Com o voto dos internautas, MyFrenchFilmFestival.com ainda possui outra votação - a de um júri de cineastas estrangeiros, presidido por Michel Hazanavicius, e que se reúne em Paris para suas deliberações. Um terceiro e um quarto prêmios serão atribuídos por 100 cinéfilos escolhidos no Facebook e no Twitter - a presidente será a blogueira norte-americana Nikki Finke - e por dez influentes jornalistas internacionais. O festival é pago exceto nos países da América Latina - graças a parcerias locais - e também na China, Polônia e Rússia.
Os longas da competição são assinados por novos talentos da França - e alguns deles dão interessantes testemunhos sobre graves questões contemporâneas. O público que se emociona com 'O filho do outro' - apesar do improvável final do longa de Lorraine Lévby, que obviamente não soube como concluir seu trabalho - encontrará interesse de sobra em 'Une bouteille a la mer', de Thierry Binisti, que também encara a situação do Oriente Médio.
'La pirogue', do senegalês Moussa Touré, integrou o Festival Varilux no ano passado (e o próprio diretor veio ao Brasil). Trata do tema de imigrantes africanos que buscam na Espanha, hoje em crise, o seu Eldorado. 'La désintegration', de Philippe Faucon, vai um passo adiante e retrata a revolta de jovens de ascendência muçulmana que não se sentem integrados à sociedade francesa, em Lille.
Pelo menos três filmes tratam da voz humana e do alcance de uma mídia que busca se renovar - o rádio. 'Parlez-moi de vous', de Pierrre Pinaud, tem como protagonista a apresentadora de um programa que busca resolver os problemas dos ouvintes, mas a vida dela está um caos. 'Radiostars', de Romain Lévy, é um road movie radiofônico sobre a volta por cima de 'perdedores'. E 'Louise wimmer', de Cyril Mennegun, que fez sensação em Veneza, no ano passado, traz Corinne Masiero como mulher que usa a voz de Nina Simone como farol na tentativa de reconquistar a própria vida.
MyFrenchFilmFestival é uma iniciativa da UniFrance. A empresa vale-se agora das novas tecnologias e redes sociais para expandir seu público. Numa espécie de manifesto do seu festival, Régine Hatchondo, diretora-geral da UniFrance, afirma - "A França é o produtor número um do cinema europeu e o segundo maior exportador de filmes do mundo (após os EUA). Apesar de o ano de 2012 ter sido excepcional graças aos números conquistados por O Artista, de Michel Hazanavicius, e Os Intocáveis, de Eric Toledano e Olivier Nakache - mais de 120 milhões de ingressos vendidos em todo o mundo, contra 74,3 milhões em 2011 -, a difusão nas salas continua difícil no exterior."