Ridley Scott retoma a série dos monstros extraterrestres em 'Alien: Covenant'

Filme mescla de terror e ficção científica que discute a relação entre homem e máquina

por Mariana Peixoto 10/05/2017 20:03
Antes de assistir Alien: Covenant, é aconselhável ter visto o primeiro trailer, disponível no YouTube. O vídeo de pouco mais de quatro minutos atua, na verdade, como um prólogo. Não traz uma edição dos melhores momentos do longa e, sim, contextualiza os personage
FOX/DIVULGAÇÃO
Michael Fassbender e Carmen Ejogo vivem Walter e Karine no novo Alien (foto: FOX/DIVULGAÇÃO)

E não, não é necessário ter assistido a Prometheus. O filme de 2012 marcou o retorno de Ridley Scott ao universo dos xenomorfos, a raça alienígena da série, 33 anos após o lançamento do filme original, Alien, o oitavo passageiro (1979). Ainda que Covenant, que chega hoje aos cinemas do país, seja a continuação de Prometheus, com acontecimentos que antecedem ao Alien de 1979, ele pouco dialoga com o filme de cinco anos atrás.

De uma certa maneira, Alien: Covenant, sexto filme da franquia de Scott, é mais um filme de terror que de ficção científica. Pelo trailer-prólogo ficamos sabemos que um grupo de pessoas (exclusivamente casais) fazem parte da primeira colonização em larga escala num planeta distante. Estão celebrando antes de entrar no criossono, quando cada um, em seu próprio “casulo”, ficará num sono induzido que deve durar até o fim da jornada.

Já quando o filme tem início, vemos a nave Covenant praticamente às moscas. É o ano de 2104, e a nave está em direção ao planeta Origae-6, muito semelhante à Terra. Faltam sete anos para que o objetivo seja atingido, e as 17 pessoas que compõem a tripulação estão num sono profundo.

Mas elas não estão sozinhas. Há ainda 2 mil embriões para o processo de colonização no planeta. E o androide Walter (Michael Fassbender). Responsável pela navegação enquanto os humanos dormem, ele conversa com Mãe, a inteligência artificial da nave.

MENSAGEM Rapidamente, a aparente calmaria termina. Um acidente cósmico leva Walter a acordar todos, que recebem uma estranha mensagem de um planeta bem próximo. Contrariando a missão original, decidem ver o que ocorreu e aterrissam no planeta. Ali, o cenário está montado para que ocorra uma matança.

Em recente apresentação do filme à imprensa, na França, Scott, de 79 anos, afirmou que “é preciso ter uma mente distorcida como a minha para querer assustar as pessoas assim”. O comentário em tom de brincadeira é uma resposta à cena clássica do primeiro Alien, que se repete no novo filme. O momento em que o alien sai do corpo humano, onde foi fecundado, explodindo o torso do hospedeiro.

“No primeiro Alien tinha uma responsabilidade, porque a reação das pessoas após a cena do chestburster com John Hurt foi muito além do que eu imaginava. Mas o filme foi um sucesso, porque as pessoas são perversas”, disse.

Bem, tal perversidade, para utilizar as palavras de Scott, é utilizada sobremaneira. Se em Prometheus o alien aparecia pouco, aqui existem várias versões do monstro. O vemos em sua plenitude, aniquilando, um a um, os tripulantes da Covenant. Para quem gosta, não faltam sustos, tampouco sangue e cenas de ação, deixando pouco tempo para o espectador respirar.

Desta maneira, Covenant se aproxima mais de O oitavo passageiro que Prometheus. Da tripulação de humanos, a mais interessante é Daniels (Katherine Waterston), que surge como uma renovada Ripley – a icônica personagem de Sigourney Weaver na tetralogia.

E mesmo que o diálogo com Prometheus seja menor, há questões deixadas em aberto no filme anterior que tentam ser explicadas neste. David, o androide que Fassbender fez no filme anterior, retorna agora e algumas das melhores cenas são as que os dois homens-máquina, interpretados pelo mesmo ator, se digladiam.

Na cena inicial, ele discute a criação com seu “pai”, Peter Weyland (também de Prometheus, papel de Guy Pearce). O ato da criação, e também a diferença entre os humanos e as máquinas, são questões que Covenant delineia, abrindo caminho para mais um filme.

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