Produção chilena faz o acerto de contas com a história e a ditadura

No, protagonizado por Gael García Bernal, reforça a safra do cinema latino-americano

por Carolina Braga 28/12/2012 08:00

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Fábula/Divulgação
Gael García Bernal (E) brilha como o publicitário Rene Saavedra (foto: Fábula/Divulgação )
Nos primeiros minutos de No, novo filme do diretor chileno Pablo Larraín, tem-se a impressão de que há algo errado na projeção. Mas não. A imagem em três quartos de tela, a fotografia por vezes “lavada” e em outros momentos colorida ao extremo é, na verdade, linguagem. Aliás, uma das escolhas acertadas do diretor nesta que é sua terceira investida, depois de Post morten (2010) e Tony Manero (2008), em tramas que lembram fatos do passado político de seu país. Confira as salas e horários de exibição do filme em Belo Horizonte Veja mais imagens de No
Dessa vez, há um plebiscito em foco. Em 1988, o ditador Augusto Pinochet, cedendo a pressões internacionais, decidiu consultar a população para saber se deveria permanecer ou não no poder por mais oito anos. O que ele pensava ser uma manobra midiática para conseguir apoio externo tornou-se episódio chave na história do Chile.
A LUTA CONTINUA À medida que mostra os bastidores da campanha de marketing do referendo, o filme reforça a safra do cinema latino-americano, inclusive o brasileiro, que tem destacado tramas com as ditaduras no continente como pano de fundo. A chilena, neste caso, é apresentada com criatividade e humor. Afinal de contas, essas características foram marcas registradas do processo que culminou na retomada da democracia por lá.
No é uma adaptação da peça El plebiscito, de António Skarmeta, autor também de O carteiro e o poeta. Como é frequente em filmes com raízes nos palcos, o texto e consequentemente o trabalho do ator aparecem em pé de igualdade com outros elementos essencialmente cinematográficos, como a montagem, a direção de arte e a fotografia. Muito por isso, Gael García Bernal tem um dos melhores momentos da carreira como René Saavedra, o publicitário responsável pela campanha do não.
Ao longo dos 118 minutos, No passeia entre o real e o imaginado. Como é totalmente rodado em u-matic, o sistema de imagens vigente na época, praticamente não se nota a diferença entre o que foi feito para o cinema e os vídeos da TV da época. Essa escolha, que em um primeiro momento pode parecer técnica é estética. A ficção se dilui no documentário.
O resultado é uma sensação de verdade que poderia ser ainda mais intensa se não houvesse uma certa “barriga” no desenvolvimento da trama. No é dinâmico na apresentação do contexto político, no delineamento dos protagonistas, na abordagem das consequências da ditadura e também na sempre árdua tarefa de buscar a melhor ideia, o brainstorm como dizem os publicitários. No entanto quando se volta para a vida pessoal de René ou os conflitos que abalam a relação dele com o patrão, interpretado por Alfredo Castro, o ritmo cai bastante.
Lançado em maio na Quinzena dos Realizadoresem Cannes, No tem obtido êxito em sua carreira internacional. Da Riviera francesa saiu com o prêmio de melhor filme nesta que é uma das mostras paralelas do festival. Na última edição da Mostra de Cinema de São Paulo conquistou o troféu de melhor filme em língua estrangeira, categoria que, inclusive, está no páreo para o Oscar. 
MINEIRO DE CORAÇÃO
No é o primeiro projeto internacional do jovem produtor Daniel Dreifuss, de 33 anos. Nascido em Glasgow, na Escócia, ele morou em Belo Horizonte até os 20, quando se transferiu para Los Angeles para investir na carreira no cinema. 
Assista ao trailer do filme:


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