Diretores debatem produção de cinema sem incentivo financeiro na Mostra de Tiradentes

Debate entre cineastas durante a 16ª edição do evento revelou que filmes podem ganhar novos caminhos estéticos quando não conseguem recursos da Lei Rouanet

por Bossuet Alvim 19/01/2013 17:21

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Beni Jr/Universo Produção
Diretores debateram as possibilidades que a falta de recursos despertam para a condução artística dos filmes; burocracia e morosidade foram apontados como defeitos no sistema da lei de renúncia fiscal (foto: Beni Jr/Universo Produção)
“Fora do centro” é a temática da 16ª Mostra de Cinema de Tiradentes, que se propõe a explorar as possibilidades de criação autoral que fujam dos modelos mais aceitos comercialmente. Para investigar o tema sob o ponto de vista da produção, um time de cineastas se reuniu em debate acompanhado por centenas de espectadores neste sábado, 19.

Os editais vinculados à Lei Rouanet foram tema de grande parte das questões levantadas pelo público. “Graças às falhas dos editais, que tornam o caminho mais complicado, nós descobrimos novos modos de produção”, afirmou o diretor cearense Guto Parente.

 

Ele criticou os modelos de seleção dos projetos para financiamento através da lei, mas observou que, em algumas ocasiões, a falta de verba faz com que os artistas desenvolvam maneiras criativas de produzir suas obras. “A gente vê filmes com propostas estéticas muito interessantes, que foram levados a isso pela falta de incentivo”, comentou.

Beni Jr/Universo Produção
Ana Johann programou filmagens para sete dias, mas teve que estender processo por três anos (foto: Beni Jr/Universo Produção)
A influência do apoio de empresas e do governo sobre o ritmo e a quantidade de criações cinematográficas brasileiras foi analisada por Guto e seus colegas, a paranaense Ana Johann, o mineiro Dellani Lima e o fluminense Silvio Da-Rin. O jornalista e crítico de cinema João Carlos Sampaio mediou a discussão, que contou com participação do fotógrafo Ivo Lopes Araújo.

 

Ao falar sobre o longa ‘Um filme para Dirceu’, Ana Johann revelou que precisou fazer alterações na condução do documentário por ter enfrentado problemas com equipamentos. Previsto para ser gravado em sete diárias, o processo de filmagem se estendeu por três anos, uma vez que a diretora não dispunha de apoio financeiro suficiente para sanar os defeitos técnicos em pouco tempo.

 

A autora optou por manter o registro destas dificuldades como parte da realidade retratada no longa. Com a obra pronta para a pré-estreia na noite deste sábado em Tiradentes, a paranaense se declara satisfeita com a influência dos obstáculos no resultado final. “Uma coisa que era ruim se transformou em uma coisa boa”, ela diz, referindo-se aos percalços da produção independente, sem os quais, ela garante, “o filme não seria o que é”,


Divulgação
'Um filme para Dirceu' documenta, além da história de seus personagens, os obstáculos enfrentados pela produção (foto: Divulgação)
Um filme para Dirceu
De Ana Johann (2012). Documentário, 80 min.

Pré-estreia em exibição gratuita neste sábado, 19, no Cine na Praça.

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