A água é cenário e personagem do filme de estreia de Aris Bafaloukas

Azul profundo chega aos cinemas de BH nesta sexta-feira, 14

por Walter Sebastião 14/12/2012 08:00

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Lume Filmes/Divulgação
'Azul profundo' conta a história de Elza (Youlika Skafida) e Dimitri (Sotiris Pastras) (foto: Lume Filmes/Divulgação)
Azul profundo (Apnea, 2010), filme do grego Aris Bafaloukas, coloca na tela dois personagens que se preparam para a busca de objetivos bem claros. Elza (Youlika Skafida) é ativista de movimento ecológico, em luta pela defesa da vida no mar. Dimitri (Sotiris Pastras) é atleta atrás de sucesso e medalhas. A diferença das “causas” não impede a aproximação dos dois, mas gera atritos. Ele participa das ações do grupo dela, mas, depois de uma briga do casal, Elza vai para uma missão sozinha e desaparece. Acompanhando as buscas, o atleta mergulha em lembranças de como chegaram àquela situação. Não é um filme experimental, mas também não se trata de obra convencional. Em especial pela beleza das imagens, durante todo o filme, mas ele não se reduz a isso. Confira horários e salas de exibição do filme em BH
Á água, seja do mar ou da piscina, como elemento físico ou simbólico, tornada cenário ou personagem, está em todas as cenas, diurnas ou noturnas. Não em sua dimensão hedonista ou regeneradora, como é mais comum, mas como “outro” mundo (como tudo que essa imagem sugere), complementar, que leva à introversão dramática e à consciência de limites. O espectador experimenta, o tempo inteiro, o trânsito entre duas bandas narrativas: uma que é o relato do desaparecimento; outra sobre o impacto subjetivo dele. As duas considerações se cruzam, levando a estado de suspensão de certezas, onírico, que, mais uma vez, traz metáforas aquáticas. Como o boiar, imagem ícone da obra, estampado inclusive no cartaz.
Em alguns (e melhores) momentos, tudo isso ocorre de forma quase silenciosa, com os movimentos dos personagens “coreografados”; músicas suaves; sons leves; e uma “partitura” de ruídos (de objetos do cotidiano e até de respirações). O que torna as cenas muito expressivas. É diante da potência desses aspectos, quando bem articulados, em especial no primeiro terço do filme, que é possível observar limitações. O que surge como história de ruptura, poética da dúvida e tonalidade reflexiva, no desenvolver da trama, caminha passo a passo para o maniqueísmo. E vai sendo engessado por abordagem (em quase todos os aspectos) convencional. A harmonia posta no início vai se diluindo, e tornando um filme que poderia ser muito bom, apenas bom.
Pontos fortes são a fotografia (de Elias Adamis) e a montagem (de Aris Bafaloukas e Alexis Pezas), que sustentam, com muita competência, a proposta do filme que ganha muito na tela grande. Aspectos que fragilizam, sem comprometer o filme, são as interpretações dos atores e diálogos (só ocasionalmente bons). O roteiro articula bem os elementos. Interessante é o fato de ser produção bem realizada, mas simples. O filme já ganhou alguns prêmios, entre eles um do público, em festivais gregos e nos EUA. É o primeiro filme do diretor, que é também produtor e roteirista. Bafaloukas nasceu em Atenas. Foi, durante oito anos, campeão de natação na Grécia. Graduou-se, em 1995, na Universidade de Atenas e no L. Film Stavrakis, fez mestrado no Reino Unido. Escreveu para o teatro e para a televisão. Assista ao trailer de Azul profundo:


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