Sesc Palladium realiza mostra de filmes do francês Jacques Tati, com a exibição de curtas e longas-metragens

Documentário dirigido pela filha dele também será exibido

por Walter Sebastião 05/11/2012 08:29

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Jolly Film/Divulgação
Original de 1967, Playtime é uma das mais importantes produções assinadas por Jacques Tati, que aparece em primeiro plano, de costas (foto: Jolly Film/Divulgação)
 

Começa nesta segunda-feira, no Sesc Palladium, a mostra Tati por inteiro. Até dia 18, serão exibidos, na Sala Professor José Tavares de Barros, os principais longas e curtas-metragens de Jacques Tati (1907 – 1982). A programação inclui conferência e documentário sobre o cineasta francês dirigido pela filha dele, Sophie Tatischeff. “O objetivo é mostrar a obra do diretor. Apesar de importante, Tati é mais falado do que visto. Famoso, mas pouco exibido”, afirma Marco Aurélio Fialho, assessor técnico do evento. Fialho ressalta a importância de Tati, um dos grandes realizadores do cinema, conhecido pelas críticas que dosam ironia e sarcasmo para falar do mundo moderno e toda a sua parafernália. “Os filmes de Jacques Tati nos deixam algumas perguntas, tais como: ‘Somos mais felizes com tantos aparelhos?’”, questiona Marco Aurélio Fialho. Ele lembra que o diretor filmou dos anos 1950 até a década de 1970, período em que as máquinas começaram a proliferar no cotidiano das pessoas. Se atualmente há muita intimidade e interação entre humanos e engenhocas, naqueles tempos não era assim. MONSIEUR HULOT Em vários filmes surge o personagem monsieur Hulot, interpretado pelo próprio Jacques Tati. “Ninguém melhor do que ele para materializar um tipo que exemplifica suas próprias ideias”, observa Fialho, para quem a interpretação corporal, com algo circense, faz com que o artista cative as crianças e agrade a plateias de todas as idades. Marco Aurélio aponta alguns filmes que simbolizam o legado do cineasta francês, mas observa que isso não quer dizer que essas fitas sejam as melhores. Cita Meu tio e Playtime (a superprodução que levou o diretor à falência). Em entrevista reproduzida no blog O homem que sabia demasiado, Tati explicava que, para ele, o cinema é um mecanismo que grava e transforma o olhar sobre o mundo em experiência de humor, sem perder a seriedade na análise e na crítica. “Em meus filmes há preocupação com o lado formal e estético”, explicou Tati. “Mas há também margem de liberdade e de abertura, procurando explorar novas abordagens na realização ou na interpretação. Monsieur Hulot evoluiu ao longo de meus filmes, passou de homem passivo à mercê dos elementos tecnológicos da sociedade moderna (Meu tio) a agente de transformação e de intervenção no meio que o rodeia (Playtime).” Tati era admirador de Charles Chaplin e Buster Keaton. “Não houve outros como Chaplin e Keaton. Eram os maiores, verdadeiros artistas de uma arte que definhou a partir do aparecimento do cinema sonoro. Ainda assim, aprecio o humor anárquico dos irmãos Marx, a comédia de costumes de Jerry Lewis e do italiano Totó. Não gosto de Monty Python. O humor absurdo, político e filosófico nunca me atraiu. Além do mais, eles têm demasiados diálogos e, por vezes, muito complexos. Monsieur Hulot conseguia dizer o mesmo quase sem falar uma palavra”, observou o francês. TATI POR INTEIRO Desta segunda-feira ao dia 18, na Sala Professor José Tavares de Barros do Sesc Palladium (Rua Rio de Janeiro, 1.046, Centro). Entrada franca. Informações: (31) 3279-1500 e 3214-5350. >> PROGRAMAÇÃO DA PRIMEIRA SEMANA Segunda-feira Das 18h30 às 21h30 – Abertura com Stéphane Goudet, mestre em história e estética do cinema na Universidade Paris 1/ Panthéon Sorbonne, crítico da revista Positif e diretor do cinema Le Méliès. Em francês, com tradução simultânea. Inscrições gratuitas: (31) 3214-5376 e educativopalladium@sescmg.com.br. Terça-feira 19h30 – Les vacances de monsieur Hulot (1953) Quarta-feira 19h – Mon oncle (1956)   Quinta-feira 19h – Tati sur les pas de monsieur Hulot ( 1986) 21h – Parade (1974) Sexta-feira 19h – Curtas 21h – Trafic (1971)   Sábado 19h – Les vacances de monsieur Hulot (1953) 21h – Playtime (1967) Domingo 17h – Curtas 19h – Jour de fête (1949)



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