Trama de 'Muita calma nessa hora 2' se perde em meio ao grande número de personagens

Com história semelhante ao anterior, filme tem seus melhores momentos com a trama dos personagens secundários

por Mariana Peixoto 17/01/2014 06:00

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Paris Filmes/Divulgação
(foto: Paris Filmes/Divulgação)
Esqueça o elenco principal, o melhor está no secundário. Com mote semelhante ao do filme anterior – quatro jovens amigas que não se viam há muito voltam a se encontrar – Muita calma nessa hora 2 tem nas participações o motivo para boas (ainda que poucas) risadas. Com os mesmos equipe técnica e elenco da produção anterior (que levou 1,6 milhão de pessoas aos cinemas em 2010) a comédia requenta, por vezes com sabedoria, piadas que assolam a internet.

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O cenário agora é o Rio de Janeiro. A riponga Estrella (Débora Lamm) acaba de voltar da Argentina; Aninha (Fernanda Souza), sempre indecisa, pauta sua vida por consultas com uma vidente; Tita (Andréia Horta), agora fotógrafa, retornou da Europa e está meio sem saber o que fazer; e Mari (Gianne Albertoni) está trabalhando na produção de um festival de música, evento que vai detonar a ação da história. As protagonistas, por si só, não seguram a trama – a exemplo do filme anterior, a Aninha de Fernanda Souza é a mais bem resolvida das personagens. Dessa maneira, os coadjuvantes nadam de braçada.

Em papel recorrente, Marcelo Adnet viu sua participação crescer na trama. Seu Augusto Henrique é um rei do camarote impecável (com destaque para a “análise” que ele faz de Monalisa, de Jorge Vercilo), com seus espumantes com foguinho, gadgets de última geração e sotaque paulista afetado. Bruno Mazzeo, produtor e roteirista do longa, reaparece aqui com outro personagem: o cantor de sertanejo universitário Renan, com um topete tal qual Luan Santana e um hit, Paracada, de fazer inveja à Balada boa (Tchê tchê rere) de Gusttavo Lima. Ainda na onda das paródias, Rafael Infante está impagável como o barbudo sensível Neco, vocalista da banda Los Cunhados. Mais Marcelo Camelo, impossível.

Um dos méritos de Muita calma... é reunir gerações (e estilos) de comediantes. Do veterano Paulo Silvino, passando pelo casseta Hélio de la Peña, chegando a Marcus “Porta dos Fundos” Majella, o filme passeia por diferentes estilos de humor. Se tais nomes conseguem suscitar risos, também acabam por fazer a história principal desaparecer. Dessa maneira, Muita calma... acaba se tornando uma coleção de esquetes humorísticas (algumas mais, outras menos engraçadas). O que não segura 90 minutos de projeção.


Três perguntas

Felipe Joffily,

diretor de Muita calma nessa hora 2

Ainda que a história seja semelhante e boa parte do elenco o mesmo, os coadjuvantes têm mais espaço na sequência do que no primeiro Muita calma nessa hora. Marcelo Adnet, que só apareceu no primeiro numa ponta, é um dos destaques. Por que fizeram essa opção?

Levamos em consideração o sucesso que os personagens do primeiro filme tiveram na hora de desenvolvê-los para este. O Augusto Henrique é um personagem que o Adnet domina muito bem. Ele é um ator que gosta de improvisar, ainda que o roteiro tenha muitas piadas. O momento em que ele pega um figurante e, barrado para entrar no camarote, diz, no improviso, que ‘nunca viu ninguém revoltz’ fez a equipe inteira cair de rir.

Como foi lidar com comediantes de gerações e estilos tão diferentes?
Essa é a proposta desde o primeiro filme: são múltiplos personagens e protagonistas, que serão explorados de acordo com o contexto. Nas reuniões, a gente coloca os nomes na mesa e vê quem está a fim de participar. E o Bruno (Mazzeo) tem um estilo de humor que é muito peculiar, e que hoje a gente vê em outros programas e canais de humor na internet. Todo mundo acredita que tem a ver com o pai dele. É um humor de esquete, mas não vejo Muita calma... como um filme de esquetes. Ele mantém uma linearidade.

Muita calma nessa hora 2 está estreando em torno de 450 salas, número quase três vezes maior do que o primeiro filme. Já se pensa em nova sequência?

Desejo eu tenho. Ma por mais que seja comercialmente interessante fazer – e nisso a referência maior são as franquias americanas – um dado que tem que ser levado em consideração é a agenda de todos os envolvidos. E mais um filme vai depender do resultado desse.

Assista ao trailer do filme:

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