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Filhos de Bach leva a obra do compositor alemão a Ouro Preto em ritmo de samba

Coprodução entre Brasil e Alemanha, filme mostra o poder transformador da música

Mariana Peixoto

A atriz mineira Taís Garayp interpreta a inspetora de um centro para menores - Foto: Cinnamon/Divulgação

O reaparecimento de uma partitura perdida de Johann Sebastian Bach (1685-1750), em Ouro Preto, leva à cidade mineira um professor alemão de música aposentado. É este o mote de Filhos de Bach. Filme de estreia do alemão Ansgar Ahlers, a produção germano-brasileira chega hoje aos cinemas.

O longa faz uma curiosa ponte ao levar a música do mestre do Barroco alemão para Ouro Preto, cidade que tem o maior conjunto de arquitetura barroca do Brasil. Aqui, as composições de Bach ganharam tons brasileiros, pois, obviamente, a música é uma das estrelas. A obra de Bach – Ave Maria, Jesus, alegria dos homens, entre outras peças – é aqui relida em ritmo de choro e samba, com arranjos de Henrique Cazes e Gilvan de Oliveira.

Há uma base real na ficção que é mostrada nas telas. Em 2005, o Arquivo Bach de Leipzig, cidade onde o compositor morreu, anunciou a descoberta de uma ária inédita. Ahlers, um alemão apaixonado pelo Brasil e que fala fluentemente o português, pegou esta história para criar o universo em que seu protagonista, o professor Marten Brückling (Edgar Selge, de A experiência e O quinto poder) se envolve.

Chegando à cidade histórica em busca da partitura de Bach que teria herdado, Marten descobre que o Brasil não é o lugar amigável que esperava. A partitura é roubada e ele, que não esperava ficar mais do que alguns dias no país, se vê obrigado a passar uma temporada.
Acaba conhecendo um centro destinado a menores infratores. Apresenta aos garotos a música de Bach, que transforma a vida de todos.

Filhos de Bach foi filmado em 2014, em Ouro Preto, mas também teve como locações a cidade de Hamburgo e o Castelo de Bückeburg, na Baixa Saxônia. Ainda que seu protagonista seja alemão, a maior parte do elenco é brasileira. Stepan Nercessian e Thaïs Garayp fazem a dupla de antagonistas da história. Ele é o diretor, ela a inspetora do centro para os menores. Marília Gabriela faz uma participação especial como ministra da Justiça.

Única mineira do elenco, Thaïs comemora sua primeira vilã. “Tenho pouca experiência em cinema. Já na TV, quando faço novelas, geralmente sou a mãezona, a simpática. A Dulce é muito rígida com as crianças, mal-humorada mesmo. Apesar disto, o personagem deu margem para o humor, só que um humor mais contido”, comenta a atriz. E para ela Filhos de Bach significou ainda um encontro com suas origens – no início da carreira, Thaïs era integrante do coral Ars Nova.



BIOGRAFIA MISTERIOSA

Muito pouco se conhece sobre a vida de Johann Sebastian Bach, já que o compositor não deixou qualquer diário e quase nenhuma correspondência. O Arquivo Bach de Leipzig trabalha reunindo informações que possam suprir as muitas lacunas a respeito da biografia do mestre alemão. Nos últimos anos, algumas descobertas têm provocado a revisão de aspectos que antes eram tidos – por suposição – como fatos sobre a vida do músico.
Entre os principais achados está a importância dos alunos do mestre na criação de sua obra e atuação artística na cidade de Leipzig. Primeiro, que um de seus alunos teria ocupado o posto de diretor musical (kantor) em duas igrejas da cidade, que se supunha estar a cargo de Bach. A outra descoberta foi a de que dois alunos escreveram libretos de, pelo menos, 30 cantatas. A pesquisa estima que deve haver outras obras de discípulos atribuídas ao mestre, já que o ritmo de trabalho de Bach foi intenso durante toda sua vida.

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