Paris-Manhattan marca estreia de Sophie Lellouche com homenagem a Woody Allen

Paixão de mulher comum por obra do cineasta é pano de fundo para relacionamento amoroso; personagem faz referências constantes a filmes da carreira do nova-iorquino

por Mariana Peixoto 11/01/2013 07:00

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Mares Filmes/Divulgação
Alice Taglioni e Patrick Bruel vivem um casal improvável e apaixonado (foto: Mares Filmes/Divulgação)
Em A rosa púrpura do Cairo (1985), Cecilia (Mia Farrow) é uma garçonete que tenta fugir de sua vida banal por meio de seus filmes prediletos. Já Alice, protagonista de Paris-Manhattan, não vai a tanto. Tem uma boa vida até, mesmo que sua família judia não acredite numa existência sem marido e filhos. A personagem, uma farmacêutica um tanto heterodoxa, compensa tal solteirice com uma fixação por Woody Allen. Longa-metragem da estreante Sophie Lellouche, o filme estrelado por Alice Taglioni e Patrick Bruel tem na homenagem ao cineasta nova-iorquino o seu maior mérito.

Fãs de Allen vão se deleitar com os diálogos entre a jovem francesa e o diretor norte-americano. Num pôster em seu quarto (uma reprodução do clássico portrait feito pelo fotógrafo Philippe Halsman) ela pergunta para ele em francês, que responde em inglês, a questões que giram, basicamente, em torno do relacionamento homem/mulher. E não somente isso. Alice assiste aos filmes de Allen sem parar (briga com um senhor numa festa porque ele disse não ter gostado de Manhattan, 1979). Ouve Cole Porter (que também está na trilha de Manhattan) a todo momento. Até prescreve para seus clientes da farmácia filmes de Woody Allen, que acredita terem poder de cura.

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Só que a homenagem ao cineasta esconde a real intenção da diretora, que é fazer uma comédia romântica. E aí falta estofo e experiência a Lellouche para chegar próximo do que Allen fez em Noivo neurótico, noiva nervosa (1977), só para citar um grande filme do mesmo gênero. No desenrolar da narrativa, Lellouche se aproxima muito do que a indústria norte-americana despeja aos montes a cada novo ano nos cinemas.

Todos os elementos estão lá. Uma protagonista que não se encaixa; uma série de pretendentes inadequados até a chegada de um perfeito, mas que não lhe desperta muita coisa; e um elenco de coadjuvantes que garante (algumas) risadas. Nesse quesito, os melhores momentos são do pai de Alice (Michel Aumont), que distribui cartões da filha farmacêutica, à revelia dela, a qualquer marmanjo sem aliança que vê pela frente.

Até o homem por quem ela vai se apaixonar é previsível. Victor (Patrick Bruel) é tudo o que Alice não busca, a começar pelos gostos pessoais. No primeiro contato ela já fica sabendo que ele nunca havia assistido a algum filme de Woody Allen. Bronco, responsável pela instalação de alarmes de segurança, ele logo questiona o jeito de ser de Alice. Como dois e dois, o restante da narrativa cai rapidamente na pura obviedade. O que salva é a parte final, com uma rápida aparição do próprio Woody Allen. Não é muito, mas faz a diferença. 
 
Assista ao trailer de Paris-Manhattan:
 


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