Adaptação de Joe Wright para clássico de Tolstói 'Anna Karenina' estreia nesta sexta-feira

Longa-metragem com Keira Knightley teatraliza mazelas da sociedade

por Gracie Santos 15/03/2013 08:00

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Universal Pictures/Divulgação
Keira Knightley se aproveita do fato de ter "nascido" para interpretar personagens de época (foto: Universal Pictures/Divulgação)
Filmes de época costumam abusar de belos cenários e figurinos para transportar o espectador no tempo e contar sua história. É inegável o esmero da nova adaptação do clássico de Leon Tolstói 'Anna Karenina' no segundo item. Não por acaso, Jacqueline Durran ganhou o Bafta e o Oscar de figurino por seu trabalho no longa do diretor Joe Wright. Mas Wright fez bem mais do que se espera de uma obra no gênero. Teve ousadia. Abusou da linguagem e da estética do teatro, transformando seu set em palco. Como se não bastasse, entre o abrir e fechar de cortinas, o burburinho das coxias e cenários girando de um lado para o outro, ele, valendo-se das “armas” do cinema, produziu pausas deliciosas, como no momento em que coadjuvantes pairam no ar enquanto o casal apaixonado dança alheio ao mundo.

 

Edição e montagem contribuem para movimentar a trama apresentada em colagens que dão, às vezes, a sensação de se ver a vida dos personagens por ângulo, digamos, privilegiado. Mas o que é o grande mérito da adaptação pode não agradar àqueles que não se deixarem levar pela viagem de Wright e que preferiam, por exemplo, ver o Kremlin em terceira dimensão e não em cenário declaradamente cenário. Bobagem. O resultado é tão bom que provavelmente o próprio Tolstói, ainda que fizesse ressalvas à obra (livros são quase inadaptáveis, não seria diferente no caso do clássico), se surpreenderia com a dinâmica diferenciada de abordagem de sua história.

 

'Anna Karenina' marca o regresso de Joe Wright a adaptações literárias para o cinema. Ele fez também os inesquecíveis 'Orgulho e preconceito' (2005) e 'Desejo e reparação' (2007), ambos com a mesma Keira Knightley (Anna). É fato que o tipo físico e porte da atriz parecem tê-la moldado para o filme de época. O que talvez esteja se transformando em um problema para ela, que, em muitos momentos, parece apenas desfilar esse “privilégio” em cena. De qualquer forma, deve ser grande o peso de viver personagem tão importante, já interpretada por gente do porte de Greta Garbo (1935 – famosa adaptação); Vivien Leigh (1948); Sophie Marceau (1977); Jaqueline Bisset (versão para a TV, em 1985), só para citar algumas. O livro, publicado entre 1875 e 1877, teve mais de uma dezena de adaptações para o cinema. A trama gira em torno do caso extraconjugal de Anna Karenina, aristocrata da Rússia czarista que abre mão de um casamento sólido e de um filho pequeno para viver tórrido romance.

BONS CLOSES Chama a atenção no elenco do filme de Wright a sueca Alice Vikander, que mostra competência como Kitty, da mesma forma que o faz como Caroline Matilde em outro longa de época, 'O amante da rainha' (em cartaz). Também Vikander parece ter nascido para se envolver em saias aramadas e outros excessos do passado. Mas a atriz tem melhor aproveitamento de cada close ou situação de sua personagem do que Knightley. Destaque também para a atuação silenciosa de Jude Law como Alexei Karenin, o marido traído. Apenas regular no papel do impetuoso oficial conde Vronski, está o ator Aaron Johnson.

 

'Anna Karenina' de Wright transporta para a tela, com olhar crítico e malicioso, todo o jogo social que envolve falsos moralismos e julgamentos criados na medida para sufocar quem, definitivamente, não se enquadra emocionalmente neles. Os “excessos” do teatro têm grande contribuição para que a obra trace tênue linha entre desejo, regras sociais e amor. O filme passa (superficialmente) por questões importantes da vida no campo, onde começa a florescer, no século 19, discussão sobre terras, propriedade e trabalho. Levin, homem do campo, é bem interpretado pelo ator irlandês Domhall Gleeson. Mas é na família e no trato social que Wright prefere (como em obras anteriores) se prender, o que de forma alguma diminui sua “versão” da história. O diretor opta por girar em torno da célebre frase que abre o romance: "Todas as famílias felizes são iguais. As infelizes o são cada uma à sua maneira". E na última cena fica a pergunta: afinal, quem é feliz?

Assista ao trailer de 'Anna Karenina':


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