligente chefe local do MI6. Toda a ação é apresentada em flashback, quando uma Lorraine cheia de hematomas e machucados é interrogada por dois superiores das agências inglesa e americana. Os papéis cabem aos sempre ótimos Toby Jones (do MI6) e John Goodman (da CIA). O diálogo entre o trio tem algum humor. Mas aquela espécie de humor sutil, que dispensa uma risada sonora.

Saber mais do que isso não faz a menor diferença. Com extensa carreira como dublê, Leitch – codiretor de John Wick – De volta ao jogo (2014) e à frente de Deadpool 2, atualmente em preparação – capricha nas sequências coreografadas. É tudo deliciosamente exagerado. Cada cena de ação – e são muitas – é acompanhada por um hit oitentista. Socos, pontapés, tiros, perseguições de carro e a pé, todos esses momentos se desenvolvem em diálogo com as músicas escolhidas.

A seleção é de primeira, de alta combustão como o filme. Atômica, por exemplo, é aberto com uma cena de perseguição (que remete tanto a Trainspotting quanto a Corra, Lola, corra, tendo Blue monday (New Order), a canção-símbolo do período, como pano de fundo. Tem também destaque London calling (The Clash), Under pressure (Queen e David Bowie) e Behind the wheel (Depeche Mode).

POP E ainda que a maior parte da trilha seja de canções muito conhecidas, sua utilização a favor da narrativa não é óbvia. Father figure, a balada pop perfeita que colocou George Michael entre os grandes quando foi lançada, em 1987, aparece aqui quase colorindo uma sequência em que Lorraine acaba com alguns marmanjos. Entre tantas cenas de ação – que no meio da narrativa chegam a se tornar cansativas – chama a atenção a de uma luta numa escadaria que ultrapassa os 10 minutos de duração.

Charlize Theron, aos 42 anos, está linda e impactante como nunca (algo que Angelina Jolie não conseguiu com Lara Croft). Seu figurino – as roupas da personagem têm a mesma importância que as canções – é absolutamente fiel aos anos 1980. Mas o filme conseguiu a proeza de colocar em cena roupas lindas que não têm aquele exagero datado da época.

Sua Lorraine se apresenta como uma mulher poderosa aos olhos dos outros, mas com consciência e alguma fragilidade nos momentos de intimidade. Ela se vira melhor sozinha e consegue enxergar os dois lados no confuso universo dos espiões. A espiã é como uma Mulher Maravilha do mundo da espionagem, que emerge numa Berlim em combustão, com seus néons, pichações, punks e a onipresença do muro prestes a vir abaixo.

 

Abaixo, confira o trailer de Atômica:

 

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