16ª Mostra de Cinema de Tiradentes traça novo perfil do cinema brasileiro

Cada vez mais colaborativas, obras são realizadas por estados que não apenas Rio e São Paulo

por Carolina Braga 23/12/2012 09:38

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 (Wagner Pina / Divulgação)
O filme Onde Borges tudo vê, do diretor Taciano Valério, vai abrir a mostra do início do ano (Wagner Pina / Divulgação) (foto: (Wagner Pina / Divulgação))
Um olhar para o que espande, o que desperta mudança e, principalmente, o que anda espalhado pelo Brasil quando o assunto é a sétima arte. É essa a meta da 16ª edição da Mostra de Cinema de Tiradentes, marcada para 18 a 26 de janeiro. Com a temática “Fora de centro”, o evento que inaugura o calendário audiovisual do estado vai discutir a efervescente criação realizada à margem do grande centro de produção do país com um detalhe curioso: o ato de fazer filmes está cada vez mais colaborativo. “Apontamos uma tendência que observamos no cinema brasileiro. Ele está sendo feito pela coletividade, os profissionais estão se unindo. Tanto na forma de financiamento quanto na maneira de fazer. Agora, observamos um número real de como isso se consolidou. A produção descentralizada existe e começa a dar sinais de vida”, afirma Raquel Hallak, coordenadora do evento realizado na charmosa cidade a 180 quilômetros de Belo Horizonte. O tema nasceu de uma conta básica. Dos 104 longas-metragens inscritos para a edição de 2013, 44% vêm de fora do eixo Rio-São Paulo. Entre os curtas, a proporção é parecida: dos 459 que competiram por uma vaga na grade, 52% são de outros estados. “É um novo perfil de produção”, identifica Raquel Hallak. O longa da abertura, segundo a coordenadora, representará bem o tema. Será a produção da Paraíba Onde Borges tudo vê, do diretor Taciano Valério. A homenagem em 2012 será dedicada à atriz paranaense Simone Spoladore. DEBATES E FILMES A Mostra de Cinema de Tiradentes tem se consolidado não apenas como plataforma de lançamentos de novos realizadores, mas também como espaço onde se discutem – e muito – os modos de produção do cinema contemporâneo brasileiro. Nesse sentido, em 2012, a temática “Fora de centro” vai permear pelo menos três mesas de debate com participação de cineastas, produtores e críticos. Assim como nos anos anteriores, durante nove dias, será oferecida programação gratuita nos cinemas montados na praça, na tenda e também no Centro Cultural Yves Alves, agora com programação permanente na cidade. A expectativa é de que sejam exibidos, ao todo, cerca de 120 filmes. A grade de curtas-metragens terá 97 produções, divididas em oito mostras temáticas. “Observamos um salto fantástico da produção de Minas”, destaca Hallak. Só do estado foram 68 curtas inscritos e 14 longas, dos quais seis devem ser escolhidos para exibição. A grade completa será divulgada na primeira semana de janeiro. Filmografia de simone spoladore » 2001 – Lavoura arcaica      » 2002 – Desmundo » 2004 – Vestido de noiva      » 2005 – Veias e vinhos – uma história brasileira » 2005 – O ano em que meus pais saíram de férias » 2007 – Primo Basílio » 2007 – Canção de Baal » 2008 – Natimorto » 2008 – Insolação » 2008 – Duas da manhã » 2009 – Não se pode viver sem amor » 2009  – Luz nas trevas      » 2009 – O último romance de Balzac » 2009 – Sudoeste (curta) » 2009 – O gerente » 2010 – Nove crônicas para um coração aos berros      » 2010 – A musa impassível » 2010 – Elvis & Madona      » 2010 – Luz nas trevas – A volta do bandido da luz vermelha      » 2012 – Sudoeste » 2012 – A memória que me contam A 16ª edição 97 curtas 14 estados brasileiros 68 inscrições de Minas Gerais 25 inscrições do Paraná 23 inscrições do Ceará 21 inscrições da Bahia
(Divulgação)
A atriz no filme de estreia Lavoura arcaica, longa do diretor Luiz Fernando Carvalho (foto: (Divulgação))
Sempre perto da arte
Foi no carro, a caminho de casa, voltando de uma gravação, que a atriz Simone Spoladore recebeu a notícia. Ficou sem palavras. Aliás, ainda está. Aos 33 anos, com 21 filmes no currículo, a atriz paranaense será a homenageada da 16ª edição da Mostra de Cinema de Tiradentes. “Não sei o que dizer. Fico muito emocionada e feliz com isso”, comenta. Não há razão para espanto. O reconhecimento chega em um dos momentos mais produtivos da carreira dela. Simone Spoladore está nas telas atualmente em Sudoeste, longa de Eduardo Nunes. Na fila de lançamentos, há ainda duas produções prontas: A memória que me contam, de Lúcia Murat, e Nove crônicas para um coração aos berros, de Gustavo Galvão. E tem mais: “Vou trabalhar de novo com Eduardo Nunes, Helena Ignez e Flávia Castro em 2013”, conta. Isso só no cinema, porque no teatro a maré também está boa. A participação no espetáculo Depois da queda, com direção de Felipe Vidal, acaba de render a ela uma indicação ao Prêmio Shell. Quando recebeu de Raquel Hallak a notícia da homenagem, mais que pensar em futuro, Spoladore entrou no túnel do tempo. Voltou a 2001, quando fez o teste para Lavoura arcaica, antológico longa-metragem de Luiz Fernando Carvalho baseado no livro de Raduan Nassar. Aos 18 anos, recém-chegada a São Paulo procedente de Curitiba, moradora de uma pensão na Rua Augusta, foi na cara de pau se oferecer para viver Ana, a caçula da família. “Estava em uma festa à noite e dois amigos comentaram que fariam o teste. Decidi ir com eles, mesmo sem nada marcado. Era um domingo à tarde, em um teatro brincante. Quando cheguei lá, conversei com a produtora, que ficou de me ligar para marcar”, lembra. No dia seguinte, debaixo de chuva, Simone chegou para tentar sua vez. Ao conversar com a assistente de direção, foi certeira: “Quero fazer a Ana”. A filha de bancários, que sempre procurou estar perto da arte, primeiro da dança, depois do teatro, descobrira, enfim, mais um lugar em que se sentiria confortável. O cinema entrou avassalador na vida de Simone Spoladore. Com Lavoura, conquistou o Prêmio Qualidade Total de melhor atriz coadjuvante e, a partir daí, emendou trabalhos na telona, como Desmundo (2003); O ano em que meus pais saíram de férias (2006); Natimorto (2008); Elvis e Madona (2010) e outros. “Esses filmes nascem de encontros. São trabalhos que vão acontecendo pelo tempo que invisto no cinema”, diz. Desde 2001, Simone Spoladore tem feito, em média, três filmes por ano. Em 2009, bateu o próprio recorde. Foram cinco produções, cada uma de um perfil e diretor diferente. “Gosto muito dos filmes que experimentam. Parece que tudo já foi dito e feito, mas, ainda assim, tem projetos que ousam mais na linguagem e tentam buscar caminhos novos. É disso que gosto”, conta.

 



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