Cinema

Filme Spotlight promete dar dor-de-cabeça ao Vaticano

Mark Ruffalo e a mulher, Sunrise Coigney, em Veneza, na estreia de Spotlight

Dirigido por Thomas McCarthy, o filme Spotlight promete dar dor-de-cabeça ao Vaticano. O longa, que estreou na quinta-feira no Festival de Veneza, na Itália, conta a história da investigação feita por jornalistas do diário Boston Globe, que revelou como a hierarquia católica da cidade norte-americana de Boston, liderada pelo cardeal Bernard Law, acobertou de maneira sistemática e cínica os abusos sexuais cometidos por mais de 70 padres que atuavam na região.


“O papa Francisco ainda tem muito a fazer para provar que a Igreja Católica luta com seriedade contra a pedofilia”, declarou Thomas McCarthy. Para ele, a visita do papa Francisco aos Estados Unidos, no fim do mês, será uma oportunidade para provar os esforços do Vaticano nesse sentido. Em Spotlight, os repórteres são interpretados por Michael Keaton, Rachel McAdams e Mark Ruffalo. O caso, que veio à tona em 2002, rendeu o Prêmio Pulitzer à equipe do Boston Globe. Nada menos de 1,5 mil vítimas testemunharam contra os religiosos.

Apesar de elogiar o papa Francisco – “um homem ao mesmo tempo fascinante e interessante” – e dizer acreditar nele, McCarthy é cético em relação à postura da Igreja Católica diante do escândalo abordado em Spotlight. “Acredito que o papa tenha consciência disso. Se penso que o problema está resolvido? Não. Se acho que a Igreja Católica tem feito o que deveria fazer? Realmente não”, declarou ele à agência AFP.