Documentário sobre Ingmar Bergman e Liv Ullmann celebra o amor maduro

Relacionamento entre diretor e atriz ultrapassou limites do casamento e se estendeu pela vida

por Walter Sebastião 22/02/2013 07:30

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Art Films/Divulgação
(foto: Art Films/Divulgação)
Em meio a centenas de obras ficcionais que banalizam o amor, um documentário sobre o tema merece atenção: 'Liv & Ingmar', dirigido por Dheeraj Akolkar. É a história de uma atriz de 28 anos, que se apaixona pelo diretor de seu filme de estreia.
 
Ela deixa um casamento para trás, casa-se com o respeitado cineasta, 18 anos mais velho, e experimenta tudo o que um relacionamento oferece: alguém especial, uma filha, a construção de uma casa, momentos felizes. Mas pede o divórcio quando vê o ciúme, a possessividade e as diferenças de temperamento corroendo tudo isso. Separado, o casal mantém a amizade pela vida inteira. Um pressentimento faz com que a atriz voe para se encontrar com o ex-marido na véspera da morte dele.

Charme do filme é despojar (mas não destituir) a dupla da condição de referência da história do cinema – os dois são artífices incontestáveis de obras-primas. O diretor preferiu focar nas alegrias, dramas e dilemas de um casal que se ama. Liv, a narradora, experimenta desencontros: entre sonho e realidade, entre amar e se sentir sufocada, entre se afastar e descobrir que ama o homem que deixou.

A visão dele nos chega por meio de cartas de amor, das imagens dos filmes que fez com a mulher (metáforas das situações narradas) e do registro de olhares, intimidade e carinho nos sets. Tudo apresentado de forma singela, harmônica, sem intelectualizações e com os sentimentos nomeados na tela: amor, ciúme, raiva e saudade. O resultado é leve, fluente, romântico.

'Liv & Ingmar' traz um amor bem resolvido e “comum”, história sempre esquecida em favor de outras pretensamente extraordinárias, mas que pouco ou nada dizem, de fato, sobre os paradoxos dos afetos. Sem escândalos, indiscrições ou rios de lágrimas, o diretor indiano Dheeraj Akolkar compartilha vivências. Tanto as felizes quanto as dolorosas, ambas temperadas por silêncios, pausas, elipses, segredos e brincadeiras.
 
Trata-se, especialmente, de um filme sobre algo raro: o amor maduro. Não no sentido etário, mas aquele de 'Fruta boa', canção de Milton Nascimento e Fernando Brant gravada por Nana Caymmi (“Saboroso é o amor/ Fruta boa/ Coração é o quintal da pessoa”).

O filme toca em muitas outras coisas: a relação entre atores e diretores; a memória e o tempo; a história das artes. Que ninguém se iluda: aquela senhora elegante e de olhos azuis, lúcida, sensível e divertida, é Liv Ullmann, uma das grandes atrizes de nosso tempo. O cineasta Ingmar Bergman é o “muso” dela.

A norueguesa Liv tem 74 anos. Além de atuar, dirige filmes e escreve. Iniciou sua carreira como atriz de teatro. Foi casada com Ingmar Bergman por cinco anos. O casal fez 10 filmes: 'Persona' (1966), 'A hora do lobo' (1968), 'Vergonha' (1968), 'A paixão de Ana' (1969), 'Gritos e sussurros' (1972), 'Cenas de um casamento' (1973), 'Face a face' (1976), 'O ovo da serpente' (1977), 'Sonata de outono' (1978) e 'Saraband' (2003). Em 1980, ela foi nomeada embaixadora especial do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). E escreveu dois livros autobiográficos: 'Mutações' (1975) e 'Opções' (1985). 'Ingmar Bergman' (1918-2007) também começou no teatro.

Considerado um dos mestres do cinema de arte, ele deixou obra centrada no drama do indivíduo diante do mundo e às voltas com a morte, a vida, a fé, a solidão e o desamor.

Confira uma prévia do documentário:


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