Durante o velório no teatro onde o ator fez um de seus trabalhos mais elogiados, a peça 'O arquiteto e o imperador da Assíria', em 1970, amigos e colegas de profissão se reuniram, durante a madrugada de ontem, para dar o último adeus. A cerimônia de despedida seguiu aberta ao público até 15h, com presença de diversos artistas como Suzana Vieira, Claudia Abreu, Veja Holtz, Daniel Filho e muitos outros.
Considerado um dos melhores atores de sua geração, Wilker era lembrado pela inteligência que deixava transparecer em suas interpretações. Uma das fãs carregava um cartaz com os dizeres: “José Wilker, hoje vou lhe usar para lembrar a cidadania digna”, fazendo referência à frase do coronel Jesuíno, do remake da novela 'Gabriela', que virou bordão em 2012.
O ator Ary Fontoura se lembrou do humor e da cumplicidade criada com o amigo e companheiro de trabalho em décadas de convivência: “Foi um dos meus maiores parceiros. A gente tinha o mesmo tipo de humor. Éramos capazes de nos entender com um olhar.Quando tinha uma cena mais tensa, a gente fazia brincadeira para descontrair.”
A atriz Susana Vieira, com quem Wilker viveu diversos casais em novelas, lembrou a delicadeza do amigo. “Sou a mais viúva de todas as atrizes. Foram 42 anos de casamento, que começou com 'O bofe' (1972). Ele era uma pessoa tão delicada... A morte dele foi delicada na medida certa”, disse.
Casada por 10 anos com Wilker, Guilhermina Guinle contou que ele dizia que gostaria de morrer dormindo. “Estava bem de saúde, mas o coração é uma fatalidade. Ele morreu do jeito que queria, sem sentir nada. Para quem fica é mais difícil”, afirmou.
As filhas do ator, Isabel e Mariana, suas mães, Mônica Torres e Renée de Vielmond, respectivamente, e a namorada de Wilker, Cláudia Montenegro, acompanharam a vigília todo o tempo.
HOMENAGEM NO PANAMÁ
“Isso é para você, José, meu amor”. Emocionada, Sônia Braga dedicou o Prêmio Platino de honra que recebeu sábado à noite, na Cidade do Panamá, ao colega José Wilker. Aplaudida de pé no Teatro Anayansi, a brasileira lamentou a morte do amigo. “Desfrutei cada pequeno segundo de estar na frente de uma câmera, mas não o fiz sozinha”, afirmou Sônia. “Por isso, gostaria de agradecer a todos que dividiram comigo essa travessia de minha carreira. Queria pedir licença neste momento para, como atriz e amiga, por tudo que vivemos juntos, pelo meu grande amor, dedicar este prêmio e todas as honras e aplausos para este grande ator latino-americano: José Wilker, meu companheiro de Dona Flor e seus dois maridos”, disse a atriz. (Gracie Santos)