Portinari é tema de documentário

por Mário Sérgio 06/12/2012 09:01

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Reprodução
O óleo sobre tela Lavrador de café (1934) ilustra a capa do DVD (foto: Reprodução)
Para muitos o maior nome das artes plásticas no Brasil, Cândido Portinari (1903-1962) é tema de mais um título da série Os grandes brasileiros, da FBL Criação e Produção. Dirigido por Sonia Garcia, com direção geral de Rozane Braga e roteiro de Maria Gessy, o documentário cobre toda a trajetória de Portinari, narrada em 52 minutos. Nos "extras", outros três trechos completam as informações sobre o mestre, com mais 30 e poucos minutos, em capítulos específicos que destacam o ilustrador, o muralista e o pintor sacro.

Seguindo uma ordem cronológica, Portinari do Brasil começa em Brodósqui, cidade paulista onde ele nasceu. O texto autobiográfico fala da infância que inspirou muitas de suas telas, a casa em que morou, a família de imigrantes italianos, o circo que povoava seu imaginário, casamentos e bailes na roça. O documentário revela, por exemplo, que aos 10 anos "Candinho" fez um retrato do compositor Carlos Gomes para a orquestra em que o pai tocava bombardino. Esta é a mais antiga obra conhecida do artista, que aos 15 anos se mudaria para o Rio de Janeiro, para fazer um curso livre de pintura na Escola Nacional de Belas Artes.

O grande salto de Portinari se deu em 1929, quando ele foi para a Europa. Mais que pintar, observava, e aí aprendeu muito, conta. Casou-se com a uruguaia Maria Matinelli e voltou ao Rio. A partir daí, aliou-se aos modernistas, deu aulas e enveredou pela política. "Candinho" foi candidato derrotado ao Senado pelo Partido Comunista. O recurso da tela dividida e aproximações aos elementos dos quadros como que em três dimensões causam um efeito curioso e prendem a atenção de quem assiste. É quando passa à fase mais conhecida do artista, com as séries sobre trabalhadores. Além da temática social, suas preferências, ressalta, são as grandes telas, com muitas figuras agrupadas, enormes composições e estruturas variadas.

Os painéis para o Monumento Rodoviário e o Ministério da Educação, a participação na Feira Mundial de Nova York de 1940 e os murais da Biblioteca do Congresso em Washington conduzem ao grande mural Guerra e paz, realizado entre 1952 e 1956 e instalado na sede da Organização das Nações Unidas, recentemente restaurado e exposto no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, em 2010. O documentário não esquece também a impressionante série Retirantes e o conjunto da Igreja de São Francisco, na Pampulha, em Belo Horizonte, que une a arte de Portinari à de outro gênio, Oscar Niemeyer.

O pintor morreu envenenado lentamente pela tinta que usava em seus quadros, deixando um legado que está aí para ser admirado, e este DVD é importante ferramenta para conhecer o artista, até porque está sendo distribuído gratuitamente a universidades, bibliotecas, colégios, instituições, empresas e órgãos do governo e à venda na Livraria Cultura (www.livrariacultura.com.br).

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