Começa nesta quinta-feira a 6ª Mostra Cine BH, que será aberta com homenagem ao coletivo Teia

Mais que apenas exibir filmes, a ideia é ampliar as relações no mercado cinematográfico

por Carolina Braga 17/10/2012 09:32

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O Grivo/Acervo
Em meio ao arsenal sonoro de O Grivo, Marcos Moreira e Nelson Soares desenvolveram a trilha sonora para a abertura de amanhã à noite (foto: O Grivo/Acervo)
 

 

Mais que uma grade de filmes sintonizada com o que tem sido produzido no país ou a realização de mostras retrospectivas inéditas, a 6ª Mostra Cine BH começa nesta quinta-feira reforçando sua vocação em promover encontros e valorizar apostas ousadas no cenário audiovisual. A abertura, à noite, está em total sintonia com essa proposta: uma homenagem aos 10 anos da produtora mineira Teia, às 21h, no Grande Teatro do Sesc Palladium, com um cineconcerto inédito. Nas telas, narrativas visuais criadas pelos cineastas do coletivo. Nas caixas de som, com execução ao vivo, a trilha sonora especialmente criada pelo grupo O Grivo. A questão de ordem era inovar. “O pessoal da Teia definiu seis ou sete climas”, explica Marcos Moreira, integrante de O Grivo. “Eles procurariam as imagens que tivessem a ver com os temas e nós iríamos atrás de temas musicais.” Independentes O resultado será o abre-alas da temporada de seis dias, 126 filmes, sendo 43 longas-metragens, cinco médias, 78 curtas – todos com entrada franca –, além de muita discussão sobre o fazer cinematográfico e seus meandros. Nesse quesito, o ponto forte da mostra é o Brasil Cinemundi, focado exclusivamente no fomento das coproduções internacionais. Será o terceiro ano consecutivo em que o mercado terá destaque. “A figura da coprodução tem mudado. Identificamos nela o caminho para construir juntos novas linguagens, abrir mais oportunidades para nossos filmes para que sejam vistos em mais territórios e também de uma maneira melhor”, explica a produtora colombiana Diana Bustamante. Até terça-feira, ela e outros 14 profissionais estrangeiros estarão na cidade especialmente para conhecer um pouco mais dos filmes da nova safra brasileira. Foram convidados representantes da França, Espanha, Estados Unidos, Colômbia, Alemanhã e Argentina, entre outros países, para avaliar 10 projetos de longas-metragens pré-aprovados pela organização. Durante o Meetting One-to-one, os produtores terão oportunidade de vender seus projetos aos convidados. Além disso, no fim da Mostra Cine BH, o júri composto por três convidados pela organização vai escolher um dos projetos apresentados. O vencedor receberá material e serviços audiovisuais que podem viabilizar sua execução. Produtor do Ciné-Sud Promotion e do Fundo de Amiens, da França, Thierry Lenouvel espera descobrir novos diretores e seus projetos no Brasil Cine Mundi. “Busco cinematografia de qualidade. Estou aberto às coproduções. Na França, temos algumas possibilidades e condições de fazer isso”, avisa Lenouvel. “Vou adorar ver um panorama do cinema de vocês”, continua Diana Bustamante. “Sem rótulos, que tenham apostas claras na busca de novas linguagens e narrativas que nos surpreendam.” A colombiana considera o encontro uma grande oportunidade, já que, na avaliação dela, por incrível que pareça, nos últimos anos o acesso à indústria cinematográfica do Brasil tem sido muito hermética. Ótima oportunidade para os realizadores Para quem está na batalha para tirar do papel o primeiro longa-metragem, o Brasil Cinemundi também é uma grande oportunidade. Vencedora de sete candangos com o curta-metragem A mão que afaga, a cineasta paulista Gabriela Amaral Almeida apresentará aos produtores estrangeiros em Belo Horizonte o projeto de seu primeiro longa, Semente. “É um encontro oficial, porque marca o nascimento oficial do filme”, diz. Semente já caminha para o quarto tratamento de roteiro. Com alguns flertes fantásticos e até mesmo com o horror, a trama trata da relação de uma menina de 9 anos com o pai dela, um pedreiro do subúrbio de São Paulo. “As coproduções são importantes para os filmes independentes. É uma oportunidade de circular, além de trazer um outro olhar para o universo que a gente cria”, comenta Gabriela. Cineasta mineiro radicado em São Paulo, Marcelo Caetano também foi selecionado para apresentar o projeto de Corpo elétrico. “Fiquei muito feliz com o leque de produtores convidados para o encontro, pelos filmes que produziram e que tanto admiro, como também pela abrangência de países que representam (da Europa, América Latina e América do Norte)”, comenta. O longa-metragem conta a história de dois operários de uma fábrica têxtil, um vindo do interior e o outro moçambicano. “O Corpo elétrico traz questões muito presentes nas narrativas pós-coloniais – tanto no cinema quanto na literatura internacional. A diáspora de jovens africanos e latino-americanos pelo mundo é vista no filme como um processo afetivo, de encontros e de aventuras dos corpos. Essa abordagem peculiar de uma temática contemporânea, aliada a uma proposta de filmagem fundada na energia corporal e física dos personagens, são pontos que acredito serem interessantes para os produtores internacionais”, aposta Marcelo Caetano. PROGRAMAÇÃO Quinta-feira » Sesc Palladium – Grande Teatro. (Rua Rio de Janeiro, 1.046, Centro) 20h30 – Homenagem à produtora Teia, com Cineconcerto e O Grivo e lançamento do livro Teia 2001-2012. Sexta-feira » Centro de Arte Popular – Cemig (Rua Gonçalves Dias, 1.608, Funcionários) 14h – Brasil Cinemundi – Debate entre as culturas. 14h30 às 17h30 – Brasil Cinemundi – Meeting one-to-one. 14h30 às 16h15 – Fundos de investimentos, mecanismos e incentivos à produção, exibição e difusão do cinema no mercado mundial. 17h – Como viabilizar produções independentes?. » Cine Belas Artes (Rua Gonçalves Dias, 1521, Lourdes) 18h – Sessão de curtas da produtora Teia. 18h30 – Sessão de curtas Retrô Preta-Bélier. 19h30 – Girimunho, de Helvécio Marins Jr. e Clarissa Campolina. 20h30 – ¿Donde están sus historias?, retrospectiva de Nicolás Pereda. 21h – O que se move, de Caetano Gotardo 21h30 – Crazy horse, de Frederick Wiseman » Cine Humberto Mauro (Av. Afonso Pena, 1.237, Centro) 19h – No fundo nem tudo é memória, de Carlos Segundo. 21h30 – Boy meets girl. – Retrospectiva Leos Carax » Sesc Palladium – Sala Prof. José Tavares de Barros. (Av. Augusto de Lima, 420, Centro) 19h – Sessão de curtas 21h – Nocturnos, de Edgardo Cozarinsky A programação completa está no www.cinebh.com.br



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